Antes da primeira assinatura, o nome chega pronto. Está na chamada da escola, na etiqueta costurada à roupa e na voz de quem decidiu como a criança seria chamada. Em A Mulher que me Deu o Nome, essa palavra recebida carrega afeto e também expectativa.
A mão infantil copia as letras devagar. O primeiro traço fica grande, o seguinte aperta o espaço, e o lápis precisa voltar para corrigir uma curva. Quando termina, a folha mostra algo que ninguém poderia escrever exatamente do mesmo modo.
Ana Figueira Campos aproxima alfabetização e pertencimento sem transformar a assinatura em símbolo vazio. Escrever o próprio nome permite reconhecer documentos, ocupar uma linha e responder por uma escolha. A história familiar permanece na palavra; o gesto passa a pertencer a quem segura o lápis.
Texto da revista Familiar, em diálogo com A Mulher que me Deu o Nome.