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te vejo nas entrelinhas — Vol. 1, Nº 2 (abr./jun. 2026)

Edição completa · 51 páginas · Editora responsável: Tamara S. Fawkes

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CapaPágina 1 de 51
Página 1 da edição 2, com a composição original da revista

Vol. 1, No. 2, abr./jun. 2026 ISSN: 3086-3201

PREÇO SUGERIDO R$42,90

Revista Independente

te vejo nas entrelinhas

Poesia Cordel Conto Ensaio Põe na Estante & mais

Especial: advogada fala sobre violência contra a mulher

PÕE NA ESTANTE: o mar é uma pista de dança Assombrações do Chão Brasileiro #leitura2026

18+

Cultura Popular Brasileira

Literatura Cinema Música

Autores de todo o Brasil + convidado de Moçambique

Entrevista: Mateus Moraes fala sobre São João, música e carreira

CapaPágina 2 de 51

Vol. 1, No. 2, abr./jun. 2026 ISSN: 3086-3201

PREÇO SUGERIDO R$42,90

Revista Independente

te vejo nas entrelinhas

Poesia Cordel Conto Ensaio Põe na Estante & mais

Especial: advogada fala sobre violência contra a mulher

PÕE NA ESTANTE: o mar é uma pista de dança Assombrações do Chão Brasileiro #leitura2026

18+

Cultura Popular Brasileira

Literatura Cinema Música

Autores de todo o Brasil + convidado de Moçambique

Entrevista: Mateus Moraes fala sobre São João, música e carreira

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Expediente e índicePágina 3 de 51

ÍNDICE

EDITORIAL

POESIA

CORDEL

CONTO

ENSAIO

CAPA: ENTREVISTA

ESPECIAL Mulher

página 5

página 7

página 11 página 13 página 28 página 35 página 40

página 45 CRÍTICA COM PIPOCA

página 47 PÕE NA ESTANTE

página 48 CLASSIFICADOS

página 50 FIM: APOIA-SE

Direitos Autorais: © 2026 Revista Independente te vejo nas entrelinhas. Os textos publicados nesta edição foram devidamente autorizados pelos seus autores e encontram-se registrados no Escritório de Direitos Autorais da Fundação Biblioteca Nacional sob o protocolo nº 000984.0485162/2026 [em trâmite], para fins de proteção de Direitos Autorais. Esta publicação cumpre com o envio para Depósito Legal, nos termos da Lei nº 10.994/2004.

EXPEDIENTE:

Editora Responsável: Tamara S. Fawkes MTb/DRT: 6661/BA

Participaram desta edição: Bella C. Gomes, Eliane Prado, Kelly Pinheiro, M. G. Crave, Nasser Dos Chambenes, Noélia Dantas, Otávio Segal de Araújo, Rodrigo Souza, Roni Pereira, Tamara S. Fawkes

Endereço: Dias d’Ávila, Bahia, Brasil E-mail: revistaentrelinhass@gmail.com IG: @leioentrelinhas Sugira pautas, envie sua opinião, seja anunciante ou parceiro[a].

Revista Independente te vejo nas entrelinhas

Trimestral Vol. 1, No. 2, abr./jun. 2026 ISSN Online: 3086-3201 Disponível em: www.revistaentrelinhas.com.br

Pág. 3 Revista Independente te vejo nas entrelinhas | Vol. 1, No. 2, abr./jun. 2026

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Festa de São SebastiãoPágina 4 de 51
Página 4 da edição 2, com a composição original da revista

Festa de São Sebastião, Igatu-BA

EditorialPágina 5 de 51
Imagem da página 5 da edição 2

EDITORIAL

ABR-MAI-JUN 2026

SEJA BEM-VINDO[A] À REVISTA entrelinhas

Desta vez resolvemos abordar o mundo da Cultura Popular. Nosso país, forjado entre sangue, suor, trocas e vendas de muitas riquezas materiais, não poderia estar livre de um caldeirão de culturas misturadas. A partir das novas culturas que foram chegando ao que um dia foi Pindorama, hoje temos uma variedade de proporção continental, não apenas em tamanho geométrico, mas em abundância: daquelas que só o tempo, trazendo o esquecimento, pode apagar.

Estive em Igatu-BA, em janeiro, e qual foi a minha surpresa quando em uma das primeiras partes que dali vi, me lembrei exatamente de um outro lugar que conheci bastante em minhas férias: Banzaê-BA. Uma rua em especial, parecia parada no tempo, congelada por algum feitiço. A arquitetura com suas cores escuras parecia a mesma que eu tanto via nos anos 90. Tive outros muitos momentos de me sentir em um lugar-tempo no passado, os motivos foram vários: as casas se mantinham abertas,“portas e janelas ficam sempre abertas pra sorte entrar”, quem sabe eu tinha morrido e ainda não havia percebido? Eu hein...

Dentro das casas, era impossível não olhar, móveis do passado, dos anos 2000. TVs cinza de tubo que eram modernas, substituindo as pretas dos anos 90. O piso de cimento queimado, ou lajotas, dominava. As estantes ou rackes eram amarelos ou aquele vinho escuro, ninguém parecia ter trocado seus móveis, seus eletros nem aprendido a fechar suas casas. Eu realmente podia estar morta e aquele lugar me servir de entendimento da ocasião. E por falar nisso, há pouco terminei a última temporada disponível da série “Origem”, vou deixar esta semente aqui.

Dormi duas noites, comi um almoço comunitário, onde cada pessoa precisava levar seu prato e seu talher, isso era muito importante; nossa guia [eu estava acompanhada do meu noivo] nos cedeu o equipamento necessário, mais tarde entendi que o almoço se tratava de uma comida de santo, o pagamento de um promessa, após receber uma graça pedida a São Sebastião. Ah, nossa cultura... Ouvi forró, MPB e músicas que não conheço através de um cantor goiano que estava de passagem, fiquei hospedada em uma casa de 1934, que o dono mal aparecia e a comunicação era feita por recados deixados escritos à mão ou falados por vizinhos. Esse lugar não pode existir. Não em 2026! Fui a um bar que era exatamente como os bares que também eram mercearias e eu vivia comprando doces, cigarros, tubaína. Nossa guia foi indicada por um par de crianças que estavam "olhando" a loja da mãe de uma delas. Apesar de toda essa loucura nolstálgica, havia wi-fi em toda a cidade, nos bares, na hospedagem, nas praças. Um erro na matrix. Não são coisas, que juntas, se tornam esquisitas?

Depois de sair de Mucugê sabendo sobre avistamentos e contato com alienígenas [inclusive tinha saído um documentário sobre o ET de Varginha pouco antes], chegar a uma cidade minúscula, após descer uma serra enorme e me deparar com um cenário de outros tempos, só nos restava aproveitar a experiência, fosse de ilusão ou não. A cidade, pelo que eu soube, só tem

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EditorialPágina 6 de 51
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Imagem da página 6 da edição 2

EDITORIAL ABR-MAI-JUN 2026

uma única padaria. O pão é maravilhoso, trouxe um estoque para casa. As pessoas se conhecem e confiam na comunidade que formaram. Um ajuda o outro sem ganância nem má vontade, ao menos foi o que vimos em 3 dias. Conhecemos também, ao seguir uma rua procurando seu fim, um cemitério no estilo bizantino, completamente do nada ele apareceu entre árvores gigantes e suas barbas caídas. Eram gigantes mesmo. Enormes eucaliptos com troncos que pareciam ter centenas de anos. As raízes também eram imensas.

Uma igreja, seu cemitério de um lado, um sítio do outro e outra parte do cemitério em frente. O portão aberto permitiu que um trilheiro passasse, é caminho para escalada e rio. Não tivemos tanta coragem de aceitar o convite amistoso. Não íamos abusar da sorte. De volta à igreja, vimos lápides de nascidos em 1800. A maioria das pessoas que viveram naquele lugar morreram aos 90 e poucos anos, alguns com 100 anos ou mais, mesmo os mortos de 2010- 2025. Um choque. Bom, quem sabe no próximo número, eu trago uma história inspirada neste lugar? E por falar nisso, o filme brasileiro "O Filho de Mil Homens" foi gravado lá. Caso eu realmente tenha voltado para casa e esteja escrevendo isso aqui e você lendo daí, nos vemos em breve. Por enquanto, deixo as fotos que fiz durante a Procissão de São Sebastião em Igatu, em janeiro de 2026.

Na entrelinhas você vai encontrar Poesia, Cordel, Composição, Crítica, Conto e Entrevista especial [sempre]. De vez em quando seremos surpreendidos com alguma criação fora da lista oficial de editorias. Convido você, artista independente, de todas as áreas, a participar ativamente clicando nas palavras sublinhadas, pois são links, e conhecer mais sobre os autores de cada obra. Agradeço aos artistas que fizeram parte desta edição. Sem vocês este número não existiria fora do campo das ideias. Boa leitura.

Editora-chefe Tamara S. Fawkes • tamarasfawkes@gmail.com

Arquivo Pessoal

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PoesiaPágina 7 de 51
Página 7 da edição 2, com a composição original da revista

POESIA

PoesiaPágina 8 de 51

8

POESIA

POESIA INDEPENDENTE

A SINA

Agouros anuncia

A coruja maldita

Doença está perto

E a morte mais ainda

É ela! A Bruxa!

