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@jennyrugeroni há 3 semanas
Público
Meu pai faleceu há vinte anos. Na correria dos eventos literários, só me lembrei de que hoje é Dia dos Pais quando as pessoas começaram a mandar mensagens nos grupos de Whatsapp. As coisas sempre foram um tanto conturbadas entre o latino-americano bravo, um tanto machista, e a menina rebelde, curiosa e insubmissa. Mas há algum tempo, num grupo de terapia, me ocorreu que eu precisava parar de falar mal do meu pai. Ele sempre fez o seu melhor, dentro das condições disponíveis. Com meu pai, aprendi a lutar pelos meus direitos. Ainda me lembro dele discutindo aos berros com o médico do pronto-socorro, exigindo que examinasse direito minha irmã de seis anos com 39 graus de febre, em vez de só receitar um antitérmico, afinal ele era pago para fazer seu trabalho. Meu pai também nos incentivou (na verdade, obrigou, mas quando somos muito jovens, pensamos sempre no curto prazo) a estudar até onde fosse possível, numa época em que quase não havia perspectivas para uma menina pobre. Por tudo isso, continuo sendo grata, e sempre serei.

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