Uma coisa que eu sei que não sou é isentona. Não me omito para agradar ninguém, não escondo meu descontentamento por conveniência e muito menos sou bajuladora. E, olha, se eu fosse, minha vida seria outra. Com certeza.
Desde 2018, quando Bolsonaro foi eleito e o bolsonarismo ganhou força, passei a me posicionar politicamente de forma mais ativa. E não seria agora que eu ficaria em silêncio para agradar a quem quer que seja.
Meu voto é Lula. Em 2022, escolhi votar nele pela sua trajetória política e pelas políticas sociais que vi transformarem vidas, inclusive a minha. Neste ano, diante da candidatura de Flávio Bolsonaro, sigo convicta da minha escolha.
O que me incomoda é ver tanta gente resumir o voto a tirar Lula e o PT do poder, sem conseguir explicar o que espera de um eventual governo Flávio Bolsonaro ou quais propostas justificam essa escolha.
Ser contra Lula não é, por si só, um projeto de país. O antipetismo não é plano de governo, não apresenta soluções nem garante que quem venha depois fará melhor. Criticar um lado é legítimo, mas por que não exigir do outro a mesma reflexão?
Não considero Lula perfeito, mas sei por que voto nele e quais valores sustentam minha escolha. Para mim, política é sobre o país que queremos construir e as vidas que nossas escolhas afetam. Por isso, não me escondo atrás de uma falsa neutralidade nem abro mão de defender aquilo em que acredito.
No fim, não se trata apenas de quem queremos tirar do poder, mas do país que queremos deixar para quem vem depois de nós. E eu sei de que lado quero estar nessa história.