É ela... Matinta

Em busca de seu fumo

Ela assovia

Buscando hospitalidade

As casas ela visita

A quem não recebê-la com alegria

Maldição terá para o resto da vida

Tal gélida alma

Com algoz e encanto

Assombro me causa

Avistar tal coruja

A rasga-mortalha

Na janela se encontra

Com um olhar penetrante

Logo me instiga, atrai...

Prometo-lhe o tabaco

Com um rasante, ela some

Ao amanhecer reaparece

Cumpro-lhe o acordado

Na penumbra congelante

Proclama liberdade

Quem quer?! Quem quer?!

Digo eu: eu quero! eu quero!

Aceitando a sina

Liberto essa bruxa

Pela benção do poder

Tornarei-me uma coruja

Com belas plumas à noite

Canto pelas copas

Agourando quem merece

Com ardor e crueldade...

Que ouçam meu clamor!

Que ouçam meu sofrer!

Agora sinto o enfado

De cumprir o meu dever

Nome: Ágape

Volta Redonda-RJ

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PoesiaPágina 9 de 51
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A Mãe-de-Ouro: Guardiã do
Ouro e das Mulheres

Ouro, prata e diamante
São as veias deste chão,
Devem ser sempre guardados
Longe da vil exploração,
Pois a nossa maior joia
É a própria preservação.

Mas o brilho que mais conta,
Que a Mãe vem proteger,
É a vida das mulheres
Que o bruto quer submeter,
Pois ninguém é dono de ninguém
Nem dita o que ela deve ser.

Nesse tempo de agora,
De tanto feminicídio,
Onde o homem vira monstro
No mais covarde homicídio,
A lenda se faz urgente
Pra livrar do precipício.

Que a luz da Mãe-de-Ouro
Pare o braço do agressor,
Que ela prenda na caverna
Quem só planta o desamor,
Para que nenhuma esposa
Mais padeça de pavor.

POESIA

Nome: Kelly Pinheiro

IG @kcpinheiro17

Cabreúva-SP

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PoesiaPágina 10 de 51
Imagem da página 10 da edição 2

POESIA

O Ciclo Nordestino

Em pensar que outro dia ainda

era Natal,

Os presentes sob a árvore,

O cheiro da comida sem igual,

E a missa à meia-noite na

catedral.

Ah, como era bom.

E agora?

Agora chegou enfim o Carnaval,

Com suas bandinhas e trios,

Animando o pessoal.

Mas faltava algo nessa equação…

É verdade!

Logo mais chegaria São João.

É bolo de milho e fubá,

Festa de santo ou de orixá?

O que importa é o amor,

A fogueira queimando,

E o alegre cantador.

A sanfona chorava,

E eu me animava,

Dançando no bailão

Até que chegou outubro

Com mais uma celebração:

Pros gringos é Halloween,

Mas eu?

Prefiro Cosme e Damião.

Ainda tem as criancinhas,

com direito a diversão,

Presentes distribuídos da

cidade ao sertão.

E isso nem é tudo,

Ainda tem tanta coisa.

Todos se unem de novo,

Em forma de paz e união.

Novamente é Natal no Nordeste,

A terra do meu coração.

Nome: Bella C. Gomes

IG @bellacgomes_autora

Salvador-BA

Pág. 10
Revista Independente te vejo nas entrelinhas | Vol. 1, No. 2, abr./jun. 2026

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CordelPágina 11 de 51
Página 11 da edição 2, com a composição original da revista

CORDEL

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Imagem da página 12 da edição 2
Imagem da página 12 da edição 2
Imagem da página 12 da edição 2

CORDEL

CORDEL INDEPENDENTE

Agradeço ao Criador
Por ser da bela Bahia

Eu tenho orgulho danado
Por eu ser desse torrão
E eu falo de coração
Sou um ser abençoado
Moro nesse belo estado
Terra de pura alegria
Onde tudo contagia
Com um toque desse amor
Agradeço ao Criador
Por ser da bela Bahia.

Aqui a cultura é rica
Abunda em diversidade
Essa naturalidade
Agrada quem vai e fica
E só lhe dou uma dica
Prove a nossa culinária
Ela é extraordinária
Melhor, ela é um primor
Agradeço ao Criador
Por ser da bela Bahia.

O turismo é deslumbrante
Lembra até uma pintura
Pintada com tal ternura
O que a torna cativante
Pois encanta o visitante
Causando-lhe uma euforia
E digo: é grande a valia
Do belo de cada cor

Agradeço ao Criador
Por ser da bela Bahia.

Nós temos grandes artistas
Tem o Caetano Veloso
Gil também maravilhoso
Betânia e Gal musicistas
Também grandes
cordelistas
Citar tudo até queria
Mas deixo para outro dia
E aqui findo esse labor
Agradeço ao Criador
Por ser da bela Bahia.

Nome: Noelia Dantas

IG @anoeliadantas

Banzaê-BA

Pág. 12
Revista Independente te vejo nas entrelinhas | Vol. 1, No. 2, abr./jun. 2026

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Página 13 da edição 2, com a composição original da revista
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CONTO

HISTÓRIAS INDEPENDENTES

Autor[a]: Roni Pereira, Salvador-BA

AS SEXTILHAS DE DEUS

Encontrou-se, em uma biblioteca da Alemanha, um desgastado manuscrito de um suposto historiador anônimo especializado na história cultural brasileira. O conteúdo, escrito em alemão, foi datilografado em uma Olympia; o título é “Seitas Religiosas e Cultura Popular Brasileira”. Está, em sua maior parte, manchado de vermelho [o diretor da biblioteca enviou o papel a exame pericial], e ainda não se sabe quando foi produzido. Abaixo, o único trecho legível:

"Minhas buscas por essa obra me levaram até Banzaê, no interior da Bahia, onde acabei encontrando crentes entregando folhetos durante o Carnaval. Mas não eram pregações comuns; a mensagem evangélica estava escrita em sextilhas. A que recebi falava sobre um tal 'olho laranja'. Transcrevo:

'Vou contar um caso bizarro

Que tu não vais acreditar

Sobre um tal olho laranja

Capaz de nos perturbar

Assombrou o matador

Ele começou a falhar.'

Achei cativante essa proposta de evangelizar com sextilhas, mas então descobri que não se tratava de uma estratégia criativa.

— A mensagem que o Senhor nos deixou — disse o rapaz que me entregou o folheto. — Chegou a nós por meio de sextilhas.

Eu sabia razoavelmente português e queria conversar.

— Mas a Bíblia...

— As que estão por aí são deturpadas — ele me interrompeu. — Caio! — chamou um colega que também entregava mensagens religiosas em sextilhas. — Dá um para ele.

Ele se dirigiu a mim e disse:

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ContosPágina 15 de 51

HISTÓRIAS INDEPENDENTES

— Acompanhe-o, e ele vai lhe dar a verdadeira Bíblia.

Caio, um homem esguio e quieto, guiou-me até um carro que estava nas proximidades de onde ocorriam os festejos de Carnaval. Era um carro seminovo, e dava para ver um monte de livros no banco de trás. Caio abriu a porta, pegou uma edição e me entregou. Era uma cópia datilografada, volumosa, cujo título era 'A Bíblia da Verdade'. Olhei o índice e vi que mimetizava a Bíblia padrão dos protestantes, mas tomei um susto quando folheei as demais páginas: estava tudo escrito na forma de sextilhas de cordel.

Em um hotel de Banzaê, resolvi ler com mais atenção. Percebi que as histórias possuíam os mesmos enredos que se poderiam encontrar em qualquer outra edição protestante, mas eram contadas como se fossem cordéis; havia rimas de acordo com o padrão de versos A, B, C, B, D e B, assim como no folheto que me deram, e eram rigorosos em seguir as regras cordelistas. Também eram interessantes as notas e a introdução. De acordo com o autor, identificado apenas pelo pseudônimo 'Teólogo das Sextilhas', os manuscritos originais da Bíblia estavam ditados em sextilhas, mas foi conveniente para os 'doutores-tradutores' transformá-los em prosa, porque 'a metáfora na prosa perde significativamente o valor imagético que possui enquanto poesia'; isso deixaria 'as massas mais suscetíveis à manipulação e ao controle dos senhores da letra'. Segundo o autor, é 'mais fácil manipular com imagens fracas'. Questionei-me como as sextilhas apareceriam em grego e em hebraico e se ainda poderiam ser consideradas 'sextilhas' nessas línguas.

No outro dia, fui atrás do rapaz dos folhetos. Mais uma vez, ele os entregava durante os desfiles.

— Você conhece o Teólogo das Sextilhas? — questionei.

— Ele é o homem das imagens fortes — respondeu o rapaz, que se identificou como Noel.

— O único?

CONTO

— Sim.

— Como alguém se torna Teólogo das Sextilhas?

— Não se torna.

— Não entendi.

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ContosPágina 16 de 51

CONTO

HISTÓRIAS INDEPENDENTES

Noel parou de entregar os folhetos, guardou-os no bolso e se virou para mim.

— Jesus apareceu para ele aqui em Banzaê e disse que deveria prosseguir com a pregação evangélica em sua forma 'original'.

— E o Salvador conversou com ele em sextilhas?

— Isso mesmo. Ele é o único que pode criar imagens fortes em suas mensagens.

— Por isso ele é o Teólogo?

— E o Salvador conversou com ele em sextilhas?

