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há 1 semana
Público
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Maré
Franthesca Kally – 21/05
A vida corre como uma maré, tão rápida em certos instantes
Que mal percebemos quando nossos pés estão afundando na areia
E, ainda assim, há dias em que o tempo se arrasta em silêncio
Como um barco perdido sob neblinas densas
O céu muda de humor sem pedir licença
Há manhãs azuis, abertas como se fossem promessas
E tem noites em que as nuvens carregam tempestades
Capazes de inundar até os pensamentos mais fundos.
Somos feitos desse encontro impossível
Do mar revolto e do horizonte calmo
Com o vento que enlouquece as ondas
E, ao mesmo tempo, a lua que as conduz em segredo
Um lado de nós despenca para a loucura, como falésias feridas pelo oceano
Gritando contra ventos que ninguém vê
O outro tenta permanecer racional
Reto como tronco antigo, fincado preso na terra mesmo perante as tempestades
Mas a natureza nunca escolhe apenas um caminho
O rio transborda, a mata cresce torta em busca de luz, em busca de mais oxigênio
Os relâmpagos rasgam o céu
E ainda assim anunciam chuva para fazer flores nascerem
Talvez viver seja exatamente isso
Carregar tempestades no peito enquanto fingimos calmaria na superfície
Ser maré alta e maré vazia, ser céu aberto e furacão
Ser humano demais para permanecer inteiro o tempo todo