Sonhei-me jardim.
Ode à botânica entropia,
Terra úmida de loucuras-ideias.
Ora brotei grama, ora cresci árvore,
Criei raízes que voaram para outras terras.
Paciente, derrubei cercas
Transbordando livreverde
Minha lida.
Por vezes caí fruto, aprendendo
A transmutar pequenas mortes
Em sementes de vida.
As flores são poucas (e caras a mim);
Mas, mesmo libertas,
Deixam as lembranças de seu
Desabrochar...
Banhado na chuva noturna,
Aninhado ao perfume
da Rosa e Jasmim,
Sonhei-me jardim
E percebi-me bêbado de orvalho
Em cada pétala que aguarda
O dia chegar.
Deitei-me jardim em mim mesmo
E plantei uns punhados de rimas
Aguardando suas sombras-poesia
Para as tardes quentes de janeiro:
Sonhei-me jardim,
Acordei jardineiro.
Poema do livro Versos, Anversos & Antiversos: Ano 4, N. 2 (2023) - Disponível gratuitamente
Publicado originalmente na e-Revista Literúnico em 07/07/2024. A página antiga registra a data sem horário.