— Isso mesmo. Ele é o único que pode criar imagens fortes em suas mensagens.

— Por isso ele é o Teólogo?

— Isso.

— E como sabemos se uma metáfora possui imagens fortes ou fracas?

— Deus o inspirou para isso.

— Somente ele pode fazer isso?

— Exato.

— Como posso encontrá-lo?

— Você quer fazer parte dos 'Cordelistas de Deus'?

— Deixe-me pensar.

Voltei para casa. Resolvi ler o Livro de Jó escrito em cordel. Também me atentei às notas. De acordo com o Teólogo, o autor desse livro bíblico escreveu sextilhas tão elaboradas e constituídas de 'imagens fortes' que o 'Tradutor em Prosa' não conseguiu esconder o caráter poético da obra; o Cântico dos Cânticos original, segundo o que Jesus lhe informara, era dotado de metáforas tenazes que foram substituídas, tornando a obra 'leve'. A reescrita em cordel visa recuperar essa imagética perdida.

No outro dia, encontrei Noel e Caio, que disseram que me levariam até onde estava o Teólogo das Sextilhas. A cada pergunta crítica que eu fazia, Caio ficava com as mãos trêmulas e o rosto carrancudo. Eu disse abertamente que planejava questionar o Teólogo, inclusive mencionando o grego e o hebraico.

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HISTÓRIAS INDEPENDENTES

Chegamos à entrada da mansão do Teólogo. Uma mulher com vestes insólitas se aproximou e ----"

(A mancha vermelha impede a leitura total do manuscrito).

Leia mais do autor aqui.

CONTO

Pág. 17 Revista Independente te vejo nas entrelinhas | Vol. 1, No. 2, abr./jun. 2026

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Cenas & Retratos do Cotidiano

Mia é ilustradora e trabalha principalmente com aquarela, mas também gosta de explorar outras técnicas de vez em quando. Ela desenvolve retratos, animais e cenas do cotidiano, buscando

trazer para as pinturas a beleza de momentos simples.

Este trabalho surgiu a partir de uma visita à casa da minha avó, onde notei duas cadeiras vazias no quintal. Na mesma época, estavam circulando imagens que associavam esse tipo de cena ao cotidiano latino-americano, o que tornou o momento ainda mais familiar.

A pintura retrata uma situação simples e comum: cadeiras deixadas do lado de fora após uma conversa, sugerindo a presença das pessoas mesmo na ausência. De forma sutil, a cena se conecta com o cotidiano brasileiro através dessa familiaridade.

A obra foi realizada em aquarela sobre papel.

Mia

IG @miats._

Ilustração tradicional

Editorial & colaborações

Portifólio no Behance aqui.

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CONTO

HISTÓRIAS INDEPENDENTES

Autor[a]: Nasser Dos Chembenes, Maputo, Moçambique

A Visita Nocturna

Pelos minutos que se passavam e as horas que jamais findavam, o som dos passos ouvia-se cada vez mais próximo e sereno. O evento inevitável portava uma aura tão poderosa que despertara os meus sentidos. A influência da aura sobre mim foi de tamanha magnitude que libertou uma energia que me convidava para a descoberta do mistério. O som dos passos fazia crer que se aguardava por algo valioso, como se mil véus sobrepostos encobrissem no fundo uma pedra preciosa. Era a aura de uma mulher que caminhava, eu podia sentir o perfume da sua alma nutrida de energia. Uma alma jovem que me convidava a abraçar a vida provocava-me a sede de beber do cálice da imortalidade e viver do seu lado eternamente. Mulher detentora da fragância que contagiou, inclusive, os lares malcheirosos dos condenados a "Geena". A sua aura era subtil, a radiação entrava pelos estreitos poros da areia e criava ânimo em mim. Eu era habitante do lar escuro, sem direito à luz do mundo, em que os sentidos eram fortes. Escutava o som dos insectos andando e perfurando por baixo das areias, para roer os ossos. Decerto que no estado em que me encontrava, conforme inúmeros humanos idealizam, eu não deveria sentir essas sensações. Pobres seres, desconhecem o oculto, não sabem que neste sítio há vida, a carne vai, mas o pensamento fica. É dor de ferir o peito, quando relembro o sepultamento do morador do lar vizinho. O choro da viúva que perdera cedo o seu homem. As suas lágrimas irrigavam o lar, humedeciam-no com sal. Ela, mesmo sendo impedida, deu forçosamente um beijo no cadáver, naqueles lábios frios como a Antártida. Ergueu o braço do morto, sujeito à queda livre, e o anelou, para que levasse consigo eternamente a lembrança do matrimónio. Em contrapartida, neste habitat sem regras, também recebemos a visita dos assaltantes mergulhados na malícia, que se apoderam dos lares com riquezas. Ainda soa no meu ouvido interno o som do quebrar do dedo, quando furtaram o anel do cadáver. E soa mais uma vez no meu ouvido, mas desta vez com temeroso arrepio, quando lançaram o mesmo dedo por cima do meu lar. O dedo gotejava sangue, depois de dias secou, obedeceu o ciclo da vida e apodreceu. O seu cheiro era intenso e desagradável que convidou os abutres, os quais fizeram dele

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CONTO

HISTÓRIAS INDEPENDENTES

um banquete, devorando-o ao seu belprazer, juntamente com as larvas. É com tamanha tristeza que guardo na caixa de lembranças o acontecimento declarado. Neste lugar, os mal-aventurados não sabem o que é a claridade, ardem em chamas se expondo à luz, em volta dos seus lares negros crescem espinhos de frutos secos e amargos. Quando chega meia-noite, o Lar MCDVIII fede a carne queimada putrificada, da distância de sete palmos abaixo da terra à superfície, ouvem-se gritos e choros de almas condenadas ao sofrimento eterno. Eu era privilegiado, o meu lar estava isento desse amargurado destino, porque em vida fui correcto. Aqui tornei-me bem-aventurado. Dentro do meu lar, eu podia imaginar que aquela mulher estava deslumbrante, caminhando do lado de fora do muro que nos separava. Os trajes que ela usava eram novidade para mim. Naquela noite, os raios prateados da lua embelezavam ainda mais a sua face, conferindo-lhe um brilho encantador. Embora distante, eu escutava o balanço do cordão de simbologia que adornava o seu corpo. A sua presença era tão forte, aroma puro e cheiroso por excelência, capaz até de ressuscitar os mortos. Naquela noite, eu queria ofertar aos portões de entrada do nosso lar o poder de se abrirem por si, fazer com que o som de metal das ondas magnéticas soasse no seu nome, gerasse melodia envolvente, que circundaria no seu corpo, até adentrar no ouvido. O som mestre que articularia, chamando o seu nome, e lhe faria obedecer ao meu convite de entrada. O seu andar consolava-me ainda mais, embora distante, eu sentia próximo, era como se caminhasse por cima do meu lar, com pegadas que geravam luz e iluminavam o interior do meu morto doce lar. A sensação era real, como se tivesse uma bola de cristal na minha mente, porque eu captava com precisão os seus movimentos, gestos, acções e sorrisos expontâneos. Eu detinha orgulho dos meus sentimentos por ela, que carregavam uma história. Se tivesse um livro, eu marcaria todas as páginas com palavras encantadoras, pela sua imensa importância. Do outro lado do muro, de onde ela caminhava, era cobiçada pelos homens, que a olhavam com olhar sedento, os seus olhos ardiam de paixão só de olhar para o seu semblante, também contemplavam o brilho do tom da sua pele, que contrastava com os joelhos, enquanto a brisa do vento abanava as suas vestes. Senti ciúmes. Na observância daquele cenário, veio-me a fúria, apetecia-me pegá-los, enfiar-lhes lentamente um objecto pontiagudo, originando dor no corpo, esfolá-los a garganta e metê-los eternamente em um dos lares vizinhos.

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CONTO

HISTÓRIAS INDEPENDENTES

Contudo, eliminei essa hipótese. Eu era um espírito ainda por evoluir e sabia dos perigos dos maus pensamentos perante a divindade. Procurei meios pacíficos, necessitava atraí-la para a entrada do meu lar. Pronto a iniciar com os ritos dos encantos secretos, bati na tampa dos moradores dos lares vizinhos, despertei-os do sono profundo, muitos já nem sabiam da existência do mundo, a sua vida era a morte. Convenci aos moradores dos lares vizinhos a orarem em congregação pela realização do meu desejo. Nem todos entraram em concordância na atracção da bem-vinda mulher. Alguns simplesmente porque não estavam em condições, as suas bocas não abriam, a ferrugem era escangalhada e bruta. Os outros ainda tinham a inveja residindo nos seus corações, esses eram os moradores mal-aventurados dos lares com espinhos, dentre eles, somente o Lar MCDVIII ajudou nos encantos.

E oramos em congregação:

I É chegada a noite, e o mistério acontece Para quem tem a esperança na alma, traz consigo a prece Que brilha e floresce, com o tempo avança e amadurece. Se ela soubesse que quando passa o meu lar estremece

II Venha, Mulher, É de você que eu preciso no meu lar. Nas noites eu vagueio, sobrevoo solitário.

III Vem agora, Mulher! Porque o amanhecer é a hora do meu repouso. Vem! Nem que seja somente para orar por mim e partir. Para provar ao mundo que uma alma pode sorrir.

