Universo da obra
Universo da obra

Veja uma prévia da diagramação do E-book no meu site:
https://www.camiomilla.com.br/verdade-eterya
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Esse conto contém representação gráfica de feridas/sangramento e elementos não gráficos de terror corporal. Não recomendado para menores de 14 anos.

“Suas palavras na minha cabeça
Facas no meu coração
Você me fortalece e então eu desmorono”
– Human, Christina Perri (YouTube|Deezer|Spotify)
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Há dois reinos em Etérya. O dos etéreos — ou monstros, como os humanos nos chamam — e o dos humanos — ou intrusos, como os denominamos.
Era dito que Etérya era um mundo de paz antes de os humanos chegarem. Que tudo era verdejante e brotava vida, que ninguém passava fome ou dificuldades, porque a natureza simplesmente não permitia. Era contado que os humanos machucaram a mãe Verde. Que lentamente a reduziram a quase nenhum sopro de vida, transformaram Etérya em desertos e sangue derramado em vão.
Mas eu nunca tinha entendido essas lendas muito bem: tinha uma peça do quebra-cabeça que não encaixava, e não sabia qual.
“Amor, a mãe Verde quer a terra dela de volta. Nós somos seus guardiões, protetores. Sua última salvação”, me lembro da voz de mamãe no meu ouvido por todos esses anos. Que discurso heroico, não? Bonito, talvez você esteja pensando. Porém, tinha alguma coisa ali, um quadro torto em meio a uma casa alinhadamente arrumada.
No dia 51 do quinquagésimo verão de Etérya, poucas semanas atrás, eu descobri.
“Mãe, se a mãe Verde merece salvação, por que os intrusos também não?”, perguntei depois de ela me contar a história pela enésima vez.
Foi estranho. Sua pele azul começou a inchar, como se houvesse bolhas saltando dentro dela.
“Nem pense nisso, Ariella! Os intrusos matam. O pior tipo de morte: eles mesmos”, ela parecia... brava? Não era costume dela ficar assim.
Eu não entendi. Nem sua reação, nem o que ela quis dizer com isso.
“Mas você quer matá-los também, não, mãe? Como eles matarem pode justificar você matá-los, se isso implica em alguém querer te matar por você ter matado também? Assim, ninguém sobrevive, mãe.”
Ela cresceu em massa, bolhas e bolhas maiores violetas. Aquela visão me apavorou; ela parecia literalmente prestes a estourar, como uma bexiga macabra.
“Mãe, o que tá acontecendo? A senhora está bem?”, uma lágrima fria percorria meu rosto.“Isso não vai acontecer! Porque não vou deixar que ninguém me mate!”
Plop.
As lágrimas ficaram gélidas como cubos de gelo ardentes. Me passaram calafrios, congelaram meu coração para torná-lo quebradiço e o partirem em pedaços.
“Mãe…”
Havia um buraco no meu peito, uma cova cavada no fundo dele.
“Ma-ma-mãe, mamãe!”, eu fungava descontroladamente. “Não me deixe!”
“Pai! Pai! Pai!”, saí gritando. “A mamãe explodiu.”
Leitor, desculpe pela menção nada agradável.
Quatro dias depois, fui posta em julgamento por assassinato pelo conselho de anciões. Por mais que, de fato, eu não a tenha matado, eles me consideraram a responsável. Porém, notei que a razão por trás de tudo era eu não trazer mais problemas. Não questionar. Questionar matou a minha mãe, e eu só me perguntava: por quê?
Eles me deseterizaram, não poderia mais mudar de forma e ser o que quisesse, sentir o sutil formigamento da transmutação, criar a partir do meu corpo. Nada: tiraram meu éter. E isso latejava na cova cada vez maior do meu peito. “Me tornaram humana”, cuspia as palavras. Minha pele roxa adquiriu tom marrom, perdi meus espinhos, meus braços e pernas encolheram, meus músculos atrofiaram, perdi velocidade. Eu estava diferente. Minha imagem não era mais a mesma no espelho; o corpo meu não parecia meu.
Mas o pior não era tudo isso, por mais que doesse e me confundisse, me fizesse ter uma crise existencial por não poder me encontrar mais, por perder partes de mim. O pior era ser exilada. Não bastava simplesmente eu não ver mais minha mãe: eram meu pai, meus avós, meus tios, meus primos, meus amigos, minha casa, minha cultura. Tudo foi arrancado de mim. Os rostos conhecidos, que nunca mais seriam vistos, sobrevoavam minha cabeça.
Só pude despedir-me do meu pai. Dei um abraço do tamanho do mundo nele, porque queria que a sensação de meus braços ao redor dos dele durasse para sempre.
"Você precisa aprender a ser humana. Eu te amo, Ari, nunca vou te esquecer", foi a última coisa que ele me disse.
Quando Ariella é exilada do Reino dos Etéreos e se torna humana, seu mundo parece desabar, mas isso pode trazer as respostas que ela tanto almeja. A verdade é um caminho árduo. Como podemos defini-la com certeza quando ela vem da boca de outras pessoas?
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Essa obra se trata de um conto, por isso não possui a extensão de um livro comum.
Aviso de conteúdo: Representação gráfica de feridas/sangramento e elementos não gráficos de terror corporal. Não recomendado para menores de 14 anos.
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