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Público
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Entre o Sal e as Cinzas
Franthesca Kally 11/06/2020
O mundo está cheio de caos, enquanto muitos fingem não ver
O verão e o inverno já não chegam como estações, mas como excessos
Um escaldando a pele até o osso, outro congelando a esperança nos dedos
Dois extremos mergulhados na anormalidade, como se a própria Terra tivesse desaprendido o equilíbrio
Há mar, há areia, há o brilho dourado do sol sobre as ondas
Mas até a beleza parece distorcida quando observada pelos olhos de um tempo em chamas
Os poderosos repousam em varandas confortáveis, vestidos de sorrisos doces ditando o que é belo
O que é aceitável, o que merece aplauso
Enquanto isso, os demais apertam o cinto ao redor da cintura, não por vaidade
Mas para sobreviver a mais um dia em meio à escassez que corrói silenciosamente
E, entre queimadas imensas, não apenas as florestas ardem: queimam os sonhos, queimam os nomes, queima a coragem de ser
Tudo parece deformado, como miragens dançando sobre a areia quente
Ou reflexos quebrados sob o gelo do inverno, as pessoas correm atrás de rostos que não lhes pertencem
Tentam vestir destinos alheios imitam vozes estranhas, esquecendo-se da necessidade mais urgente: a de buscar quem realmente são.
Porque talvez o maior desastre não seja o verão que incendeia, nem o inverno que congela, mas a vida vivida como cópia
A existência moldada para caber no desejo dos outros
E o mar continua imenso, beijando a areia com a mesma insistência antiga
Como se ainda sussurrasse, por entre o caos do mundo: não há beleza maior
do que permanecer verdadeiro
Quando tudo ao redor insiste em distorcer quem você é