O arquivo registra que uma mensagem saiu às 22h14. A conversa entre duas pessoas dá outro peso ao horário: espera, medo ou uma rotina conhecida apenas por elas. Em O Perfil da Desaparecida, dado e testemunho precisam permanecer próximos sem ocupar o lugar um do outro.
Fotografias, localização e histórico de acesso limitam hipóteses. Também deixam vazios, porque nenhum registro informa sozinho se um gesto foi livre, encenado ou imposto. A lembrança formula perguntas; o arquivo ajuda a testá-las.
Bianca Neri evita transformar o perfil digital numa pessoa completa. A investigação trabalha com vestígios e assume o que ficou indeterminado. Essa incompletude protege a verdade do caso contra uma biografia montada apenas com aquilo que a plataforma conseguiu armazenar.
Texto da revista Depois do Último Acesso, em diálogo com O Perfil da Desaparecida.