IV Vem, Mulher, vem! Abra a porta do seu coração, Porque nele reside a entrada do meu morto doce lar.

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HISTÓRIAS INDEPENDENTES

CONTO

Acredite, eu posso ensinar-lhe boas coisas, segredos ocultos, mistérios que os humanos desconhecem.

V Sê a alma caridosa, que não esquece das suas origens e ora pelos seus. Vem, Mulher, portadora de luz. Mulher que seduz. Reflexo do paraíso. Dona da minha tranquilidade.

A congregação não parou, o brilho da lua intensificou, o contraste de uma bruxa trajada de preto que vagueava frente ao astro estrondosamente se detalhou, a temperatura baixou, o vento tornou-se agressivo, até o osso mais profundo se desenterrou. Eu pude ver os crânios rachados de homens injustos, que agiram de forma desrespeitosa e cometeram crimes, na vida foram figuras de destaque, entretanto, a sua fama e o seu reinado de nada lhes valeu. Depois da oração, no Lar MCDVIII floresceram rosas de aroma puro no lugar da putrefação, uma ascensão resultante da prática do bem. Do outro lado do muro, os homens recolhiam-se, mulheres de negócio cobriam os seus corpos expostos, as notas pagas pelos clientes voavam ao ar, os meninos de ninguém saltavam para pegá-las, porque reduzir a fome era a primeira necessidade. Pela velocidade das nuvens, parecia que surgiria uma tempestade, parecia que era o regresso do Messias, mas não, era a força dos encantos secretos que surtiam efeito. Constatei em prática o quão o mundo espiritual influenciava na matéria. As ondas magnéticas das nossas vozes iam na sua direcção, atingiam a sua face. Eram falas de encanto que acrescentavam mais beleza no seu rosto. A mulher mudara de rumo. A porta da sua vida passou a ser a entrada do meu morto doce lar. E ela veio. Ascendi de nível, de abstracto passei a ser concreto. Finalmente, ela estava próxima à entrada do meu morto doce lar. Sabendo que os portões não puderam ganhar vida conforme eu desejara, ou gerar movimentos de emissão de sons atractivos para que viesse ao meu morto doce lar. Com receio da sua hesitação, tive de tomar atitude. Naquela noite escura, sombria, como um dia sem noite, ou noite sem dia, eu, na primeira pessoa, saí da tumba. A terra estremeceu, grãos de areia saltavam, o fluído das mãos e o corpo todo ficaram expostos. O mundo olhou-me com séculos de saudades, as nuvens recordaram-se dos

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HISTÓRIAS INDEPENDENTES

pingos de água que já não me molhavam, o sopro do vento adorou sentir a nova sensação de passar no meu corpo imaterial. O meu olhar fantasma observou doutro lado do muro, eu ostentava um corpo constituído por partículas sub-atómicas, que sobrevoou ao seu encontro, atravessando o muro sem barreiras. Vieram-me ideias de acção, algo deveria fazer naquele momento oportuno. Chuva de ideias sob o meu intelecto. Sentia a sensação viva de que ela já era minha. Pensei na gramática, nos livros de inteligência, nas pontuações, e invoquei a interrogação. — Mulher, qual é o teu nome? Onde vives? Conta-me sobre ti! Entra. Seja bem-vinda. Ore por mim e pelos lares vizinhos. Conforta a minha alma, alimenta a minha esperança no teu retorno frequente. Contudo, a sua audição não captava as minhas ondas sonoras. Ela ignorou o meu chamado! Olhava em volta do espaço e não me respondia, pensei que podia ser a distracção da sua apreciação à beleza das estrelas. Insistindo, eu gritava e nada acontecia. Os seus dedos delicados digitalizavam num aparelho de visor brilhante, era novidade para os meus olhos, e parecia comunicativo à distância. Tecnologia avançada, ciência da sua época. Surgiu uma carroça moderna de luz à frente, tamanho médio, capaz de albergar dezenas de passageiros. Saiu um homem e gritou o nome do destino. Ela foi, entrou na carroça que não voava, embora seja intitulada de Anjo Voador. Coisas de um mundo novo, partiu sem dizer adeus. Não chorei, o estado morto do meu corpo não produzia lágrimas, mesmo com a vontade de escorrê-las. Sem alternativas, exibi apenas a falta de dentes do meu sorriso que gargalhava. Retornei ao meu lar, falando com o meu pensamento: "Mundo misterioso! Quando estamos vivos, não recordamos que antes estávamos mortos. Não lembramos que o nosso espírito repousa esperando a chance de mais uma provação na terra! Quem diria, a mulher reencarnou. Afinal, a vida e a morte são cúmplices de um ciclo rotativo! Em breve serei o próximo a voltar à vida, e desfrutar dos prazeres. Ainda me recordo dela na vida passada, continua linda, atraente, olhar sedutor, um espectáculo de mulher, sinónimo de amor a longo prazo. Inundo o meu peito de orgulho assumindo que fui seu esposo e a fiz feliz. Nesta vida, ela ganhou um rosto novo. Porém, eu a reconheci, porque senti a sua presença pela aura da sua alma." Surpreso, retornei ao meu morto doce lar. Paciente, esperando pelo meu dia. O grande dia. O dia em que o meu espírito entrará no ventre abençoado de uma mulher, e retornará carne e osso ao

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HISTÓRIAS INDEPENDENTES

mundo dos vivos. Infelizmente, eu e ela não voltaremos a ser marido e mulher. Amo aquela mulher, embora ela não saiba do ocorrido, não deixarei de agradecer a visita nocturna.

Saiba mais sobre o autor aqui. IG @poderimortal_oficial

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Maddu Teixeira

Autora; revisora e leitora crítica

Maddu é apaixonada por Literatura; passou um período considerável em Letras, estudando a teoria na Federal do Ceará — local que hoje vaga buscando livros de críticos na biblioteca.

Dividindo o amor pela Literatura com códigos e o magistério, atua primordialmente na área de Leitura Crítica, acumulando conteúdo da UFC, dos livros teóricos e de cursos práticos de autores como Cláudia Lemes e Nano Fragonese. Ao longo da sua formação no meio editorial, trabalhou em obras de diversos gêneros — e em diversos processos —, como: A Garota do Bestiário, de Paige Syx; Letícia, de MkFault; e EntreMundos, de Erika T.

Atualmente, escreve a trilogia O Guia SuperPrático da Criação Literária, com sua coautora @ExpertEditorial, em que resume uma década de teoria de forma didática e eficiente para novos autores.

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HISTÓRIAS INDEPENDENTES

Autor[a]: M. G. Crave, Mineiros-GO

A CARNE É O BARRO DA BESTA FERA

As Casinhas dos Padres não dormiam. O silêncio entre as paredes era um fio de arame até o limite. Lorrohama já sentia o peso do jejum da Quaresma no peito, uma fome que já não pedia comida, mas rendição.

O zunido do mongongo cortou a noite. Não era um inseto; era uma engrenagem trucidando o ar sobre as ramas do maracujá. O cheiro mudou. Mineiros expelia um bafio de chiqueiro subindo do fundo do quintal, misturado ao chorume fermentado ao sol. A luz era uma mancha que se recusava a tocar o barro vermelho.

Ela não caminhou. O chão a puxou. Seus calcanhares rasparam na terra enquanto uma força no escuro a tragava.

Lá, o que se desdobrou não tinha nome, apenas textura. Era o atrito do couro de porco sobre o músculo de cavalo, uma massa de cerdas que raspavam como facas cegas. A criatura era o próprio relevo. Os olhos eram duas esferas de gordura amarela, escorrendo um sebo que cheirava a animal parido no escuro, projetando sobre Lorrohama o peso de milênios de indiferença.

A mão abriu-se diante dela. O sinal pulsante na palma não era uma imagem; era uma ferida aberta que exalava o calor de um forno de olaria. Lorrohama buscou o nome de Deus, mas a oração apodreceu na garganta antes de virar som. No lugar da prece, ela sentiu o gosto de um terço de madeira podre desfazendo-se em cupim contra os dentes; a santidade era apenas uma polpa de serragem úmida que a impedia de respirar.

O primeiro coice não foi um golpe, foi uma extrema unção. O esterno cedeu com o som de uma caixa de madeira sendo esmagada. Ela não gritou; o ar foi substituído pelo gosto metálico do pulmão colapsado.

No chão, a besta não a atacava; ela a vindimava.

Cascos de ferro prensaram sua garganta contra o barro, moendo a traquéia com a paciência de quem mói cana. Lorrohama sentia os torrões de terra entrando às feridas, infiltrando-se nas fissuras dos ossos. O fêmur não quebrou; ele se tornou farelo sob o peso rítmico da criatura.

A dor deixou de ser um evento e tornou-se um estado de ser. Era o latejar da carne.

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HISTÓRIAS INDEPENDENTES CONTO

A Besta-Fera sovava o abdômen, misturando vísceras, medula e terra vermelha. Não havia o desperdício do sangue; o solo, sedento, bebia a umidade diretamente das veias rompidas, selando a mulher ao chão. Ela assistia a tudo com os olhos fixos, as pálpebras presas pelo barro que secava. Lorrohama não estava morrendo; ela estava sendo incorporada. Tornava-se o tijolo, o alicerce, a própria fundação das Casinhas dos Padres.

