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Da minha janela observo

Arquivo da e-Revista · Ju Naiane

avatar por Jusley Naiane
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Da minha janela observo

Uma pequena flor delicada

Pisoteada pela vida a murchar

Abandonada no sol a secar

No calor de uma dura calçada

Em um dia seco e árido.

Não há esperança para aquela flor

A vida é dura e os dias difíceis

Mas ela luta e ainda resiste

Com as suas fracas raízes

Ao relento apesar da dor.

Consigo ouvir daqui seu lamento

Por não nascer naquele jardim

Entre as rosas e o lindo Jasmim

Onde a grama é sempre mais verde

Onde as flores estão bem plantadas

E com todo amor são cuidadas

Pelo jardineiro sempre regadas.

Ah, que sorte tem aquelas flores

As brancas, vermelhas, amarelas

A exibir seu perfume e suas cores

Nasceram só para ser belas

Tão bem sucedidas elas

Como não iria se comparar?
Enquanto a florzinha seca

Implora ao vento que leve

Suas pequenas sementes

Que ao jardineiro as entregue

Que seu destino seja diferente

Merecem viver plenamente.

Mas não se engana a florzinha

Chegando a uma conclusão:

Nesta selva de concreto fria

os jardins são uma exceção

Pequenas flores ainda morrem

E muitas ainda secarão.

O mundo não tem mais tempo,

Ela não se ilude afinal

Estão todos sempre correndo

Escravos da sobrevivência

Seu senhor é o capital.

Jusley Naiane


Publicado originalmente na e-Revista Literúnico em 29/08/2024. A página antiga registra a data sem horário.

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