Estava eu, lendo um post sobrenatural no Threads e me lembrei de quando eu era criança e meus pais, tios e avós juntavam a criançada no quintal e contavam histórias do interior de São Paulo e Minas Gerais, onde eles haviam vivido.
Uma delas era assim.
Minha avó materna estava em casa esperando meu avô, tios e meu pai, que haviam saído pra caçar, quando ouviu uma balbúrdia no galinheiro. Ela havia acabado de acender a lenha pra começar a assar pão e esterilizar os balcões e vasilhame pra começar o processo de salgamento das carnes de caça e pesca. Na época, meus pais e a família toda dos meus avós de ambos os pais viviam de caça, pesca e da colheita que eles mesmos plantavam, salvo sal, açúcar e outras coisas mais.
Então, no instante que minha avó abriu uma fresta da porta, ela não viu nada, mas dentro de alguns segundos, quando a visão dela se acostumou com o breu da noite, ela enxergou um vulto imenso e escuro saindo do galinheiro, enquanto todas as galinhas pulavam pra fora, tentando sair do caminho do ser. Ele estava de pé, como um ser humano faria, e quando ele se virou e viu minha avó, ela imediatamente fechou a pesada porta de madeira e travou ela com uma trava de fora a fora presa na parede.
O imenso monstro correu na direção da casa e subiu no alpendre, onde a casa ficava mais elevada do chão. O coração da minha avó retumbava no peito, ao ponto de ela achar que era audível a todos, inclusive ao monstro. Ele pisava na madeira da varanda e suas unhas faziam um som tenebroso. Então ele parou do outro lado da porta e empurrou a porta com um baque.
Minha vó gritou pra que ele fosse embora, pois ela tava armada e ia atirar, ao mesmo tempo que pegava a espingarda presa na parede ao lado da mesa da cozinha. Então, ele começou a unhar a madeira da porta e chacoalhava ela ao ponto da minha avó pensar que, se a porta tombasse, ela teria que atirar, fosse o que fosse.
Até que ao longe ouviram-se os latidos dos cães perdigueiros dos meus avós, sinal de que eles estavam chegando. O animal do lado de fora rosnou como uma fera e entrou em uma luta corporal com os cães. Minha avó ouviu dois tiros vindos lá de fora.
Os sons dos cães foram se distanciando, até que minha avó ouviu apenas o bater de cascos de cavalo cada vez mais perto e abriu a porta. O meu avô e meus tios pararam os cavalos e meu pai continuou em direção à casa dele, já que o ser havia corrido naquela direção, onde minha mãe estava com a primeira filha dela, recém-nascida.
Meu pai pulou cercas e charcos com o cavalo e, quando chegou, minha mãe estava lá fora com a espingarda na mão, a criança amarrada no corpo, e os cachorros do meu avô e os dela haviam se juntado pra dar uma surra no lobisomem.
Meu pai desceu rapidamente do cavalo, enquanto minha mãe atirava, e o lobisomem correu pro mato até sumir de vista na floresta. Os cães voltaram após algum tempinho. Alguns machucados, outros intactos.
Meus pais souberam no dia seguinte que a porta da minha avó e parte da parede acima da porta estavam cheias de marcas de unhas.
E assim ficaram acreditando pra sempre que o que eles viram não era apenas lenda.
Que estes seres existiam.