As Minas de Prata: Segunda Parte - Capítulo XVIII: Como cede a glosa ao enigma As Minas de Prata · Capítulo 41 de 73
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As Minas de Prata: Segunda Parte - Capítulo XVIII: Como cede a glosa ao enigma

O aposento onde se achavam os dois personagens era uma vasta sala, sombria e triste, pelo desenho fantástico dos lambéis que forravam o alto das paredes, e as almofadas de jacarandá negro que cingiam a volta das cadeiras. Carregava esse tom severo a pouca luz que entrava pelas persianas dos balcões, a essa hora próxima da noite.

D. Fernando ergueu-se ameaçador, e caminhou para Vaz Caminha:

-- Qual é vossa tenção, senhor? perguntou com a voz trêmula.

-- Já que Deus pôs em minha mão esta arma terrível, usarei dela para castigar o vosso coração mau, e assegurar a felicidade de um mancebo virtuoso e bom.

-- Então o que outrora vos pareceu indigno da vossa profissão, por ser mister de algoz, não vos repugna praticar agora?...

-- Outrora vossa mãe vivia e éreis vós uma inocente criança; hoje a mísera senhora faleceu, e vos tornastes um mau homem, soberbo e vão. Também eu mudei; como advogado e homem de lei, recusei o mandato; como instrumento, inda que humilde, de que serviu-se a Providência para recompensar a virtude e punir o vício, não me posso eximir a um dever sagrado. Corrigirei a obra de ódio e vingança tornando-a em lição de justiça e verdade, tirando-lhe a solenidade do escândalo. Se não renunciardes para sempre à mão de D. Inês, seu pai saberá a história do vosso nascimento. Eis, senhor, a minha tenção!...

-- Pois deveras pensaste, velho estulto, que eu deixaria o meu destino à tua discrição, quando te posso esmagar aqui como um verme abjeto que és?... Restituí-me já o testamento de meu pai, ou acabarás à ponta deste punhal!

-- O testamento que tenho em depósito é de D. João de Ataíde, não de vosso pai!... respondeu o velho sem alterar-se.

-- Não escarnecei da minha cólera, velho!

-- Como posso, se dela hei dó e compaixão!

-- O testamento?...

-- Em vindo aqui, deixei-o lacrado dentro do meu e confiado a pessoa segura, para ser aberto quando conste o meu passamento. Portanto se quereis vê-lo, matai-me depressa!...

O moço patinhou de raiva; afinal caiu sucumbido sobre a cadeira; o punhal escapou-lhe dos frouxos dedos e rolou no tapete. Depois de uma pausa, o advogado ergueu-se:

-- Agora me dirá o muito alto e poderoso Senhor D. Fernando de Ataíde, se ainda pretende oferecer a D. Inês de Aguilar, com a mão assassina que não duvidará ferir um velho inerme, o nome que traz do matador de seu pai?

-- Que queres tu de mim, Satanás? Ordena, já que me tens em tuas garras!

O velho teve dó desse desespero:

-- Perdoai-me, senhor, a grande dor que vos fiz passar. Deus me é testemunha, que se não fosse a vossa cruel zombaria, nunca teria a coragem de apelar para o terrível segredo, devesse eu tragar as lágrimas que a vossa recusa me arrancaria. Mas sepultemos isso no passado donde não devia surgir nunca; esquecei este mau sonho. Nada pois vos ordeno, nem tenho esse direito; sim renovo a minha súplica: renunciai ao casamento...

-- Dou-vos minha palavra!...

-- Deus vos recompensará deste sacrifício. Mas aquele a quem vossa palavra deve restituir a esperança perdida, não a pode ouvir de vossa boca nem da minha... Sabeis que há coisas tão melindrosas que não se transmitem sem alterar-lhes a essência. Fazei a graça completa dando-me vossa palavra escrita!

-- Para que ele suspeite do mistério horrível que me fez vosso escravo?... murmurou o fidalgo amargamente.

-- Se eu quisesse que Estácio Correia concebesse a mais leve suspeita a esse respeito, não carecia de pedir a vossa palavra, bastava que lhe assegurasse sob minha fé, que pelos motivos de mim conhecidos e que em tempo revelaria, vossa aliança com a casa de Aguilar era impossível. Não me conheceis, Senhor D. Fernando; este homem que vistes há pouco implacável para arrancar-vos a felicidade de seu filho, leva daqui uma dor acerba, a de ter perturbado a calma de vosso espírito; ele não quererá agravar o mal sem necessidade.

D. Fernando serenado por essa palavra insinuante e suasiva, que o penetrava como bálsamo espargido nas chagas vivas, sentou-se à banca e escreveu:

“Por minha honra neste mundo...”

-- Posso eu escrever ainda esta palavra? perguntou ao advogado com um sorriso acerbo.

-- Escrevei-a sem hesitar; sois apenas desgraçado. Perante Deus só há uma qualidade de honra, é a virtude.

