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Edu Liguori

@ eduliguori

Nasci em São Paulo, capital, e cresci no ir e vir entre a metrópole e o mar. Cinema, música e livros sempre fizeram parte da minha vida. Depois de uma breve experiência cinematográ...

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Reconhece quem alcançou pelo menos 365 publicações entre 1º de janeiro de 2025 e 1º de julho de 2026, incluindo as duas datas. A conquista considera o total de publicações nesse período.

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Simbionte
Simbionte Ferun

Nascido · Ferun · radiante

Ferun · Nascido
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Aqui no meu chão só peço por compaixão
umbú aqui no copo se completa com água
a cisterna que agradece a chuva passada
a pipa abastecida e Aparecida feito santa
lá na urbanidade comum é a eletricidade
mas luz aqui só chegou bem depois tardia
lampião, fogareiro, vela, lamparina e estrela
nem havia geladeira, só sol, charque e sal
dentes saiam e o sorriso morria de espaço
até que eles mandaram o doutor e a doutora
a gente ri brilhante agora e afastou a catapora
mais médicos, dentistas, professores e ideias
as meninas e os meninos são bem espertos
agora escrevem, leem, cantam e compõem
uns fazem contas, fórmulas e até equações
vão ser doutores, advogados, engenheiros
o passado recebeu presente e virou futuro
tudo isso logo depois que um pau de arara
lá chegou e um rapaz simples, muito sofrido
cresceu de mãe, chão de fábrica e vil metal
em cima de um lugar gritava bem acelerado
nós temos direito de ter acesso a tudo sim
e foi falando sim que ele cresceu bem demais
até virar uma estrela, estrela bem vermelha
a lua sabe a verdade do que não mais foi igual
pois o menino de Garanhuns ficou barbado
e ascendeu potente no colo do seu povo
para fazer realidade o sonho de cada um
que um dia mirou o céu no seu povoado
e perguntou: isso é justo meu senhor?

Edu Liguori
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nos jogamos e acreditamos
naquilo tudo que se apresenta
na bela companhia
no assunto do dia
na crítica social
na poesia
é na mesa de bar
que se permite o livre amar
sem preconceito ou ressentimento
até a mais louca paixão
entre garrafas e fagulhas
nos entregamos e navegamos
na tempestade que esquenta
na refrescante ventania
no sol do meio dia
tensão sexual
da poesia
é na mesa de bar

Edu Liguori
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é na mesa de bar
que se permite o livre filosofar
do mais puro consentimento
até a pior discussão
entre copos e migalhas

Edu Liguori
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As vezes eu canso
e deixo de gostar de alguém
calma
te gosto sim
mas diferente
cores pastéis
perdeu intensidade
afinal até o mais pobre
poeta
pode ter apenas
uma amizade

Edu Liguori
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Faz tanto tempo que não tenho mais o que lembrar
o cheiro, o som, o gosto, o calor
foram ficando mais fracos
distantes
teus olhos perderam a cor
teus cabelos se soltaram dos meus dedos
sua boca, tão profunda
hoje jaz em continente além
e eu, quem sou eu
apenas o poeta
que você beijou

Edu Liguori
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A solidão dos poetas, dos loucos e dos bêbados tem o som de colibris
Acelerados bater de asas
Longos bicos
E uma sede interminável

Edu Liguori
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Migrante
ser errante
que sem amarras
se lança a vela
larga tudo
deixa para trás
aquilo que o construiu
em busca do novo
do encanto
do frescor
aqui onde cheguei
tem mar
tem pássaros
tem frutas
nada mais
precisarei
além de tu
que
encantei

Edu Liguori
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Tal como visagem
mas de bom gosto
esses olhos arretados
de feito gateado
bateram em mim
um laico abestalhado
esse poeta viajado
calejado de pena e tinta
viu as curvas do Capibaribe
no seu perfil a contraluz
sobre o piso de madeira
sorrateira onça pintada
da pele alva e sonora
encantou assim o artista
onde o Galo da Madrugada
lamenta o fim do carnaval
versos foram compostos
e cores surgiram nos céus
depois do frevo e maracatu
sobraram emoções e cinzas
era o desejo deitado ao chão
de um homem que queria
mas não sabia se poderia
com as marés receber
mais uma vez o sorriso
da felina do arrecife
que lhe presenteou a graça
de ter razões para viver
as cirandas do amor

Edu Liguori
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naveguei para o infinito
onde não pode mais me encontrar
vou virar estrela longínqua e só de longe brilhar
um dia quem sabe irá lembrar tudo o que já foi dito
do espaço escuro e em expansão
acabei com a ansiedade e com a tristeza
agora sou um astro, sou só distante beleza
não há mais incompreensão nem solidão
que daqui do céu acompanhado pela lua
possa ficar eternamente em paz e contemplação
anos luz nos separam e acalmam o coração
por favor não deseje uma estrela cadente em tua rua
seria imenso o estrondo e confusão
se por ventura seu pedido for atendido
porque assim num momento perdido
já estaria eu aí no chão

Edu Liguori
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sou outro?
ou o mesmo?
sou outro
com o mesmo
mas em outro
procuro o mesmo
que outro?
se não o mesmo?
sem outro
não tenho mesmo
é outro
que me faz eu mesmo
por outro
luto mesmo
o outro
não é o mesmo
com outro
fico mesmo
sim outro
não mesmo

Edu Liguori
Litverso post
observo de longe calmamente todos os seus movimentos
me chamam atenção partes que não costumam ser apreciadas
ossos e músculos, braços dançantes, cabelos e paramentos
um conjunto complexo que deixa minhas pupilas dilatadas


não importa a definição de arte, a mulher quando se move é poesia
o balanço da cabeça, o remexer dos quadris, o olhar disfarçado
você sabe que estou ali, estou sempre ali em completa paralisia
só o coração bate, os olhos captam e o cérebro analisa excitado

uma gota de suor escorre da fronte ao pescoço e é absorvida pela camisa
quase não me movo, apenas os olhos em agitada perseguição
na sua fronteira movimentos estudados, bonitos, um charme que avisa:
- admire, contemple, apaixone-se eu tenho pra você toda a emoção

da minha base costumeira, me derreto na degustação de tua beleza
é ato corriqueiro, mas nunca cansativo ou repetitivo em nenhum aspecto
todo sempre é novo, maravilhoso, vibrante, cheio de esperteza
é pássaro em dança de acasalamento, é multicolorido espectro

todos nós sabemos o que estamos fazendo, é parte de um processo
sedução, análise, teste, interpretação, como queira você agora chamar
fração de um grande e inacabado ato, estudo da possibilidade de sucesso
do encontro inevitável dos envolvidos nesta inevitável maratona do amar

Edu Liguori
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