Universo da obra
Universo da obra
CAPÍTULO I IRMÃS
Laisa e Alice corria pela mata procurando algum esconderijo, as perguntas curtas de Alice a tornavam mais lentas, mas Laisa nunca deixaria sua irmãzinha para trás e segurava sua mão com força para não a perder de vista. Elas desviavam dos galhos secos, mas ainda assim haviam cortes tanto em seus braços quanto nas pernas, causados pelos galhos afiados.
— Onde está o esconderijo? — Alice perguntou com sua voz chorosa. A frente dela, Laisa corria com seus cabelos escuros balançando, as folhas presas entre seus fios denunciavam o desespero da maior.
— Está perto! — Gritou apertando ainda mais a mão pequena da irmã. A verdade era que Laisa não fazia ideia de onde estava o bendito esconderijo, o desespero em precisar se esconder estava nublando sua mente.
— Ela vai pegar a gente! — Alice gritou ouvindo ao galhos quebrando atrás de si, os sons estavam cada vez mais próximos.
— Não. Ela não vai! — Laisa encheu o peito de coragem e raiva, ela apressou o passo e estudou uma possível estratégias de fuga.
As pernas de Alice já estavam cansadas, seus músculos doíam e começavam a tremer devido ao esforço para fugir. Em meio a corrida, os olhos atentos de Laisa avistaram um pequeno tronco de árvore caído no chão, ela puxou a irmã e ambas pularam por ele, mas a maior impediu a irmã de continuar correndo. Ela puxou o braço da menor e a segurou embaixo do tronco, a boca da pequena tinha uma mão a tampando. A mais velha pegou um galho e jogou nas plantas a frente fazendo elas se moverem.
— Fica quieta. — Sussurrou no ouvido da menor enquanto a segurava.
Não demorou muito e uma mulher alta e musculosa pulou pelo galho e correu na direção onde acreditava que as meninas estavam correndo. As irmãs só esperaram a mulher desaparecer de suas vistas e saíram correndo na direção oposta, a mais velha sabia que o esconderijo não estava longe. Elas caminharam um pouco mais devagar, a ligeira vantagem das irmãs fez a mente de Laisa trabalhar com mais calma e reconhecer alguns locais que indicavam o esconderijo.
— Estamos perto! — Ela falou sorrindo, havia reconhecido um montinho de terra que havia feito quando ela e a irmã fizeram o esconderijo.
— Pena que não irão chegar até ele! — Uma voz firme e rouca falou atrás da meninas.
Laisa e Alice viraram apenas para dá de cara com a sua perseguidora a poucos metros delas. Roberta segurou a menor, ela sabia que Laisa nunca fugiria deixando a irmã para trás e a ela estava certa. A menina pegou um galho qualquer e se preparou para lutar pela irmã, suas mãos tremiam e a mulher já sabia que ela não iria até o fim.
— Solta isso. Você não tem a coragem necessária para me machucar. — Roberta falou com um pouco de decepção na voz.
O peito de Laisa se inflava e mesmo com as mãos trêmulas, a menina não recuou. Ela apertou o galho com força e olhou a irmã, Alice negava com a cabeça quase implorando para a irmã não reagir. A jovem ignorou o pedido silencioso da irmã e partiu pra cima da mulher sem medo do que iria acontecer.
Horas mais tarde as meninas caminhavam em silêncio, as cabeças baixas denunciavam a frustração, as mãos ainda estavam unidas como um laço de sangue que nunca seria quebrado. Pouco mais de um metro a frente Roberta caminhava em silêncio, a mulher tinha machucados nos braços, resultado do ataque da pequena guerreira que havia criado, mas obviamente a pequena havia perdido a briga, e ainda assim, Roberta estava orgulhosa da reação da pequena, uma compensação pela frustração da fuga mal feita.
As árvores de ambos os lados do caminho eram enormes, forneciam sombras e proteção contra o sol e outras coisas que poderiam acontecer. Uma casinha logo foi avistada e Alice correu para entrar, a casinha tinha uma varanda aconchegante e uma mesinha com quatro cadeiras.
— Vão para a banheira, vocês estão muito sujas. — Roberta falou, ela ignorava a própria sujeira em seu corpo, pois para ela não significava nada.
— Tá bem, mãe. — Alice falou correndo em direção ao banheiro.
