Corpo de delito
Meu corpo não gosta de mim.
Meu coração faz o que quer.
Meus dedos me traem.
Minha mente busca o que eu não quero mais pensar.
Fico anos, milênios, controlando os instintos,
Suportando o "não querer",
Sufocando os suspiros.
Mas meu organismo - esse ser de carne e osso e nenhuma razão
Esse será de comportamento e moral indizível
Sempre está à espreita,
Para me desmontar em fraqueza, carência e saudade.
Não é pra ser assim. Não é assim que eu sou.
Eu sou alguém com capacidade e potencial.
Um potencial que nunca vira realidade,
Uma capacidade que nunca transborda.
Eu sou... Quem?
Alguém que sabe que causa mal ao outro,
Mas que insiste.
Alguém que sabe que deve esquecer,
Mas não expulsa da cabeça.
Alguém que pensa que a vida vai continuar,
E sempre, sempre tem razão.
Já devia ter excluído todas as mensagens,
Apagado as memórias e conversas,
Mas hoje...
Hoje, meus dedos me traíram
E eu te traí.
Traí seu desejo de não falar mais
Traí a minha própria ausência, que estava te fazendo tão bem!...
Traí a sua expectativa de que seria fácil pra mim.
Mas não fui eu. Eu não sou assim.
Foram só meus dedos, meu coração e minha mente,
Esses seres involuntários que, insistentemente,
Procuram esperanças onde só sobraram cinzas mornas...
@tibianchini
há 7 meses
Público
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