Pela manhã, o quintal estava liso. Apenas um pedaço de barro mais escuro, mais denso e quente ao toque, denunciava onde o céu se fechara para sempre.

Saiba mais sobre o autor aqui.

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Ensaio

PENSAMENTO INDEPENDENTE

A Geada do Luto e o Tempo de Brotar

Eliane Prado, psicóloga

Nasci no Paraná e, desde muito cedo, aprendi a reconhecer as manhãs de geada. Bastava olhar pela janela para perceber que algo havia acontecido durante a madrugada. Os campos amanheciam cobertos por uma camada branca e silenciosa, como se a noite tivesse repousado sobre a terra um frio antigo. A grama estalava sob os passos e o ar parecia suspenso, delicado, quase solene.

Quando criança, eu acreditava que aquele frio destruía tudo. A paisagem parecia frágil demais para suportar o gelo. As folhas rígidas, o jardim imóvel, os campos inteiros paralisados pelo branco da madrugada. Era como se a vida tivesse sido interrompida por algumas horas.

Com o passar dos anos, e observando a própria natureza, compreendi algo diferente. A geada não elimina a vida: ela a põe à prova.

Quando o sol começa a aparecer, ainda discreto no horizonte, o gelo lentamente se desfaz. A água retorna às folhas, o verde reaparece e a paisagem volta a respirar. Aquilo que parecia morto estava apenas recolhido, guardando sua vitalidade em um lugar mais profundo.

Talvez por isso, muito tempo depois, ao escolher a psicologia como caminho, reconheci nessa imagem algo profundamente humano. O luto também se parece com uma geada. Ele chega de forma silenciosa, cobre a paisagem interna e modifica o ritmo do tempo. As palavras ficam escassas, os gestos se tornam mais contidos e se instala dentro da pessoa uma espécie de inverno íntimo. Mesmo assim, algo continua acontecendo no interior.

Na escuta clínica aprendi que a dor não é apenas ausência. Muitas vezes ela também é movimento, ainda que discreto. Entre memórias, pausas e narrativas que buscam forma, a vida começa, lentamente, a reorganizar-se. Foi nesse espaço, entre a frieza da perda e o calor do encontro humano, que minha escuta começou a se construir.

Ao longo das histórias que ouvi, percebi que cada pessoa atravessa seus próprios invernos interiores. Nessas travessias, a presença frequentemente vale mais do que qualquer explicação. Há momentos em que o mais importante não é interpretar, mas permanecer ao lado.

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A araucária, tão presente na paisagem do Paraná, sempre me ensinou algo sobre isso. Alta, firme e paciente, ela se eleva em direção ao céu, mas sua verdadeira força está nas raízes profundas que a sustentam na terra. Existe algo de muito humano nessa imagem: também nós somos sustentados por aquilo que não se vê, nossas memórias, nossos afetos, nossas perdas e nossos recomeços.

De certo modo, tornamo-nos arqueólogos de nossa própria história.

Escavamos lembranças, revisitamos dores e, muitas vezes, descobrimos que aquilo que parecia apenas sofrimento também pode guardar sementes de sentido. Assim como o pinhão precisa do calor para se abrir, certas partes da vida só se revelam quando encontram o calor de um encontro verdadeiro, um olhar atento, uma escuta que acolhe, uma presença que não julga.

Foi vivendo e escutando histórias que compreendi algo essencial: a identidade não é algo pronto, mas um processo contínuo. Como as estações do ano, atravessamos tempos de recolhimento, períodos de frio e momentos em que a vida volta a brotar. O luto não é somente perda; muitas vezes ele também se transforma em um caminho silencioso de transformação.

Porque a geada, no fundo, não destrói aquilo que tem raíz. Ela apenas revela que a vida continua trabalhando em silêncio, mesmo quando tudo parece frio na superfície.

Saiba mais sobre a autora aqui.

IG @psicologa_escritora Ponta Grossa-PR

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Ensaio

PENSAMENTO INDEPENDENTE

Sobre Ser Brasileiro: cultura popular, ethos e sobrevivência

Otávio Segal de Araújo

“Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor

Eu fui a Penha, fui pedir a Padroeira para me ajudar

Salve o Morro do Vintém Pendura a saia, eu quero ver Eu quero ver o Tio Sam tocar pandeiro para o mundo sambar”

Brasil Pandeiro – Novos Baianos

Quando se fala em cultura popular brasileira, é comum que o imaginário coletivo a reduza a manifestações artísticas como a música, a culinária ou as festas tradicionais. No entanto, essa compreensão, embora não esteja errada, revela-se superficial diante da complexidade do fenômeno. Mais do que simples expressões culturais, a cultura popular brasileira configura o próprio ethos do povo, isto é, o seu modo de ser, viver e habitar o mundo. Nesse sentido,

é necessário compreender como essas expressões estruturam a experiência concreta de diferentes grupos e regiões do país.

Para ir além, percebe-se que esse ethos não é único nem homogêneo. Não há um “espírito brasileiro” que se imponha de forma a priori sobre todas as regiões e grupos. Ao contrário, o que se observa é uma multiplicidade de formas de ser que, embora compartilhem certos elementos comuns, se distinguem profundamente em suas manifestações locais e regionais. A diversidade de

regiões e grupos revela que o Brasil não possui um único ethos. Temos uma diversidade de ethos que coexistem, se tensionam e se transformam ao longo do tempo. É justamente nessa diversidade que reside a riqueza da cultura popular brasileira.

Nesse contexto, o que caracteriza uma cultura como “popular” é a sua origem nas experiências concretas das classes populares. A cultura popular se constitui, portanto, em oposição à cultura erudita, emergindo das tensões, conflitos e contradições entre as diferentes classes sociais. O ethos popular brasileiro nasce do conflito e da necessidade, sendo forjado nas condições materiais de existência.

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Ao mesmo tempo, a cultura popular carrega consigo uma dimensão de memória, transmitindo, ao longo do tempo, formas de ser e viver que garantiram a continuidade de diferentes grupos sociais. Aquilo que nasce como estratégia de sobrevivência transforma-se, gradualmente, em tradição, preservando a experiência dos antepassados e permitindo que ela seja atualizada pelas novas

gerações. Assim, a cultura popular opera como um elo entre passado e presente, mantendo viva uma memória coletiva que sustenta a identidade.

Em contrapartida, um dos riscos desse movimento é a perda da tradição e o esquecimento dos antepassados. Esse movimento de esquecimento está dentro da lógica de mercantilização do ethos popular e dentro do processo de docilização das lutas populares. Outro fator a se apontar, é a melhoria das condições de algumas camadas sociais, que se distanciam do conflito e da luta por sobrevivência. Essas três dimensões operam no apagamento da cultura

popular, transformando-a em mercadoria.

Contudo, esse processo não é estático. Se o ethos popular nasce da necessidade e do conflito, ele também está sujeito às transformações históricas. Por mais que exista um movimento de apagamento cultural, enquanto houver conflito e luta, o ethos continuará a se reconfigurar. Não é possível prever a direção dessas mudanças, mas é possível afirmar que o movimento permanece o mesmo: a cultura se transforma conforme as exigências históricas de um povo. O ethos popular, portanto, não desaparece, ele se reinventa continuamente.

Dessa forma, a cultura popular brasileira revela, em sua essência, um modo de ser profundamente marcado pela diversidade, pelo conflito e pela capacidade de reinvenção. Em poucos lugares do mundo encontra-se tamanha multiplicidade cultural em um mesmo território. O ethos da cultura popular brasileira, nesse sentido, não consiste em habitar uma identidade fixa. Pelo contrário, é participar de um processo contínuo de construção, no qual a sobrevivência se expressa por meio da arte, da cultura e da tradição. A cultura popular é existir e ser resistência.

otaviosegalla@gmail.com

IG @otaviosegal

Vitória-ES

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Ensaio

PENSAMENTO INDEPENDENTE

Entre o Entretenimento e a Verdade: O Papel da Arte no Brasil

Rodrigo Souza

Pensar em Brasil sem passar pelos nossos aspectos culturais é uma missão

fadada ao fracasso. O povo brasileiro é formado pela miscigenação de povos e culturas, e até hoje somos conhecidos por abraçar calorosamente todos os que nos vêm. Tudo isso contribuiu para o enriquecimento cultural de uma nação extensa e criativa. Dentre as inúmeras alcunhas que podemos atribuir ao povo brasileiro, uma das

mais perceptíveis seria a resiliência. O brasileiro é um povo marcado por batalhas desde o princípio de sua história, lá na colonização, e essa característica acompanhou o fluxo do tempo até os dias atuais. Os desafios enfrentados pela população são refletidos em inúmeras obras nacionais, seja na literatura, no cinema, na música e nas novelas, essa última é uma das formas do audiovisual mais consumidas nos lares brasileiros. Ainda assim, abordar problemas sociais pode ser um empecilho na produção cultural, tanto na parte de quem produz, quanto em quem irá consumir. Quase como se falar sobre problemas sociais fosse como "colocar o dedo na ferida". Ora, o Brasil ainda é um país que não suturou essas feridas. A colonização, o período escravagista e a ditadura militar são exemplos de fatos históricos com efeitos evidentes nos dias atuais, mas que muitas vezes são tratados como fatos que não devem ser falados. Na contrapartida de quem acredita que deve ser desta forma, vão os artistas que trazem na sua arte a voz que consideram importante ser ouvida. Quando pensamos em música, livros, filmes, logo vem à mente na maioria das pessoas o entretenimento e sua finalidade: a distração, abstração, o divertimento. E não há como negar que o Brasil possui sim um grande número de obras com este objetivo, principalmente acompanhando os tempos atuais, onde tudo é rápido, instantâneo. Ainda assim, também há uma parte da produção artística voltada para um Brasil [e para um mundo] o qual muitos fecham os olhos. Falar

sobre as mazelas é algo necessário. Seja como Carolina Maria de Jesus, que

escreveu o livro Quarto de Despejo, falando sobre a fome e a pobreza, ou Chico Buarque com suas obras que falavam de política, repressão e desigualdade.