— Vai lá com sua irmã. — Roberta falou para a filha que estava de pé com o rosto rígido, a pequena apenas olhava a mão sem demonstrar o que estava pensando. — Eu já vou dá banho em vocês. —
Laisa e Alice estavam na banheira, Roberta Passava o shampoo nos cabelos da mais velha, ela estava sentada fora da banheiro enquanto as filhas aproveitavam o banho. Alice brincava com as bolhas, soprando para elas voarem o mais longe possível, mas sua irmã estava quieta e pensativa.
— Vocês passaram direto pelo esconderijo. — Comentou Roberta tirando uma folha que ainda estava no cabelo da filha.
— Desculpe, eu não lembrei do lugar exato, acabei levando a gente mais longe do que deveria. — A irmã mais velha falou olhando seu reflexo na água. — Desculpe. —
— Está tudo bem, mas tente ter mais atenção da próxima. — Roberta notou o tom triste da filha, ela sempre notava, porem, raramente falava a respeito. — Vocês nunca devem esquecer onde os esconderijos ficam. —
— Eu não gosto dessa brincadeira, mamãe. — Alice comentou com a voz inocentes de uma criança que não entende o que acontece a sua volta. — A gente pode brincar de outra coisa amanhã? — Perguntou soprando bolhas em direção a irmã.
— Claro, amanhã brincamos de subir em árvores. Quem subir mais alto escolhe o jantar. — Roberta respondeu sorrindo.
Alice terminou seu banho e Roberta a levou para o quarto, mas Laisa continuou na banheiro pois estava mais cansada que a caçula. Roberta permaneceu com a filha limpando e enxaguando a menina.
— Você está chateada? — Pergunta jogando água nos cabelos ondulados da filha mais velha.
— Por que temos que brincar disso? A Alice ficou assustada de verdade. — Perguntou olhando a mãe.
— Não era minha intensão, eu só queria que vocês tivessem mais contato com a natureza. — Explicou pegando uma toalha. — Você ficou com medo de mim? — Ela cobriu a filha com uma toalha vermelha e colocou outra em seu cabelo.
Laisa nada respondeu, ela tinha medo da mãe? Naquele momento em que a viu segurando sua irmã como uma refém ela sentiu medo e… alguma outra coisa. Ela sentiu raiva, quis partir para cima da mãe e salvar sua irmã como se ela fosse sua inimiga. Mas tirando aquele momento em que as brincadeiras eram mais intensas, ela sentia medo da mãe? Não sabia responder.
— Vai se vestir, é minha fez de tomar banho. — Beijou a testa da filha e fechou a porta após ela sair.
Na hora do jantar a TV estava ligada enquanto a mulher servia uma sopa de legumes de seu próprio quintal e um pouco de carne. As meninas tinham as colheres em mãos e um sorriso largos os pequenos ferimentos em seus braços já estavam tratados com álcool e tomadas. Na TV uma notícia a respeito de uma senadora entrava no ar.
“A senadora, Ana Zarata, comemora a maior bancada de Aquabissais da história e manda recado para adversá…”
A TV foi desligada por Roberta que sentou a mesa visivelmente incomodada. As irmãs notaram a mudança da mãe, mas apenas se olharam para confirmar que havia notado a mesma coisa e voltaram a tomar sua sopa.
— Laisa, Alice, eu vou dizer uma coisa que vocês precisam prestar atenção. — A mulher anunciou e as meninas voltaram sua atenção a mãe. — Nós vivemos em um mundo que esquece de tudo com a mesma facilidade que respira; então nós, como uma família única, não podemos esquecer. Guardar nossas memórias é um privilégio, nunca se esqueçam disso. — Roberta olhava diretamente para Laisa. — Você entende, filha? Não esqueça. —
Aquelas palavras se repetiam na mesma de Laisa a ponto de deixa-la tonta, a menina fechou os olhos enquanto a sua volta tudo girava, quando voltou a abrir se deparou com uma linda e jovem mulher de cabelos negros cacheados. Era muito diferente de sua mãe e isso era um alívio para ela.
— Bom dia. — A voz baixa de Daniela soou como uma doce melodia nos ouvidos de Laisa.
— Bom dia, amor. — A mulher abriu um singelo sorriso. — A quanto tempo tá acordada? —
— Bastante. — Respondeu olhando sua esposa com um sorriso apaixonado.
