Hoje parei para escrever
sobre um balão no céu
que a moça distraída
deixou escapar
Ele subiu devagar
até desaparecer entre as nuvens
que se desfaziam lentamente
Pensei que talvez fosse chover
mas o sol, indiferente, ainda estava lá
Ouvi os pássaros cantando
mas até eles pareciam distantes
O balão se foi
como tantas outras coisas
que se perdem pelo caminho
sem que a gente perceba
E no fim de tanto sentir
acabei sem escrever nada
destinada a deixar
as palavras também escaparem
de mim.
Publicado originalmente na e-Revista Literúnico em 17/09/2024. A página antiga registra a data sem horário.