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Obviamente há também de se falar das graças de se viver no Brasil — um "país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza", como cantou Jorge Ben Jor. Nossa diversidade cultural flui entre todas as nossas extensas regiões e transcendem as barreiras continentais indo para inúmeros outros países. Mais que diversão e entretenimento, a arte sempre teve um papel social, de explorar aquilo que dói na sociedade de uma forma que a própria sociedade possa consumir o conteúdo que por vezes não está acessível. Talvez seja a própria arte que torne esses temas mais palatáveis, ou, quando nem isso é possível, torna-os mais próximos da população como um todo. Para além disso, fazemos arte para todos os gostos, momentos e desejos. E mesmo enfrentando todas as questões que a arte traz por não ser valorizada em comparação com atividades mais técnicas e práticas, é ainda hoje um aspecto muito forte de quem somos — de quem fomos e principalmente do que podemos nos tornar.

mail.rodrigosouza@gmail.com

IG @rodrigo_scmp

Salvador-BA

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Capa — entrevistaPágina 35 de 51
Página 35 da edição 2, com a composição original da revista

CAPA ENTREVISTA

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CAPA - ENTREVISTA

MÚSICA INDEPENDENTE

Mateus Moraes Cantor, sanfoneiro, prof. de música Dias d’Ávila-BA IG @mateus.moraes

Revista entrelinhas: Mateus, em seu perfil no Instagram você se apresenta como sanfoneiro, como foi o seu primeiro encontro com a sanfona e em que momento você percebeu que ela não seria só um instrumento, mas a sua voz e sua companheira [de estrada]?

Mateus Moraes: Oi, Tam! Prazer estar aqui proseando contigo! Minha história com a sanfona é bem legal... Lá em minha cidade — São Gonçalo dos Campos — eu sempre gostei de música. Comecei a tocar na fanfarra e na filarmônica com 8 anos de idade, mas, eu amo o São João. Belo dia, eu e uns amigos estávamos na beira da fogueira festejando, e colocamos um forró pra tocar no rádio. Ouvindo aquelas bandas tocando Luiz, Dominguinhos e outros, eu resolvi juntar meu amor pelo São João com a vocação em ser músico e decidi naquele dia: vou comprar uma sanfona! Depois de descobrir que era um instrumento caríssimo, eu consegui um emprestado, aprendi a tocar e um tempo depois consegui comprar a minha.

Re: Para você, que vive a música em Dias d'Ávila, como as paisagens e a cultura da nossa cidade influenciam o seu jeito de tocar e de sentir o forró? Existe algo do "nosso lugar" que você coloca em cada nota?

MM: Viver a música em Dias d’Ávila é viver o forró como parte da rotina, não só como espetáculo. Aqui a gente sente a cultura de perto, mas, infelizmente só nas festas juninas, principalmente no São Pedro, porém, aos poucos, a gente tá mudando isso e fazendo forró o ano inteiro. O carinho que tenho recebido aqui, toda vez que eu toco, e também quando não estou nos palcos, justificam cada nota.

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MÚSICA INDEPENDENTE

Re: Além de músico, você é professor. O que ensinar música te ensinou sobre o ser humano, especialmente as crianças e adolescentes, caso sejam seu público? Como é ver a transformação de um aluno quando ele consegue tirar o primeiro som de um instrumento?

MM: Ensinar música me ensinou que o ser humano é, antes de tudo, sensível e potente — especialmente crianças e adolescentes, que estão descobrindo quem

são. A música revela aquilo que muitas vezes eles ainda não sabem expressar em palavras: inseguranças, alegria, disciplina, sonhos. Ver a transformação de um aluno ao tirar o primeiro som de um instrumento é presenciar um momento de descoberta e pertencimento. Não é só uma nota que

nasce ali, é autoestima, é confiança, é a percepção de que ele é capaz. Aquele primeiro som, às vezes tímido e desafinado, carrega uma força imensa: é o início de uma história, de uma identidade que começa a se construir através da música.

Re: Ainda sobre ser professor, sei que você também atua na Casa do Idoso do nosso município. Tem diferença em lidar com pessoas que seriam facilmente sua mãe, tio, avô e com crianças?

MM: Existe sim. Os idosos têm uma história de vida, têm uma memória afetiva muito forte e a gente precisa saber lidar com isso. Ali eu me encontrei e estou imensamente feliz em trabalhar com eles. Aprendo muito mais do que ensino e recebo amor e carinho todos os dias.

CAPA - ENTREVISTA

Re: Você acredita que a Música pode ter efeitos sobre as pessoas, suas mentes e comportamentos? Se sim, de quais formas você consegue observar essa interação?

MM: Não só acredito como existe comprovação científica a respeito disso. Melhora a autoestima, as relações, previne Alzheimer, ajuda na memória, entre tantos outros benefícios. Consigo enxergar isso tanto nas crianças, com a melhoria na coordenação motora, nas relações, no senso crítico e na criatividade,

tanto nos idosos em seus próprios depoimentos relatando o quanto a música melhorou seu bem-estar. Fico muito feliz de estar nesse processo.

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MÚSICA INDEPENDENTE

Re: Em um mundo tão cheio de gêneros musicais “de moda” o que o forró tradicional representa para você? Como você enxerga o papel da sanfona na preservação da nossa memória e alegria popular?

MM: Representa o meu caminho. A minha estrada. Eu me sinto responsável por poder passar adiante a cultura do forró raíz, respeitando todos os outros

gêneros. A sanfona é a dona da festa, é a anfitriã do São João, então, eu a enxergo como tal e me sinto na obrigação de representá-la.

Re: E aqui na cidade, tão conhecida por suas águas que no passado banharam trabalhadores do Polo Petroquímico e suas famílias, além de outro músico, o eterno, rebelde e provocador Raul Seixas, COMO é viver com a Música envolvendo sua vida? Há trabalho fora das salas de aula públicas?

MM: Viver de música, especialmente do forró é um enorme desafio. Eu consigo “bancar” essa missão porque tenho outro trabalho, que, embora ainda seja com música, não é exclusivamente com o forró. Isso vai muito pelo desafio de ser, além de músico, empreendedor, produtor, gerente, diretor musical. São muitas responsabilidades para colocar a banda no palco, mas sigo sonhando e com meus amigos, que tocam comigo, sonhando também.

Re: De onde você vem, Mateus? Nos resuma suas três décadas [espero não ter errado] até vir parar aqui.

MM: risos... São exatas 4 décadas completadas em 2025. Eu nasci em São Gonçalo dos Campos, fiquei lá até terminar o colégio, fui para Salvador na casa dos 20 para fazer graduação, na terceira década vim trabalhar em Dias d'Ávila e estou até hoje completando 40, com 9 anos nessa terra que aprendi a amar.

Re: Mateus, se você pudesse olhar para trás e falar com o Mateus que estava começando, e depois olhar para hoje, e o futuro, qual seria a "trilha sonora" ou a mensagem que você gostaria de deixar para ele e para as próximas gerações de músicos da nossa região?

MM: Sem dúvida, eu colocaria Milton Nascimento, cantando “Nos Bailes da Vida”. Essa é a trilha da minha vida que o Mateus jovem fala com o Mateus não tão jovem assim e que falará com o Mateus mais velhinho. E a mensagem que

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CAPA - ENTREVISTA

MÚSICA INDEPENDENTE

deixo são versos dessa canção:

“Com a roupa encharcada e a alma repleta de chão

todo artista tem de ir aonde o povo está”

Re: Para finalizar, a pergunta é boba, mas preciso fazer: qual a sua época favorita do ano? Como estão os preparativos para o São João e São Pedro de 2026?

MM: Minha época favorita começa em maio e termina em julho! ;) Os preparativos estão a todo vapor: música nova a ser lançada, fechando a agenda de shows e com a esperança que sejamos reconhecidos.

Agenda de shows [Bahia]

10/04 Dias d’Ávila - Espetinho do Japa 11/04 Dias d’Ávila evento fechado 02/05 Lauro de Freitas 06/06 Salvador 06/06 Dias d’Ávila 13/06 Centro de Convenções Salvador 19/06 Santo Antônio de Jesus 23/06 Feira de Santana

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Página 40 da edição 2, com a composição original da revista

ESPECIAL Mulher

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Os Números Assustam A realidade é ainda pior que a ficção

Por Tamara S. Fawkes tamarasfawkes@gmail.com

A ficção assombra, fantasia cenários e realidades paralelas de terror: homens que ficam invisíveis, mulheres que decepcionam seus stalkers, porém, quando é o noticiário que comunica, uma vizinha ou você que passa por uma violência, é ainda mais aterrorizante, é perto demais. Real demais. Duas históras de ficção: O Conto da Aia e Bom dia, Verônica. A primeira se passa nos Estados Unidos da América em uma realidade de teocracia, ou seja, um governo religioso toma posse da vida dos cidadãos. Conhecemos a vida de uma aia:uma mulher que é fértil e tem o próposito de existir apenas para gerar filhos a casais inférteis.

