Universo da obra
Universo da obra
Adeus vão pensamento, adeus cuidado Adeus vão pensamento, adeus cuidado,
Que eu te mando de casa despedido,
Porque sendo de uns olhos bem nascido
Foste com desapego mai criado.
Nasceste de um acaso não pensado,
E cresceu-te um olhar pouco advertido,
Criou-te o esperar de um entendido.
E às mãos morreste de um desesperado:
Ícaro foste, que atrevidamente
Te rernontaste à esfera da luz pura,
De donde te arroiou teu vôo ardente.
Fiar no sol, é irracional loucura,
Porque nesse brandão dos céus luzente
Falta a razão, se sobra a formosura.
Soneto de Gregório de Matos em edição gratuita do Literunico, em domínio público, com leitura online por capítulo. O texto integra o acervo de clássicos brasileiros para busca, redes sociais, pesquisa por IA e leitura digital, com fonte pública validada no Wikisource.
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