— E ficou me olhando esse tempo todo? — Indagou coçando os olhos.
— Você sabe que meu dia só começa quando você abre os olhos. — Daniela segurou uma mexa de cabelos negros da amada e a colocou atrás de sua orelha.
— Que exagero da sua parte. — Laisa pegou a mão da amada e beijou. A pele marrom era tão macia como algodão e tinha um cheiro agradável.
— Não é exagero, você é o sol que ilumina meus dias, meu sol particular. — O comentário da mulher fez sua esposa sorrir.
— Se eu sou o seu sol, você é meu céu. Sem você eu não brilho, sem você não importa estar viva. — O comentário de Laisa fez a mulher corar.
— Boba. — A mulher respondeu. — Você teve um pesadelo? Estava murmurando e fazendo uma careta enquanto dormia. —
— Está mais para uma lembrança. — Laisa se recompôs em seu lado da cama, ela deitou de barriga para cima e contemplou o teto.
— Quer falar sobre isso? —
— Sonhei com a minha infância, quando minha mãe obrigada eu e minha irmã a fazer buracos na terra para nos esconder. — Respondeu lembrando de algumas situações em que fazia tais buracos.
— Por que ela fazia isso? — Perguntou Daniela olhando a esposa com gentileza e curiosidade.
— Era uma brincadeira. Nós passávamos um dia cavando após a escola e no dia seguinte ela corria atrás da gente para nós pegar, mas se a gente conseguisse se esconder no esconderijo, vencíamos. — Ela gesticulava enquanto respondia, as lembranças da época vinham a tona conforme ela falava e até sentiu saudade da época. Mas saudade de que?
— E o que vocês ganhavam? — Daniela estava curiosa com a tal brincadeira.
— Qualquer coisa que quiséssemos desde escolher o que íamos comer até viajar ou comprar brinquedos. —
— Parece que sua mãe era divertida. — Comentou sorrindo para a amada.
— Tá mais pra maluca, mas entendo de onde vem seu pensamento. Você cresceu na cidade. — Laisa sentou na cama. — Vou fazer o café. —
— Eu ajudo. — Daniela tirou os lençóis de seu corpo.
— Nem pense nisso, você ainda está se recuperando. — Ela segurou a esposa a impedindo de sair da cama.
— Você não pensou nisso ontem a noite. — Comentou a mulher fazendo um bico em reprovação a atitude da amada.
— Primeiro: são duas cosias diferentes, segundo: Nós não fizemos nada, mulher. — Laisa de um selinho na namorada indo até a porta.
— Por que você não quis. —
Um travesseiro voou em direção a porta, mas a mulher a fechou antes de sair. Daniela sorriu da esposa, amava todo o cuidado que sua amada depositava em si e agradecia ter tido coragem de chama-la para sair na faculdade.
Quando Laisa retornou para o quarto trazia consigo uma bandeja com guloseimas para saciar a fome de sua amada esposa. Sentara juntas para o desjejum e Daniela ligou a TV para saber as últimas noticias do pais.
“Nesta manhã as tropas especiais iniciaram uma operação para prender membros de facções que ameaçavam o governo. As TEs apreenderam armas, cartazes ofensivos contra nosso amado presidente. Além disso, os integrantes também revelaram a intenção de sequestrar ministros e o próprio presidente, os criminosos foram levados as prisões especiais onde irão esperar o julgamento. Esperamos que as autoridades façam sua competência e mantenha esses traidores da pátria atrás das grades pelo resto de suas vidas. Alguns criminosos conseguiram fugir, mas as TEs estão no encalço dos meliantes.”
— Já chega. — Laisa falou desligando a televisão. — Esses caras tem noção de que só estão piorando nossa situação? — Comentou apontando a TV.
— Acho que eles estão cansados de esperar melhorias para nós. — Daniela comentou.
— É, mas tomar essas decisões dará aos aquabissais mais motivos para nós querer longe. —
— Deixa isso pra lá, vamos levantar, amanhã você viaja e temos que arrumar suas malas hoje. — Daniela falou segurando uma colher com mamão. — Para que horas seu voo tá marcado? —
— O voo e só as nove, temos tempo. — a mais alta tomou um generoso gole de café.
— Quanto tempo vai ficar lá? — Perguntou Daniela sentada de frente para a esposa.
