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Soul o Cerrado

Jaz o cerrado,

avatar por Luciana Alves de Freitas
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Sou o cerrado

Cerrado,

Esse solo seco, árido 

Arde solo...

Dos olhos, 

Nascentes dos quais

Brotam lágrimas

Quentes, salobras 

Triste, triste... 

Nos sonhos,

Aninhados bichos 

Com fome,

À espera de comida 

A vida, a vida

E então, 

Consumido pelas chamas

Jaz o cerrado,

Triste, triste... 

A mãe que volta

Ao ninho e encontra

A vida morta,

Ou nem encontra

Apenas sabe...

Sente ou, ao contrário disso

Nem sente... 

Vazio, ausência, oco...

E então, chove.

Um dia chove...

E eu te esperei

A chuva veio

Lavou, levou, livrou,

Matou...

Mas um matar, de viver

Matou a sede,

Matou a morte...

A chuva veio

E em meio às cinzas...

A vida nascente...

E as lágrimas,

São de recomeço.

Olho para dentro

E o que estava

Cerrado, se abre

E verde... e cor e flor

A vida se rende

Inteira, de uma inteireza

Que só a vida é capaz

E canta e dança e passaros...

O cerrado se veste

De vida, por todas as janelas

Escancaradas.

E me lembro da dor,

Do fogo da morte

E sorrio chorando

Sou rio...

Com a mesma alma

Que o cerrado...

Nada Floresce sem chuva...

Nada, sem amor



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