O Sulfite e o Pecado
O papel era branco, ingênuo, imaculado
até que a caneta – essa serpente –
deslizou seu veneno em vai-e-vens molhados,
enchendo margens de versos indecentes.
O título? Um disfarce: "Soneto Inocente".
Mas o corpo do texto, ah!, traía o enunciado:
O verso era quente, a rima, ardente,
com trocadilhos que ninguém interpreta errado...
E quando a tinta secou, já era tarde: sem mais pretextos,
o sulfite gritava "mais!" em itálico e Caixa-alta,
enquanto a caneta, satisfeita, nas folhas abertas
descansava – mas só até a próxima pauta.
Moral da história? Até o mais puro dos textos
vira pornografia culta nas mãos certas...
@tibianchini
há 7 meses
Público
Comentários (0)
Sem comentários ainda.
Entre para comentar.