*Metamorfose*
Nada havia, mas havia a fagulha;
O desejo de felicidade, a ânsia de completude.
Nada ainda havia, mas, desse nada, algo começou a crescer
Um sentimento intenso, bonito e sem nome.
Era amor? Paixão? Desejo? Não sei;
Não dependia apenas de mim descobri-lo.
Não era algo que se pudesse impor ou exigir.
Nem, tampouco, algo que eu pudesse controlar.
Alimentei nesse sentimento, cuidei bem dele.
O mostrei à sua dona e inspiradora.
Era dela, era por ela, e bastava uma palavra
Para que descobríssemos, juntos, o seu nome.
O chamei de tudo: de Amor, Paixão, Desejo,
E entreguei a ela o seu destino.
Mas ela o chamou de Pecado, Ilusão, Covardia,
E me devolveu, sem nem ao menos o desembrulhar.
Então, peguei esse sentimento
O envolvi na mais fina seda das intenções,
E o enterrei em local fértil,
Escondendo-o dos olhares de todos...
Se for apenas o meu coração,
Ele logo apodrecerá sob a terra,
Irá se desfazer e se dissolver na escuridão,
Até que, um dia, nada mais exista daquele sentimento.
Se for um tesouro,
Lá ele permanecerá, intacto,
Aguardando que alguém, mais persistente,
O resgate e lhe dê valor
Mas, se for uma semente,
Ah, em breve ele vai brotar...
Trazer-me nova vida e novos frutos,
E não haverá mais como escondê-lo!...
@tibianchini
há 5 meses
Público
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