Solto palavras
que escorrem pelo chão
Escuto o vento
tentando entrar pelas janelas
Dou a mim mesmo a permissão
de abrir a porta quando desejar
Fecho se for necessário
Existo como o solo
floresço como a água
levando fragmentos
deixando lembranças.
E, no silêncio da casa
sinto o tempo passar devagar
As paredes guardam histórias
e o chão conhece meus passos.
Não tenho pressa
O que sou, vai comigo
Entre o que fica e o que vai
permaneço.
Desconstruo as lembranças antigas
peça por peça
para abrir espaço ao novo.
O que antes era imagem clara
agora se dissolve
como areia no vento
(ainda dói, é bem verdade)
mas, aos poucos, deixo
que outras memórias tomem forma
trazendo cores e sons diferentes.
O que se foi, não pesa tanto mais
e prepara o terreno
para o que vai chegar
espero.
@calorliterario_
🩵
Publicado originalmente na e-Revista Literúnico em 01/10/2024. A página antiga registra a data sem horário.