— Provavelmente eu estarei de volta no próximo sábado. Não quero passar o domingo longe de você. — Deu um beijo na bochecha da companheiro enquanto pegava um pedaço de bolo. — Só quero ter certeza de que minha irmã está bem e conversar com ela. — Informou e chamando a atenção da esposa.
— Vai tentar convence-la a vir com você, não vai?! — Sorriu imaginando a conversa entre as irmãs. — Nem adianta negar, eu sei que é isso. — Falou antes que a esposa tivesse chance de retrucar.
— Qual o problema de eu querer minha irmã perto de mim? — Questionou após colocar a xícara de café sobre a mesa. — Ela está quase terminando a faculdade, porque não pode vir morar com a gente? — Seu rosto transparecia frustração.
— Talvez ela goste de lá. — Argumentou pegando a xícara de café. — Além do mais ela é jovem e quer viver a própria vida, ter suas próprias conquistas invés de viver na sombra das suas. — Constatou levando a xícara aos lábios e soprando para esfriar o líquido.
— Mas ela terá suas conquistas, eu só quero ela perto para ter certeza de que estará bem. — Falou com tristeza ao lembrar as imagens que apareceram no jornal.
— Está preocupada que essa onda violência chegue até ela? —Indagou notando o olhar da esposa para a tela.
— Como poderia não estar? Parece que o mundo virou do avesso. — Terminou de tomar o café. — Pelo menos aqui eu estaria por perto para cuidar dela. —
— Ela vai ficar bem, meu amor. — Daniela tocou a mão de Laisa. — Afinal vocês duas são corajosas e muito fortes. — Sorriu de forma a encorajar a confiança da esposa.
— De qualquer forma eu tentarei. — Baixou o olhar.
— Está bem, mas tente não ser muito agressiva em sua abordagem. — Aconselhou — Lamento não poder ir com você. — Lamentou apertando mão de Laisa.
— Não se preocupe com isso, você tem que cuidar da sua saúde e uma viagem não ajudaria nisso. — Se inclinou dando um beijo nos lábios da esposa. — Eu vou sair para comprar seus remédios e algumas coisas que vou precisar. — Levantou indo pegar um casaco. — Volto logo, mas tranque bem as portas. Um desses procurados pode querer se esconder aqui. — Alertou dando um beijo no topo da cabeça de Daniela.
— Pode deixar, amor. — Falou continuando a tomar seu café.
Na rua Laisa estava distraída com sua lista de compras e não notava a enorme quantidade de cartazes contra o governo espalhados pelos muros, paredes e postes, nem mesmo os carros militares na rua lhe chamavam atenção. Ela entrou em uma farmácia e finalmente se deu ao trabalho de olhar ao seu redor apenas para ver os clientes a olharem estranho. Dentro do estabelecimento estavam varios aquabissais, eles tinham um pequeno aparelho do lado direito da cabeça que os hidratava para manter suas escamas sempre molhadas, o olhar do aquabissais era sempre assustador. Seus olhos grandes e negros pareciam penetrar a mente de quem quer que estivesse os olhando.
— Desculpe, mas não atendemos humanos aqui. — A atendente falou forçando uma educação.
Laisa então desviou o olhos para um cartas ao lado e viu escrito uma mensagem que dizia: estabelecimento destinado a aquabissais, humanos não serão atendidos a menos que estejam que seja um caso de vida ou morte. Acima da placa havia um cartaz indicando que humanos não podiam entrar.
— Desculpe. — Ela saiu do local o mais rápido possível para evitar problemas.
Laisa saiu procurando uma farmácia onde poderia fazer suas compras sem incomodar ou ser incomodada por outras pessoas, demorou um pouco, mas conseguiu após alguns minutos. Ao voltar para casa entregou os remédios a esposa, mas não falou sobre o incidente da primeira farmácia para evitar preocupar a esposa. O dia foi destinado a arrumar as malas e organizar o cronograma dos remédios para que nenhum faltasse. Na manhã seguinte o casal levantou cedo para a viajem e dessa vez Daniela se forçou a levantar mais cedo para fazer o café da esposa.
— Bom dia, meu amor! — Falou entrando no quarto com uma bandeja em mãos. — Que bom que já acordou. — Sentou na cama.
