Todos os Fenômenos da Natureza
O que existe agora é a chuva;
A vontade da água.
O que existe é esta falta de escrita,
E esta escrita mal-escrita, que por ora,
Tento enganar, dizendo ser poesia.
Existe no ar o sucesso de sonhos impossíveis
E desejos secretos; existe
Toda a tarefa útil que não hesitarei
Em deixar para fazer outro dia
Que, até, quem sabe, possam ser amanhãs...
O que existe agora é a noite,
Pairando sobre todas as coisas que nos são
Inanimadas;
E, do que ainda resta para a chuva lavar,
Não há nada tão puro que esta misericórdia não mereça.
O que há agora é efêmero;
Como um relâmpago que vem de surpresa:
Por mais que os admiremos, por mais que nos encante,
Não tornaremos a ver de novo a sua luz.
Nada há de novo; bastam as coisas velhas
Que nem mesmo conhecemos e já nos cansamos;
Basta este descobrir contínuo de novas tonalidades
Para cores já tão antigas e apagadas.
Nada há além do que sempre existiu;
Nada além do que sempre esteve diante dos nossos olhos
E não soubemos enxergar;
E algo novo se faz desnecessário,
Quando tanta coisa ainda está implícita.
Há uma brisa que corre para todos os lados
Sem ser vista; há as folhas que caem das grandes oliveiras
Para serem devoradas pelos insetos
Ou para secarem e perecerem na infimidade das suas almas.
Não obstante, existe uma vida solta;
Um passado que não compromete
Nem tampouco glorifica
E ainda existe uma gloria incrustada em cada gota.
Há o que a chuva não dissolve; há o êxito
Que seca na argila o pesar de suas pegadas
Para que possas caminhar por entre os ínfimos
Que, pela chuva, as tiveram apagadas.
@tibianchini
há 10 meses
Público
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