#desafio 290
—Se não fosse…—
Se não fosse
esse orgulho ferrenho
e a sua indiferença,
poderíamos estar vivendo
o agora,
juntos em corpo
e presença.
Pela manhã,
acordaríamos
nus e agarrados,
refrescaríamos o hálito
para os beijos
e tomaríamos café,
aos risos,
muito animados.
Nos despediríamos
para um dia corrido,
mas trocaríamos mensagens
a cada minuto
de tempo disponível.
Para “nós”,
nunca estaríamos ocupados,
seríamos cúmplices
de um amor compartilhado.
Ao findar o trabalho,
correríamos
para o nosso encontro
diário,
falaríamos
sobre qualquer coisa,
nunca faltaria assunto,
a não ser…
que nossos olhos
entrassem em contato.
Aí,
a temperatura
subiria de nível
e a conversa
seria na cama,
despidos…
nos amaríamos
com a fúria
da paixão.
Sentiríamos
nossos corpos
fundidos…
e o cansaço,
o tormento,
e tudo
que tivesse acontecido
no dia,
iria embora,
gasto,
até que descolássemos
nossos corpos
exaustos,
descansaríamos.
Minha cabeça
em seu peito suado,
onde ouviria
seus batimentos
acelerados,
nossas pernas enroladas,
suas mãos entrelaçadas
em meus cachos,
com o poder
de quem pode
simplesmente
agarrar minha nuca
e, recobrando
as energias,
recomeçar tudo de novo…
até raiar um novo dia
ou acabar o mundo
todo.
MarU