— Bom dia. — Respondeu esfregando os olhos ainda sonolenta. — Café da manhã na cama?! — Olhou a bandeja com um sorriso gentil. — Já pedi pra não se esforçar enquanto se recupera. —
— Já que ficaremos uma semana sem nos vermos é justo eu fazer um mimo pra você. — Deu um selinho e depois pegou uma uva levando-a a boca da esposa.
— Acho que devo viajar mais vezes. — Brincou se aproximando de Daniela e a beijando.
— Não precisa disso pra ser bem tratada, meu amor. — Ela retribuiu o beijo que ficou levemente mais intenso. — Para! — Pediu dando tapinhas leves nos braços da morena. — Se não pararmos você vai se atrasar. — Se afastou contrariando sua própria vontade.
— Está bem. — Laisa se afastou. — Vamos tomar o café. — Falou e a morena de olhos verdes sentou ao seu lado.
Laisa ligou a TV que estava a sua frente e mais uma vez notícias de prisões eram o foco do jornal, aquele era um jornal de um canal de transmissão destinado a humanos, eram os únicos que o casal acompanhava. As manchetes denunciavam a intensa violência promovida pelas forças especiais contra os manifestantes, juntamente com as prisões os âncoras e comentaristas chamavam atenção para a aprovação de uma nova lei que dava aos aquabissais ainda mais poder, eles já eram maioria no parlamento e já estava difícil conter seus avanços de poder.
— Já chega! Desligar TV. — Daniela falou e o aparelho desligou. — Já vimos notícias ruins o bastante nós últimos dias. — Aconchegou-se nos braços de sua mulher.
— Falei com sua irmã, nós poderíamos sair do país por um tempo. — Laisa fazia carinho nos cabelos da menor. — Talvez quando as coisas se acalmarem um pouco. —
— Deveríamos ir o mais rápido possível, eu não acho que as coisas vão melhorar tão cedo. — Seu tom de voz era triste e ela se encolheu. — Poderíamos ir para a China, a reunificada Coreia, Japão ou até mesmo a Inglaterra. —
— Você está certa, se Alice aceitar podemos ir logo que ela se formar. — Concordou. — Vou tomar banho ou vou me atrasar. — Beijou a testa de sua amada. — Você vem? —
— Como posso resistir a um convite desses? — Daniela respondeu mordendo o lábio inferior.
Após tomarem banho juntas as mulheres pedem um táxi que levará as duas para a casa dos pais de Daniela pois ela ficará com eles até que a esposa retorne por conta de sua saúde e principalmente por causa da violência crescente. As mulheres digitaram o interesso e a máquina tratou de leva-las ao seu endereço, a casa, ou melhor a mansão, ficava fora da cidade, levou alguns minutos chegarem e logo que o carro parou elas poderiam ver um casal mais velho formado por um homem negro de cabelos grisalhos, uma mulher branca com os cabelos tingidos presos em um coque elegante e junto a eles uma mulher de pele parda e cabelos escuros que parecia mais velha que Daniela.
— Papai, mamãe! — Daniela abraçou os pais cheia de saudade. — Camila. — Abraçou também a irmã com força. — Desculpem dar esse trabalho a vocês. — Falou ficando ao lado da irmã enquanto Laisa tirava as malas da esposa.
— Não é trabalho querida, você sempre terá um lugar em nossa casa. Vocês duas. — Camila apertou o braço da irmã. — Oi Laisa. — Foi até a cunhada para ajuda-la.
— Olá! — Respondeu sorrindo. — Alberto, como está? — Estendeu a mão para o homem e ele a apertou.
— Estou bem, filha. — O homem respondeu com um sorriso que deixava evidente suas rugas. — Somente aquelas dores da velhice que me atormentam. — Acrescentou largando a mão da nora.
— O senhor ainda é jovem, não esqueça que antes um homem de 105 anos mal andava sozinho. — Sorriu genuinamente para o sogro que sempre se mostrou muito amigável com ela.
— Isso mesmo papai : O senhor é jovem e tem muito o que viver. — Daniela abraçou o homem.
—Olá, Margarete. — Laisa estendeu a mão para a sogra que se recusou a aperta-la. — Educada como sempre, pelo jeito. — Recolheu a mão sem qualquer surpresa ou constrangimento, ela já estava acostumada com a sogra sendo rude e levava tudo com humor.
— Está cuidando bem de minha filha após a cirurgia. — A mulher levantou a sobrancelha deixando sua postura ainda mais elegante imponente.
