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Sonhei-me jardim.

Arquivo da e-Revista · Alberto Busquets

avatar por Alberto Knobbe Busquets
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Sonhei-me jardim.

Ode à botânica entropia,

Terra úmida de loucuras-ideias.

Ora brotei grama, ora cresci árvore,

Criei raízes que voaram para outras terras.

Paciente, derrubei cercas

Transbordando livreverde

Minha lida.

Por vezes caí fruto, aprendendo

A transmutar pequenas mortes

Em sementes de vida.

As flores são poucas (e caras a mim);

Mas, mesmo libertas,

Deixam as lembranças de seu

Desabrochar...

Banhado na chuva noturna,

Aninhado ao perfume

da Rosa e Jasmim,

Sonhei-me jardim

E percebi-me bêbado de orvalho

Em cada pétala que aguarda

O dia chegar.

Deitei-me jardim em mim mesmo

E plantei uns punhados de rimas

Aguardando suas sombras-poesia

Para as tardes quentes de janeiro:

Sonhei-me jardim,

Acordei jardineiro.

Poema do livro Versos, Anversos & Antiversos: Ano 4, N. 2 (2023) - Disponível gratuitamente


Publicado originalmente na e-Revista Literúnico em 07/07/2024. A página antiga registra a data sem horário.

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