O Aleph
I
Cheguei aos limites extremos do Universo;
A um lugar inatingível até então
Àquele ponto no espaço, onde toda a Criação
Fazia-se ver ante meu olhar disperso.
Vi tanta coisa que jamais caberia em verso:
Me senti ínfimo, insignificante; tão
Pequeno ante o Todo, um minúsculo ponto imerso
No Infinito, e, em meio àquilo, na solidão.
E então percebi que não estava só: fazia
Parte do Todo, que a tudo abrangia:
Um mar, um planeta, um Sol, um inseto;
E que era importante à obra de Deus
Pois, sem aquele ponto que eu sabia ser “eu”,
Todo o resto do Universo estaria incompleto.
II
Fui andando, assim, como quem ora
Uma ladainha antiga; e nem me dei
Que a estrada acabara; há muito, a grei
Havia perecido; já se fôra.
Fiquei eu, no abismo onde mora
O fim de tudo; feliz e só, eu parei:
Sem ter senão a volta; ir-me embora
Ou ter também ali meu fim; não sei.
Cheguei até onde ninguém, outrora,
Chegara; nenhum santo, nenhum rei;
Fui eu quem mais de perto viu a aurora,
E só então, meu Deus, eu me toquei
Que o alcançar nada valia àquela hora,
E que o trilhar não tinha preço; e, então, voltei.
@tibianchini
há 1 ano
Público
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