IMPRESSÃO
Todos os dias são cinzentos
Numa cidade de pedra e chão
Todos se escondem da poluição
Filhos da solidão
Caras pobres em carros ricos
Caras ricas num lotação
Carros e caras são iguais:
Apenas mais uma identificação.
Cai a penumbra; nasce a planta
Longe do olhar do tecelão,
Que vai servir, no frio, de fio
De algodão
Tudo passa por nós
Tudo cabe em nossa voz
Mas não há sons no ar
Que possam acordar a multidão
Vidas que atravessam a rua
Vidas que somem numa estação
Vidas são as mesmas
Em qualquer situação
“Amar a todos” talvez não baste
Para escapar da tenebrosa guerra
- Mas o que acontece com esse amor
Quando, das cinzas, surge um novo sentimento
Talvez até mais poderoso
Talvez um novo amor
Ou uma nova forma de amar
Um dia o Sol virá
Um dia o Mar virará
Toda lágrima que puder derramar
Um coração
Esmola ao cego, que empresta
Alheios olhos de um cão;
E tem, na rua, a sua cama
De pedra e chão.
Esmola ao pobre, que ‘inda vive
De sonho e de pão...
Amar a todos talvez não seja
A solução.
Pálidos, anônimos
Pardos, pobre da Nação,
São a parte bela
Da população
Todos os dias são cinzentos:
O sol não vem quebrar
A escuridão.
@tibianchini
há 10 meses
Público
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