Há a perda do nome de batismo, da orientação sexual, da identidade como um todo. Um novo nome, um novo e único propósito de vida e obrigações que seguem regras rígidas com penas de mutilação ou morte, em caso de desobediência ao sistema vigente. As violências são várias: estupro, perda da própria identidade, como já foi citado, do pensamento individual, da expressão, da leitura e aprendizado educacional, de ir e vir, de trabalhar, de ser independente. Cada aia que engravida, passa a gestação nutrindo uma criança que será entregue ao casal infértil. A aia será enviada a uma próxima casa até que não seja mais útil.

Entrevista

Já no segundo exemplo, uma escrivã se envolve na investigação de casos de violência contra a mulher no Brasil. Uma personagem em especial é obrigada a ajudar o marido a atrair outras mulheres e depois assisti-las sendo mortas por ele. Como muitas mulheres reais, ela não tem contato com sua família, não pode trabalhar e não tem vida própria. Seu objetivo de existência [segundo seu marido] é gerar uma criança e assim completar a família. Assim como os noticiários da vida real estão acostumados a informar, ela morre no final, vítima de diversas maneiras deste homem que realmente acredita que tudo o que faz lhe é direito. Há semelhanças nessas duas séries de ficção com livros sagrados e comportamentos familiares, que julgo muito difícil ao leitor não lembrar de algum caso semelhante que conheça. Quem sabe você que está lendo é uma vítima... ou mesmo um criminoso.

De volta à realidade, o Dia da Mulher passou, foi dia 8 de março, porém, quero lembrá-lo aqui. Todo ano esta data se repete e algumas de nós recebem flores e chocolates. Muitas recebem mensagens como "feliz dia da mulher" ou "seja sempre essa mulher incrível e forte". O comércio se agita: perfumes, maquiagem, roupas, eletrodomésticos, utensílios para a casa são vendidos com laços rosa ou vermelho e corações. Algumas de nós dizem "dia da mulher é todo dia!", outras já esperam por seus presentes, amorosas. Dificilmente alguém sabe dizer de onde vem essa data. A seguir, um texto que pode abordar melhor o assunto, clique e confira, e também, uma participação especial para falarmos sobre a violência contra a mulher.

8 de Março: memória das mulheres trabalhadoras.

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Tivemos o prazer de fazer algumas perguntas para a advogada Larissa Renata, a quem agradeço imensamente pelo tempo dedicado à entrelinhas nos concedendo esta entrevista.

Revista entrelinhas: Oie, Larissa, seja bem-vinda às nossas entrelinhas, vamos começar com você falando da sua carreira, sua jornada até aqui: como você foi parar na advocacia e, principalmente, na especialidade que atua?

Larissa Renata: O tema da violência contra a mulher sempre despertou minha atenção, inclusive antes da minha formação jurídica. Ainda na graduação em Administração, eu já demonstrava interesse em compreender as dinâmicas sociais que envolvem a vulnerabilidade feminina. Posteriormente, ao ingressar no curso de Direito, consolidei a convicção de que aprofundaria meus estudos nessa área. Minha trajetória acadêmica inclui pós-graduação em Direito, e foi justamente no Trabalho de Conclusão de Curso que direcionei minha pesquisa para as ciências criminais, com ênfase na violência psicológica. Ao longo da investigação, tornou-se evidente que a invisibilidade da dor — especialmente nos casos de violência psicológica — pode ser tão ou mais devastadora que a própria violência física.

Trata-se de uma modalidade de violência frequentemente minimizada ou deslegitimada socialmente, muitas vezes tratada como “exagero” ou “frescura”, o que contribui para a perpetuação do ciclo de violência. Essa invisibilidade institucional e cultural reforça estruturas de subjugação feminina. Além disso, compreendo que o ciclo da violência, quando não interrompido, pode culminar no feminicídio — expressão máxima e mais brutal da violência de gênero. Por essa razão, considero imprescindível ampliar o debate acadêmico, jurídico e social acerca dessas formas menos perceptíveis, porém profundamente lesivas, de violência contra a mulher.

Re: A sua atuação envolve muitos casos familiares, uma intimidade que toda família possui, mas que não deseja ser exposta, principalmente quando o tema violência contra a mulher surge. Existem mecanismos aqui na região que as mulheres podem recorrer antes de se envolverem amorosamente?

L.R.: Eu acredito que a educação é libertadora. Infelizmente, sabemos que haverá casos “fora da curva”, mas, em sua ampla maioria, o ato de educar pode evitar um futuro violento. É imprescindível coibir, na primeira infância, as primeiras manifestações de violência — como aquele tapa aparentemente inocente nos pais ou a reprodução de frases machistas —, ou qualquer atitude que possa ser o embrião de algo que venha a crescer de forma desordenada. Além disso, a construção de valores como respeito, empatia e responsabilidade deve ser contínua e intencional. A família, a escola e a sociedade compartilham o dever de formar cidadãos conscientes de seus direitos e deveres, capazes de resolver conflitos por meio do diálogo e não da agressão. Investir na infância é, portanto, investir diretamente na construção de uma sociedade mais justa, segura e humana. Se quisermos, de fato, enfrentar a violência de forma estrutural, precisamos compreender que a prevenção começa muito antes do sistema penal: começa no colo, na sala de aula, nas pequenas correções cotidianas e, principalmente, no exemplo que oferecemos. Educar não é apenas transmitir conteúdo, é formar caráter — e é nessa formação que reside a verdadeira transformação social.

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Re: O que você, como advogada, acredita que ainda falta aos governos, sejam municipais, estaduais ou federal, no tratamento e resposta à violência contra a mulher, ao feminicídio?

L.R.: A atuação do poder público precisa ir além da criação de leis. A mudança necessária é estrutural e cultural. É fundamental enfrentar as raízes patriarcais e a misoginia que ainda sustentam a violência contra a mulher no Brasil. Embora existam leis protetivas importantes, como a Lei Maria da Penha, o problema muitas vezes está na aplicação e no atendimento oferecido às vítimas. O Brasil ainda está entre os países que mais registram feminicídios, o que demonstra que apenas o aparato legal não é suficiente sem políticas públicas eficazes e mudança de mentalidade institucional. Um ponto central é o combate à violência secundária — aquela sofrida pela mulher quando busca ajuda nas instituições do Estado. Em delegacias, inclusive especializadas, muitas ainda enfrentam falas como: “isso é só briga de casal”, “você deve ter provocado”, ou “volte para casa que isso se resolve”. O poder público precisa investir em capacitação contínua de agentes, garantindo escuta qualificada, acolhimento humanizado e responsabilização quando houver condutas revitimizadoras.

Além disso, é essencial ampliar: estruturas adequadas nas delegacias e centros de atendimento; atendimento psicológico especializado; políticas de suporte financeiro e autonomia econômica, para que mulheres consigam romper com a dependência do agressor; campanhas permanentes de conscientização e educação de gênero. Portanto, o papel do poder público não se limita à punição do agressor, mas envolve prevenção, acolhimento, proteção efetiva e transformação cultural.

Re: E a família, ela também tem alguma responsabilidade? Pode ajudar a prevenir a manutenção da violência sofrida?

L.R.: A rede de apoio pessoal também é decisiva. Familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho podem ser aliados importantes, oferecendo acolhimento, escuta e ajuda prática. Romper o silêncio é um ato de coragem, mas também é um passo essencial para quebrar o ciclo da violência.

Re: Se uma leitora precisar de ajuda, o que ela deve fazer?

L.R.: A denúncia pode ser feita pelo número 180 [Central de Atendimento à Mulher], que funciona 24 horas por dia, de forma gratuita e sigilosa. Em situações de emergência, o 190 deve ser acionado. Também é possível procurar uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher [DEAM] ou, na ausência dela, qualquer delegacia comum. Além do amparo policial e judicial, há apoio psicológico, social e jurídico gratuito oferecido por Centros de Referência da Mulher, Defensorias Públicas e serviços de assistência social do município. No CRAM Yolanda Pires, em Camaçari, por exemplo, mulheres em situação de violência encontram atendimento especializado, acolhimento e orientação para encaminhamentos na rede de proteção. Em Salvador, a sala “Elas à frente”, no Metrô de Pirajá, também representa um importante espaço de acolhimento, oferecendo escuta qualificada e encaminhamento seguro para mulheres que precisam de apoio imediato. Casas-abrigo podem ser disponibilizadas em casos de risco iminente, garantindo proteção temporária para a mulher e seus filhos.

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Re: Já pensou em levar sua experiência para a ficção?

L.R.: Nunca pensei em escrever ficção, embora não descarte essa possibilidade no futuro. Minha escrita, no entanto, nasce muito mais da argumentação e da observação crítica. O que me impulsiona são as cenas reais do cotidiano — aquilo que vivemos, vemos e, muitas vezes, silenciamos. No texto argumentativo, encontro fluidez; já no ficcional, certamente encontraria maior dificuldade de desenvolvimento.

