Inspiro profundamente e não solto o que iria falar.
As palavras me vêm como ondas, adornadas por conchas e tantas outras coisas…
Talvez o amor, talvez as circunstâncias…
Marolando ávidas suas águas frias, alegremente por dentro, revolvendo-se de encontro à beira-mar, plácida, fluída.
Têm a intensidade dos ventos norte, com volatilidade de rajadas fortes; dispersa minhas palavras de improviso no caminho, como águas e ventos alísios reconhecem nas praias e na morada, seu vício.
Efeito Coriolis: ninguém mais vê, nem sente como eu sinto.
Seguindo em linha reta, me desvio para a direita, sem perceber.
Admito!
Minto pra mim mesma, almejando praia, temendo a dureza de um quebr(a-mar).
Às vezes, me mudo, tentando segurar um oceano.
Me calo, evitando um tsunami ou o dissabor de um engano.
Para não transparecer nas ondas de águas límpidas, o sal que marolo em minha alma, me banho calada em palavras insípidas exalando a (mar)é calma.
Me aquieto na praia.
As areias absorvem tudo. Ou quase tudo.
MarU
Publicado originalmente por @margeuek no Threads em 26/07/2026 às 09:52.