A competência costuma ser tratada como qualidade neutra, quase sem corpo. No entanto, inteligência, precisão e segurança também podem despertar admiração e desejo. O problema não está nesse encontro, mas na expectativa de que uma mulher precise reduzir sua autoridade para se tornar afetivamente acessível. Quando o interesse aparece em um espaço profissional, limites precisam ficar ainda mais claros. Reconhecer atração não autoriza invasão, pressão ou a transformação de mérito em convite. A pessoa admirada continua tendo direito de decidir como e se deseja atravessar essa fronteira.
Há uma diferença importante entre desejar alguém pelo que ela construiu e tentar possuir aquilo que a torna forte. Uma relação adulta não pede que a competência seja suavizada para proteger o orgulho de quem se aproxima.
Competência também pode ser uma forma de desejo quando a admiração preserva a autonomia. O encontro se torna possível sem que autoridade precise virar fantasia de submissão.
Este ensaio integra a revista A Mulher que Redige as Cláusulas e dialoga com Advogada do Ano.
Publicado na revista A Mulher que Redige as Cláusulas em 12/08/2026 às 11:49.