Algo que tem me incomodado é o clima de olimpíadas que tomou conta dos "supostos" leitores nas redes. A quantidade de leitura superou a qualidade. Importante é mostrar quantos livros li e não o que entendi sobre o que li.
Mas esse é um dos valores que contaminam as práticas que deveriam se constituir em hobby, em interesse genuíno.
Na verdade, numa sociedade do selfie, do "parecer ser", não poderia esperar outra coisa a não ser essa infestação de pessoas querendo etiquetar a prática de leitura como se fosse mais um elemento que complementa o desenho do perfil que se quer ostentar.
O sintoma dessa ideia que escrevo por aqui é a necessidade ainda de "legitimação", transpirada pela preocupação excessiva em relação à quantidade de seguidores ou mesmo assinantes (no caso do Substack). Se não há adesão de seguidores, não há validação dos textos.
A lógica do crescimento é a mesma que atravessa outras redes sociais. A preocupação maior não é socializar o texto, mas ter curtidas, comentários positivos e ter muitos compartilhamentos.
Para impressionar, a leitura passa a ser moeda de status em que aquele que reúne mais, tende a impressionar e deve ser seguido.
Estou fora da lógica. Quero socializar o que me incomoda, o que me move, o que leio realmente e que merece divulgação. Lógico que, como escritor que sou, gostaria de vender meu livro, mas não pretendo enterrar meus valores em troca disso. E quem quiser que conheça minhas escritas... Não tenho intenção de aderir a essa lógica do "parecer ser", até porque essa não foi uma criação que me fundamentou como pessoa.
Sigamos lendo, escrevendo, socializando e refletindo...