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@tibianchini há 7 meses
Público
ENTRE CAFÉS E POEMAS
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Uma camisa. Aberta. Mal esconde os seios.
Uma calcinha. Rendas. Delicadamente justa.
Você anda como quem desliza ou flutua,
Roçando o interior das coxas, pé antes pé...

Debruça sobre mim. Um beijo quente
Para aquecer a manhã fria que desperta.
Não há sequer uma palavra: o "bom dia" é sorriso,
Que, sem dizer, já diz tudo, em melodia.

Deita-se ao meu lado. Com o seu pé
Cutuca de leve o meu pé, sobre o edredom:
Carícias tão íntimas quanto todas as outras
Que trocamos durante a noite.

"Agora, me traz um café. Forte".
Tal é o seu pedido, uma ordem, um afago.
Um café. Forte. Quente. "Açúcar ou adoçante?"
"Nenhum dos dois. Apenas o seu beijo me adoça".

Um gole lento, deixando que eu admire
A curva do seu pescoço, onde, há algumas horas,
Deixei marcas de mordidas e arranhões,
Que serão renovadas daqui a alguns minutos.

Espreguiça-se. Vira o bumbum para mim,
E, enquanto isso, estica os dedos em busca
De uma caneta e um papel. Inspiração.
O café, quente. Seu corpo, mais ainda.

De bruços, rabisca habilmente. Na curva das suas costas,
A omoplata banhada pelo sol, que, sobre sua pele,
Desliza passeando pelo contorno do seu quadril:
Tudo isso é o verdadeiro espetáculo.

Uma calcinha rendada e uma camisa que é minha.
Um pouco de perfume de ontem em meio ao meu suor.
É tudo o que cobre este corpo, do qual
Ainda não consegui me desconectar.

Contorno com os dedos as curvas que a renda faz.
"Para", você diz, "Senão não consigo terminar"
É um poema, eu sei. Mas, depois de ontem,
Nossos poemas não são escritos, são vividos.

Seu café acabou. O meu? Nem chegou a ser tocado.
Você se vira e sorri. Cruza as pernas.
Lê o poema com os lábios entreabertos,
como se cada palavra fosse um toque físico.

"Você me transformou em poema", você diz,
Abraçando o papel como se temesse que o poema pudesse escapar.
"Foi você quem me fez querer ser musa,
Mas é em nós que eu me torno deusa".

"A noite foi sua. A manhã? É minha.
Você me trouxe café, mas eu prefiro o sal
Que ficou na minha pele quando você foi meu".
Nas minhas mãos, o último botão arrancado da camisa.

Enlaça o meu pescoço, me puxa com as pernas,
Encosta sua testa na minha, e me invade com os olhos.
O café esqueceu de esfriar, mas outras coisas fervem,
E o poema? Este já é vida real novamente.

"Não somos poetas", eu sussurro, entre um beijo e outro,
"Somos o próprio verso."
E assim, entre cafés frios e corpos quentes,
Escrevemos - sem palavras - o epílogo perfeito.

A renda da calcinha toca o chão.
O café acabou. Os poemas também.
Só o que resta é a verdade mais pura:
Nós.

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