As cartas que não escrevi
Estão guardadas na minha memória
E entre lapsos, as releio
No castelo rodeado de gelo
Que se fez em meu coração
Quando percebi
Que nunca teria a recíproca
Daquele amor.
E então, a vida me apequenou
Eu me encontrei desolada
Morando naquele castelo
Gelada por dentro
Com as emoções
Em turbilhão
Sofrimento em um dia
E no outro
A libertação
De saber que haviam flores
Florindo por entre o gelo
Que derretendo, em algum momento
Mostrou-me, com todo o alento
Que a vida e o amor, vivia dentro de mim
Que era a mim que eu deveria
Amar com toda alegria
E aqui, até o momento, é tudo que eu tenho feito.
A soma de tudo que descobri, dentro,
Era que a intensidade de mim mesma, era a coisa mais preciosa
Que me preencheria, por anos à fio
Até que alguém me encontrasse e quisesse amar essa completude.
E ele me encontrou, mas não me viu como metade, me viu inteira e me amou. E me ama.
Encontrei meu eco e ele ecoou em mim.
Eliz Leão
Publicado originalmente na e-Revista Literúnico em 10/06/2024. A página antiga registra a data sem horário.