— Claro. Estou cuidando muito bem dela apesar dos meus recursos limitados. — Retrucou em tom de deboche.
— Olha aqui... — Margarete saiu de sua pose.
— Mãe já chega. — Daniela se pós entre as duas. — Laisa cuida muito bem de mim e você sabe bem disso. — Alterou levemente a voz para um tom mais incisivo.
Daniela olhou para a esposa a repreendendo com o olhar, não era novidade para ninguém a inimizade entre sogra e nora, a troca de farpas entre elas eram comuns, mas elas sempre paravam com um pedido da menor.
— Vamos entrar. — Segurou o braço da esposa.
— Vão na frente, eu levo as malas. — Laisa pegou as malas enquanto sua esposa entrou segurando no braço de seu pai.
— Daniela, pega os remédios para a dor nas costas do papai? Eu vou falar com a Lai. — Camila segurou o braço da cunhada e a puxou para fora.
— O que foi? — A morena perguntou se soltando.
— Estive falando com meus pais sobre sairmos do país, eles concordam em irmos para um dos países onde a entrada de aquabissais ainda é proibida. — Cruzou os braços enquanto caminhava pelo jardim. — Outro dia prenderam o dono do hospital concorrente ao da minha família por dar abrigo aos rebeldes. — Informou.
— Eu concordo com você, mas não posso ir sem minha irmã. — Afirmou suspirando pesadamente.
— Tente convencê-la, esse país não é mais seguro para humanos. — Olhou para a cunhada com preocupação.
— Vou fazer o possível. — Falou comprometida a convencer a irmã.
— Sobre o que vocês estão falando? — Daniela se juntou as duas e abraçou a esposa.
— Estamos falando sobre viagens, irmãzinha. — Tentou não entrar em detalhes pois não queria deixar a irmã preocupada, já era muito ela ter de cuidar de sua saúde depois da cirurgia que fez.
— Vou deixar você se despedir de sua mulher. — Falou em tom sugestivo. — Boa viagem, Laisa. — Abraçou a cunhada e voltou para dentro da mansão.
— Então vocês estavam falando sobre viagens mesmo? — Colocou os braços em volta do pescoço da esposa.
— Sim. — Laisa segurou na cintura de Daniela. — Não era nada demais. — Beijou a testa da menor. — Será que a empresa espera a gente se despedir adequadamente. — Falou beijando a bochecha da esposa.
— Estou pagando um extra para esperarem você, então não se preocupe. — A menos acalmou a esposa sobre a questão. — Já estou morrendo de saudade. —
— Vai ser apenas uma semana, amor. — Laisa fez carinho no rosto da amada.
— Esperarei ansiosamente seu retorno. — Daniela beijou a esposa com paixão.
— Antes que sinta minha falta eu estarei de volta. — Apertou mais a amada entre seus braços. — O que foi amor. — Questionou ao sentir Daniela a apertar com mais força.
— Não sei, eu só... tive uma sensação ruim de repente. — Escondeu o rosto na volta do pescoço da esposa — Promete voltar pra mim o mais rápido possível? —
— Prometo. — A mais alta prometeu retribuindo o aperto. — Eu tenho que ir. — Falou ao sentir seu celular vibrar lembrando do horário.
— Está bem. — Se afasta dando um pouco de espaço. — Eu te amo. — Os olhos de Daniela estavam levemente marejados, mas nem ela sabia dizer o motivo.
— Eu também te amo. — Um beijo rápido selou a despedia.
A humanidade sempre caminhou com otimismo em direção ao futuro, mas, quando o futuro chegou, a única coisa que a humanidade viu foi sua derrocada. Laisa, uma mulher que precisou ser forte desde criança, se vê tomando parte em um conflito mortal para a vida das pessoas que mais amou. Cada decisão tem um custo, cada custo torna a jornada mais difícil. Será possível viver em um mundo que já te descartou?!
Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.
Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.
Adquira Relíquias do Livro como colaboração ao autor e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!
Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.
Nenhuma posse foi registrada publicamente para esta edição.
Durante a leitura, abra Menu para ajustar a experiência sem sair do capítulo. As preferências de aparência ficam salvas neste aparelho.
Recursos identificados como “em preparo” aparecem para antecipar a evolução do leitor, mas ainda não executam uma ação.