A mulher que está sofrendo violência não está sozinha — e é fundamental que saiba que existem caminhos concretos de proteção, acolhimento e reconstrução. O primeiro passo é compreender que a violência pode assumir diversas formas: física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. Muitas vezes, ela começa de maneira sutil, com controle, humilhações ou isolamento, e evolui gradativamente. Reconhecer esses sinais é essencial para romper o ciclo. No Brasil, a principal proteção legal é a Lei Maria da Penha, que garante mecanismos específicos para proteger mulheres em situação de violência doméstica e familiar. Por meio dela, é possível solicitar medidas protetivas de urgência, como o afastamento do agressor do lar, a proibição de contato e a restrição de aproximação. É importante reforçar: a responsabilidade nunca é da vítima.

Nenhuma atitude, roupa, palavra ou decisão justifica agressão. Buscar ajuda não é fraqueza — é exercício de dignidade e autopreservação. Enfrentar a violência exige políticas públicas eficazes, responsabilização do agressor e fortalecimento das redes de proteção. Mas começa, sobretudo, pela informação. Conhecer seus direitos é o primeiro passo para retomá-los.

Nesta obra, Ciências Criminais III: vulnerabilidades, gênero e outros temas contemporâneos, vamos surpreender, de um lado, um grupo de oito estudos na primeira parte, intitulada “O feminino em questão”, que aborda diversos aspectos da violência familiar e sistêmica contra a mulher; e, de outro, sete estudos na segunda parte, intitulada “Outros temas contemporâneos”, com temas que atravessam o Direito Processual Penal, a Execução Penal, a Política Criminal e o Direito Penal. O azo do presente livro é trazer, um tanto mais, o debruçamento dos estudiosos nas lidas já ventiladas. Esperamos, como sempre, as críticas científicas capazes de nos fazer vibrar.

Saiba mais aqui.

Buscar ajuda não é fraqueza — é exercício

de dignidade e autopreservação.

Ligue 180

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CRÍTICA COM PIPOCA

TUDO AQUILO QUE ASSISTI

Quando o lixo se torna protagonista de um terror real Kelly Pinheiro, Cabreúva-SP

Um acontecimento nacional que repercutiu em meados da década de 80, e que acabou caindo no esquecimento dos mais velhos e sendo pouco conhecido pelos mais jovens, levanta a questão da destinação que damos ao lixo, seja ele doméstico, hospitalar ou radioativo.

Lançada em março de 2026 pela Netflix, a série Emergência Radioativa explora o acidente com o Césio-137 no centro de Goiânia. Na ocasião, um aparelho utilizado em radioterapias foi encontrado dentro de uma clínica abandonada por catadores de um ferro-velho local, que pensaram se tratar de sucata. A cápsula radioativa foi desmontada e repassada a terceiros.

Ver câmeras nas ruas da minha cidade, Cabreúva/SP, para dar vida a essa história, trouxe um sentimento conflitante. Foi interessante ver nossa região transformada em cenário, mas, ao mesmo tempo, doloroso revisitar esse fato histórico do qual me lembro vagamente.

No terceiro episódio, quando os cientistas visitam as casas das pessoas envolvidas no acidente, pude reconhecer um amigo, que na cena interpreta um policial, e as ruas do Vilarejo, bairro de Cabreúva. Senti um aperto no coração ao ver lugares familiares servindo de palco para algo tão devastador e então pensei: tragédias reais aconteceram em lares reais. É no mínimo assustador pensar que o que ocorreu há décadas poderia, pelo descaso, repetir-se em qualquer cidade, em qualquer rua.

A corrida contra o tempo para conter a radiação, isolando espaços, ruas e até um ônibus, deixou-me bastante apreensiva. Na época, o governo tentou minimizar a situação, pois não queria que o pânico se instalasse; e, tomando como base uma fase não tão distante e ainda vívida na memória mundial, a COVID-19, percebe-se que nada mudou.

Aqui na cidade, houve bloqueio de ruas no Centro também, onde resido atualmente, e foi bem legal ver a movimentação da equipe de filmagens. Mas é triste, muito triste, assistir à cena do enterro das vítimas na série, à segregação dos atingidos e ao descaso frequente do governo com os mais vulneráveis. O jogo de empurra- empurra de responsabilidades me enfurece bastante.

E o que podemos aprender com essa tragédia?

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CRÍTICA COM PIPOCA

Eu te pergunto: você destina corretamente o seu lixo? Já pensou na contaminação que você provoca no mundo? Pois pense.

É urgente refletirmos sobre como podemos colaborar com o meio ambiente. Seu lixo pode não ser radioativo, mas também prejudica o planeta e diversas outras espécies quando não recebe a destinação correta. Você se torna eternamente responsável pelo lixo que produz. Ou, pelo menos, deveria ser.

Portanto:  Cobre o seu município, através da câmara de vereadores e prefeitura, para que haja o tratamento adequado do lixo  Faça a sua parte separando corretamente cada tipo de resíduo  Reutilize sacolas plásticas em lixeiras em vez de comprá-las  Use sacolas de tecido [ecobags], evitando sacolas plásticas  Não descarte lixo nas ruas, leve seu lixo com você

Saiba mais sobre a autora aqui. IG @kcpinheiro17

Assista na Netflix

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PÕE NA ESTANTE

PÕE NA ESTANTE

o mar é uma pista de dança

Por Cilene Resende

É poesia que mergulha nas profundezas do oceano para trazer à tona versos que ecoam a imensidão das emoções humanas.

Suas poesias, vastas como o mar, misturam o misterioso e o profano, explorando amores, sonhos, temores e ambições com sensibilidade e imaginação. Como uma sereia que canta nas profundezas, convida o leitor a se perder em suas palavras, que fluem como ondas, ora suaves, ora arrebatadoras, transformando o amor e a vida em algo sublime

#poesia Clique aqui e saiba mais.

Este livro é para quem ainda se reúne em volta da fogueira.

Por Kelly Pinheiro

Quando a noite cai e o fogo crepita, o Brasil começa a contar histórias.

Assombrações do Chão Brasileiro – Mulheres que viraram medo e história reúne lendas urbanas e narrativas do imaginário popular em forma de cordel, evocando as figuras femininas que habitam estradas, matas, casas antigas e a memória coletiva. São histórias que atravessam gerações, repetidas em sussurros, olhares atentos e silêncios carregados de presságio.

#horror #terror Clique aqui e saiba mais.

Para recomeçar, é preciso coragem para encarar a verdade que se esconde em cada olhar.

Por Natália Ártemis

Lia Elizabeth, uma arquiteta brilhante, vive focada na carreira, jurando nunca mais ser refém de um sentimento que não pode controlar. Depois de um passado doloroso, ela faz de tudo para evitar riscos emocionais. Henrique Villas Boas é o executivo irresistível, sexy e provocador que ignora limites. Ele é o caos que Lia faz de tudo para manter bem longe. O primeiro encontro foi um verdadeiro desastre: uma briga épica por uma vaga de estacionamento que garantiu que seriam inimigos mortais. Mas o destino tem outros planos.

#romance #erótico Clique aqui e saiba mais.

Por Bruno Sower

Microcontos de um pai mediano é uma coletânea de pequenos textos onde são abordadas com sensibilidade artística as belezas e as mazelas de um pai de primeira viagem tentando ser presente em um mundo onde a ausência paterna parece regra.

#contos #biografia

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CLASSIFICADOS

Classificados entrelinhas: buscas, vendas artísticas e recadinhos

Me chamo Renata e há algum tempo venho estudando e praticando a cartomancia, inicialmente como um caminho pessoal de autoconhecimento. Com o aprofundamento dos estudos e das vivências nas tiragens feitas para mim mesma, percebi o potencial dessa ferramenta e decidi ampliar esse trabalho para o âmbito profissional. Acredito no incentivo que a leitura das cartas pode trazer, tanto no autoconhecimento como no apoio na tomada de decisões. A intuição também é fortalecida nesse processo. Realizo atendimentos e estou disponível para quem sentir o chamado de olhar para si com mais profundidade. Whatsapp: +55 71 99686-0223

Que tal um Clube do Livro que tem encontros presenciais? Um sonho? Não. É uma realidade, ao menos em Floripa-SC! @conexaoliteraria.sc traz bate-papo literário, café e empréstimos de livros. O Clube está com parceria aqui na entrelinhas nos ajudando a chegar a mais leitores, escritores e demais artistas independentes. APOIE seguindo e compartilhando nossas páginas!

Cinzel Onírico é a Revista do Escritor, ela te apresenta mensalmente diversas histórias criadas por autores independentes, além de conteúdo técnico de escrita e entrevistas. Você pode participar como autor ou como leitor. Conheça! @cinzelonirico.ofc

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Saiba mais através do whatsapp +55 71 99170- 8188 Tamara S. Fawkes [organização] e acompanhe por @leioentrelinhas no IG. No site abaixo você pode baixar e ler a Revista Independente te vejo nas entrelinhas grátis!

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SESC Casa do Comércio Foyer Carmem Miranda 5/6 às 17h30 Entrada Gratuita

Show “À Vontade” em Salvador

O show traz as canções do disco lançado em 2025, um trabalho que transita entre MPB e ritmos afrobaianos, com a presença de xote, bolero e samba-reggae, e também releituras da música brasileira.

Mirceia Jordana

Acompanhe no Instagram: @mirceia.jordana

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FIM

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