TUCSON
(Poemas antigos 014)
Algumas pessoas sabem que a maioria dos meus poemas antigos foi feita para um grande amor da juventude, que me acompanhou até uns 12 anos atrás e terminou de forma um tanto complexa. Seu nome era Divina. Ela tinha olhos furta-cor, corpo escultural, sorriso maliciosamente bonito (os mais atentos já devem tê-la reconhecido em diversos poemas meus por aqui). Era uma mulher forte que enfrentava o mundo (literalmente: saiu do interior de Minas para viver a vida nos EUA, e depois de ter vencido por lá, voltou para a roça).
***
Ela é passado, mas os poemas são eternos. Havia feito estes poemas para ela. A ideia já se tornou tão irreal, tão absurda, qmas nao me importo em postar aqui...
I
Meu amor está em Tucson,
Tu, que sabes como sou,
Tu, que aceitas meus defeitos,
Arizona, here I go!
Lá, não tenho mordomias,
Nem sou amigo do Rei;
Mas amo lá uma prenda,
Amo tanto, que nem sei...
Se aqui eu não sou feliz,
Lá não serei jamais triste,
Pois lá tenho quem me diz
Que o amor por lá existe;
E sem fazer qualquer chiste,
Dar-me-á o que sempre quis.
II
Vou me embora para Tucson:
Tu, que sonhas como eu
Tu, que sangras minhas mágoas
Tu, que sentes que sou teu.
Lá tenho a mulher que eu quero,
E a cama me importa pouco;
Lá eu tenho quem mais amo
E amo, e amo como louco!...
Mas é vazia sua cama;
Talvez seja esta a sina
De todo mortal que ama...
Meu amor é brisa fina
Que dia e noite te chama:
Divina.
Não deveria mais pensar nisso. Não penso, juro. Virou passado. Hoje tenho meu Amor, "minha prenda", a mulher da minha vida.
Mas a estrutura e delicadeza dos sonetinhos, as trovinhas infantis de criança que vai para o parque e, principalmente, a homenagem ao Bandeira valem que seja publicado. Como eu sempre digo: ninguém lê, nem mesmo ela irá ler (não que me importe...)
Meu Amor está alhures,
Quanto mais longe, melhor:
Já não quero aquela prenda...
Arizona, nevermore!
Lá não há reis ou rainhas,
Lá não poderei viver:
Lá não tenho mordomias
Lá não tenho o que fazer.
Prefiro ficar aqui:
Outro amor um dia chega
Me dá um beijo e sorri!...
Meu amor não mais me cega:
Ah, meu anjo, minha nêga!
Como ainda espero a ti!...
Estou ficando piegas demais. Acho melhor parar de fazer poemas.
***
Mas, calma: isso foi há 12 anos. É como o whisky: as coisas ficam melhores com o tempo.
@tibianchini
há 8 meses
Público
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