@leandro-israel-a6Mdc
há 7 meses
Público
Conto: A Espadada Divina de Enlil
Na aurora esquecida do mundo, quando os mares ainda falavam com os céus e as montanhas se moviam como bestas adormecidas, havia um tempo de trevas. Um tempo anterior ao Dilúvio, quando os Neflings — os filhos malditos dos Vigilantes caídos com as filhas dos homens — caminhavam pela Terra, espalhando terror com sua estatura colossal e alma corrompida.
No coração das terras proibidas, onde as areias queimavam os pés dos justos e o ar pesava como chumbo sobre os fracos, surgiu um Nefling diferente. Maior que todos os outros. Trinta metros de puro horror, um híbrido bestial, nascido da união de um demônio ancião e uma mulher amaldiçoada. Seu nome era impronunciável, mas os anjos o chamavam de Erek-Thul, o Flagelo de Atlântida.
Os reis do mundo antigo, desesperados, clamaram por socorro. E foi então que desceu dos céus Enlil, o Guerreiro Divino, o Portador da Lâmina Celeste, aquele que marchava entre os mundos como mensageiro e juiz.
Vestido com armadura forjada nas tempestades do firmamento e empunhando uma espada feita da essência da estrela primordial, Enlil tocou o solo da Terra com passos que faziam os demônios tremerem no abismo.
No vale de Obuk-Har, sob o eclipse eterno invocado por Erek-Thul, os dois colossos se enfrentaram.
O Nefling gritou, e o som de sua voz rachou as montanhas.
Enlil respondeu com silêncio.
E então avançou.
O monstro golpeou com um tronco de árvore encantada, gritando em línguas perdidas.
Enlil desviou, seus pés não tocando o chão. Ele ergueu a espada, uma única vez, com as mãos firmes de quem fora moldado para destruir o mal.
A lâmina brilhou como mil relâmpagos.
E então... caiu.
Com uma espadada divina, de cima para baixo, como se partisse os céus, Enlil cortou Erek-Thul ao meio. Do alto da cabeça até os calcanhares, o Nefling rugeu em desespero enquanto seu corpo era consumido por chamas espirituais, gritando não só de dor, mas de incredulidade. Nenhuma criatura jamais ousara tocá-lo — e ali, em meio às cinzas do orgulho dos caídos, ele foi desfeito.
O solo tremeu. As montanhas silenciaram. E até os anjos se curvaram.
Enlil limpou a espada e ergueu os olhos para o céu, como quem diz: “Mais um.”
E voltou à luz de onde viera.
Desde então, nenhum Nefling ousou crescer tanto novamente.
Pois todos, até os demônios dos abismos, sussurram com medo:
"Enlil é o grande herói que destruiu o Nefling de 30 metros com uma espadada divina."
E assim será lembrado.
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