Universo da obra
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O Búfalo de SangaranSangaran Madiba Konté chamou os caçadores de sua terra e fez uma promessa diante de todos: aquele que matasse o grande búfalo escolheria uma de suas filhas para esposa, sem pagar dote. O animal devastava campos, matava homens e atravessava a savana como se fosse dono da vida alheia.
Vieram caçadores de longe, trazendo lanças, amuletos, cães e palavras orgulhosas. No primeiro dia, o búfalo derrubou muitos. No segundo, outros tantos fugiram. A cada tentativa, crescia a fama da fera e diminuía a coragem dos homens.
Dois irmãos ouviram a notícia. Eram caçadores conhecidos, não apenas pela pontaria, mas pela paciência. Sabiam que a savana pune o apressado e que animal antigo não se vence com grito. Foram falar com Sangaran e aceitaram o desafio.
Prepararam-se durante a noite. Consultaram sinais, examinaram pegadas, ouviram os velhos. Ao amanhecer, seguiram o rastro do búfalo por capim alto e terra marcada. O mais novo queria avançar depressa; o mais velho lembrava que bravura sem cálculo vira comida de abutre.
Encontraram a fera perto de uma baixada. Era enorme, escura, com chifres largos e olhos cheios de fúria. Quando percebeu os homens, baixou a cabeça. A terra pareceu bater junto com seus cascos.
Os irmãos se separaram. Um chamou a atenção do búfalo; o outro procurou o ângulo certo. A primeira lança feriu, mas não deteve. A fera avançou, arrancando arbustos, e por pouco não esmagou o caçador mais jovem. O mais velho então lançou com toda a força, mirando onde a vida pulsa escondida.
O búfalo ainda correu alguns passos. Depois vacilou, dobrou as pernas e caiu. A savana, que antes rugia com ele, ficou quieta.
Quando os irmãos voltaram, não trouxeram apenas prova de vitória. Trouxeram também a lição que os contos guardam: coragem não é barulho, e promessa de chefe nenhum vale tanto quanto a inteligência partilhada entre companheiros. O búfalo de Sangaran caiu porque dois homens souberam agir como um só.
Um conto recolhido em Contes du Sénégal et du Niger: caçadores, promessa, perigo e coragem diante de um búfalo temido.
Fonte-base: Wikisource, Contes du Sénégal et du Niger, Franz de Zeltner, Ernest Leroux, 1913
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