Havia uma maior necessidade
Precisava das palavras mas mais
Mais do que escrever, a vaidade
Lhe exigia que ela lhe escutasse
Que permitisse, que também desejasse
Não por chama, fugaz realidade
Pela alma, pela ficcional eternidade
Daquilo que líquido faz-se como um cais
Como do mar que se destilam tantos sais
Eram simples, quase naturais
Mas tão complexo, de sensações tão imortais
Quase acreditava na total felicidade
E ao piscar, dormir e acordar
Tudo bem a impossibilidade
Afinal, o que é, então verdade?
Que não memória transformada em saudade?