@leandro-israel-a6Mdc
há 7 meses
Público
"Luiza da Alma Serena" contra a depressão
Era noite quando ela chegou à cidade partida, onde a tristeza escorria pelos postes e a ansiedade se agarrava nas janelas como mofo velho. Chovia miúdo, aquela chuva fina que não limpa nada, só pesa o mundo. O povo andava curvado, não de idade, mas de angústia. Nos becos, não se ouvia gritos — só suspiros presos, choros mudos, sorrisos fingidos e o ranger dos dentes de quem luta para não desabar.
Seu nome era Luiza, e diziam que sua alma era serena. Não porque ela não sentia dor. Mas porque ela conhecia a dor e tinha aprendido a escutá-la sem se afogar nela.
Luiza andava descalça. A lama não lhe causava nojo. Era como se ela quisesse tocar o chão que tantos evitavam. Em sua mão, um bastão de luz, feito de lembranças que ela mesma havia costurado — memórias de quando quase morreu de tristeza, e também da vez que decidiu viver, mesmo sem vontade.
As criaturas da noite a observavam. Eram sombras retorcidas, com olhos que não piscavam. Obsessores, criaturas invisíveis aos olhos humanos, mas que se alimentavam dos pensamentos mais frágeis. Sussurravam mentiras:
— "Você não vale nada."
— "Você nunca vai sair disso."
— "Ninguém se importa."
Essas vozes viviam nos quartos escuros de jovens mulheres e homens cansados. Viviam nos banheiros trancados. Viviam nas redes sociais fingidas de felicidade.
Mas luiza escutava essas vozes — e não respondia com ódio, nem com fúria. Ela respondia com verdade.
— "Você não é um peso. Você é vida."
— "Eu estive aí também. Eu sei como dói."
— "O que te machuca hoje, amanhã pode te ensinar a respirar de novo."
Ela chegava nos sonhos das pessoas sem esperança. Tocava seus corações com a ponta do bastão e deixava uma luz ali, pequena, mas verdadeira. Uma luz que começava a dizer:
— "Você vai aguentar mais um dia. Só mais um. E depois mais um."
Uma vez, encontrou uma jovem à beira de desistir. Estava sentada no telhado de um prédio velho, a cabeça cheia de barulhos, o peito em guerra. Luiza não tentou convencê-la com frases bonitas. Sentou-se ao lado e disse:
— "Sabe qual é o maior poder de um coração ferido? É que ele bate mesmo machucado."
A garota chorou. E quando o choro veio, os obsessores se afastaram. Porque lágrimas de verdade queimam as mentiras da escuridão.
Luiza ensinava isso:
— Que depressão não é frescura.
— Que ansiedade não é fraqueza.
— Que quem sofre é guerreiro.
— Que buscar ajuda não é sinal de derrota, é ato de coragem.
Ela desaparecia no vento depois que ajudava. Ninguém sabia de onde vinha. Alguns diziam que era um anjo. Outros, que era uma mulher que sobreviveu a tudo. E talvez fosse os dois.
Mas o que deixava era sempre o mesmo:
uma semente de coragem dentro da alma de quem estava quase apagando.
E ali, naquela cidade partida, as luzes começaram a reaparecer nas janelas. Primeiro uma. Depois outra. E outra.
Até que a tristeza já não tinha onde morar.
Se você estiver lendo isso e estiver lutando no escuro:
a história de luiza é pra você.
Não desista.
Você é mais forte do que pensa.
E você não está só.
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