Caravela
à deriva,
que gostaria
de ser porto.
De dia,
sou todos;
à noite,
sou só.
O tempo sopra,
as praias passam.
Do convés,
invejo os náufragos.
Do convés,
fantasio o mergulho
o incendiar do barco
e fazer amor com a terra-firme.
Mas a praia passa.
O tempo sopra.
Restam as estrelas em mim.
O sonho da praia
não me abandonará.
Na praia do sonho,
o náufrago sou eu.
Água, areia
e céu estrelado.
Sem tempo para soprar.
Alberto Busquets.
@todasasformasdepoesia
Publicado originalmente na e-Revista Literúnico em 19/05/2024. A página antiga registra a data sem horário.