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@tibianchini há 7 meses
Público
...

Eu queria escrever um poema triste
Em um papel caríssimo de arroz japonês,
Ou num papel Amalfi italiano,
Com caneta Meisterstück

E, depois, lentamente, derramar sobre ele
O meu melhor perfume,
Para que o álcool manchasse a tinta
Como se fosse uma aquarela de lágrimas.

E, antes que o álcool evaporasse por completo,
Eu o queimaria, e ficaria admirando
Minhas palavras tristes se dissolverem
Em fumaça e cinzas mornas.

E, então, eu diria em silêncio ao meu coração:
"Está feito. Acabou. Essas palavras
Não mais irão morar em ti,
E, talvez, nem mais na minha lembrança."

Só que o coração, esse sem-vergonha,
Não entende símbolos. Ele entende é toque,
Ausência, cheiro, gesto interrompido.
E esses... não dá pra queimar.

Não, não há ritual. Há resiliência.
Às vezes, o próprio poema sabe quando acabou.
Mesmo que a gente sinta que ainda
falta algo que pode ser só o silêncio.

Às vezes, o melhor ponto final
É quando a gente para de escrever
porque já disse tudo o que doía.
Até fazer esse silêncio virar título.

Esse texto, este poema triste
É como uma confissão que termina na exaustão.
A respiração curta do arrependimento.
O que vem depois... já não é mais poema. É cicatriz.

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