O poema
A caneta desliza no papel, mas arranha.
Deixa nele um rastro de sujeira.
Insinua, rasga, roça, mela e assanha,
Umedece e preenche a folha inteira.
E a folha, desfolhada em poesia,
Oferece seu espaço alvo e macio;
A caneta, a desfilar em acrobacia
Sobre o branco inocente e vazio.
A caneta - mastro rijo e cuidadoso,
Deita à folha os mais belos devaneios,
A pintar a celulose com saboroso
traço de amor e sonhos, sem rodeios.
Mas a folha, já desvirginada em versos,
'Inda anseia por um desfecho sutil:
Um soneto, que desbrave os universos
Que ela própria jamais ousou nem sentiu.
A caneta é um bastão que faz carinho
na suavidade íntima e sem cor
de uma folha que recebe em seu caminho
Fino traço, a colorir o amor.
@tibianchini
há 8 meses
Público
Comentários (1)
@JuNaiane
· há 8 meses
Amei
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