Estamos vivendo um momento histórico da democracia burguesa que os livros de conhecimento embranquecido não vão contar. É um misto de sentimentos que vai da fome de justiça à vulnerabilidade coletiva. Mas estou aqui para dizer, mais tarde, como foi a nossa verdadeira luta: a descolonização do processo histórico do nosso país. Afinal, a extrema-direita se baseia no ódio e no extermínio; e o neoliberalismo é totalitário (um câncer).
Para quem sobrevive todos os dias, posicionar-se é uma questão de limite e de autenticidade. Correr riscos não é uma escolha: é uma constante na pele de uma mulher afro-brasileira, escritora, periférica e espiritualista. Cheguei a me identificar como apartidária, mas percebi nos meus textos atos políticos — e não partidários (pois uma coisa não tem a ver com a outra). Através do letramento racial, aos 43 anos, me percebi de centro-esquerda conservadora, moderna e progressista.
Estou e estarei sempre do lado da justiça, do discernimento, da liberdade humana e do trabalhador. E, para quem tenta apagar a nossa existência e a nossa alma, a resposta é o não alinhamento e a firmeza nos nossos passos.
A história está sendo escrita por nós, no presente. E é uma honra fazer parte desta escrita.