Não sou mais uma filha
Do “melhor pai do mundo”!
Não.
Meu pai, na verdade
Era só mais um homem fecundo.
Daqueles, que não planejaram.
Nem desejaram minha existência.
Um pai, que se sentia atacado,
Por ter sido “descuidado” num ato
De natural exercício de sua essência.
Apenas um homem ordinário, comum
Como qualquer outro na face da Terra.
Um homem, que foi criado para dominar
Sem se responsabilizar.
Homem que é homem com “H”
Homem se sente à vontade em abandonar.
Pois homem não foi feito pra criar.
Homem, que é assim mesmo, por natureza.
Que “precisa” demonstrar virilidade
Sem responsabilidade, como sua defesa.
E ao rebento intitula como “filho da puta”.
“Quem pariu que alimente e balance”.
Homem não engravida, é culpa da mãe.
Que ela se vire sozinha com a criança.
Bom dia, para quem é pai de verdade!
Este texto não é pra você.
Mas pra quem não é, que se exploda!
Pra não dizer de fato outra coisa.
Marge U
Publicado originalmente na e-Revista Literúnico em 12/08/2024. A página antiga registra a data sem horário.