“Por minha honra neste mundo e minha salvação no outro, juro que em caso algum me desposarei com a Senhora D. Inês de Aguilar, filha de D. Francisco de Aguilar; e se por desgraça e vileza

minha o fizesse, o que espero em Deus que não, dou à pessoa, em cujo poder esta minha declaração se ache, o direito de com ela açoitar-me as faces, e proclamar-me o infame dos infames.”

Depois de escrito, entregou ao advogado o papel.

-- Acho-o por demais severo!...

-- Punge-me a consciência do passado, doutor. Essa lepra nada há já que a possa arrancar d'alma em que vai lastrando!...

-- Mísero senhor!... exclamou Vaz Caminha enxugando duas lágrimas.

D. Fernando carecia da solidão.

-- Que mais desejais de mim? perguntou o moço.

-- Ainda tenho dois pedidos que fazer-vos. É o primeiro, que não comuniqueis a vossa resolução a D. Francisco, senão quando vos eu advertir!...

-- Oh! não! Deixai romper de uma vez esses laços!...

-- É impossível, Senhor D. Fernando. Sem essa cláusula a vossa desistência fora inútil.

-- Compreendo agora, suspirou o mancebo com azedume; é preciso que eu fique guardando o lugar até que chegue a vez do mais ditoso!...

-- E pesa-vos concorrer para a felicidade de dois entes dignos dela?... Estou que não; deveis essa reparação à memória de vossa boa mãe!...

-- Qual é o outro pedido vosso?...

-- Esse quase o dispensava, pois creio que o objeto dele já está em vosso pensamento. Heis de proteger a pobre criatura enjeitada...

-- Sabeis onde ela existe e qual seja? perguntou o fidalgo estremecendo.

-- Nada sei de positivo; mas o Senhor D. João de Ataíde tinha suspeitas, que não chegou a tirar a limpo. Conheceis uma rapariga que vive de ser alfeloeira?...

-- Mora para as bandas de São Francisco?

-- Justo! gente da rua a chama a Enjeitada da Parteira!...

-- A Joaninha?...

-- Se as conjeturas de D. João de Ataíde não erraram, deve de ser ela.

O moço escondeu o rosto nas mãos, para ocultar à luz do dia o rubor da vergonha e humilhação.

E agora sabe-se a razão por que no dia seguinte jogava D. Fernando na taberna do Brás um jogo do inferno.

Vaz Caminha deixou-o afinal e foi-se em direção da casa de Estácio.

O velho caminhava ligeiro como quem ia leve de cuidados; mas eram ao contrário os impetuosos pensamentos a encapelarem no cérebro, que o impeliam com tamanha força para o alvo. Dando trégua à tristeza que lhe deixara a cena passada em casa de Ataíde para entregar-se exclusivamente à tarefa que tomara a si de assegurar a felicidade do seu filho adotivo, o doutor ruminava ainda uma vez o plano concertado em sua mente.

Desde que perdeu a esperança da soltura do moço, o advogado resolvera partir para São Sebastião e na qualidade de mandatário do filho de Robério Dias, receber de D. Diogo de Mariz o roteiro das minas de prata. Essa resolução ainda mais se firmara em seu ânimo, quando soubera da súbita partida do P. Gusmão de Molina, a qual viera como asselar as suspeitas, comunicadas na véspera a Estácio. Não podia o advogado porém cometer a empresa da viagem sem levar procuração do afilhado, e deixar-lhe a esperança que o fortificasse para resistir à prisão. Na incerteza do casamento de Inesita, temia o velho pela vida do mancebo.

O mais difícil para a execução desse plano era pôr se em comunicação com Estácio. Sabia Vaz Caminha que ele estava no Castelo de Santo Alberto e incomunicável, pois lho dissera o governador; mas o meio de chegar ao cavalheiro através dos grossos muros de cantaria batidos pelas ondas e das espessas abóbadas guardadas dia e noite pelos mosqueteiros, era o que não sabia o velho.

-- Deus ajudará!... dizia ele consigo. Tenho por onde começar, já não é pouco!...

O astuto velho assentara que o primeiro passo a dar era saber ao certo o cárcere onde tinham metido o moço, e sua posição no castelo. Ele partia desse axioma de geometria que não se pode tirar uma linha sem conhecer os dois pontos extremos. Era pois à solução desse problema da situação de Estácio que descia o advogado aos saltinhos a ladeira na direção da Ribeira, em busca da casa de D. Mência.

Os solavancos que lhe fazia dar o íngreme e ab-rupto da ladeira resistindo ao seu passo leve demais, o levavam tão desconcertado pela montanha abaixo, que ia-lhe sucedendo um desastre. Foi de peitos contra a testa de uma pessoinha que vinha subindo à corrida cega. Felizmente quitou-se do perigo pelo susto; caiu sentado, com o causador do acidente embrulhado ao colo. Abaixando os olhos para ver aquele improvisado nenê, deu o advogado com o rosto brejeiro e petulante de Gil.

-- Oh! oh!... maganão!... disse o advogado rindo e beliscando a orelha ao pajem. Andas à tuna!...

O menino já estava de pé, sacudindo a terra da garnacha do advogado.

-- Sua mercê me escuse!... A pressa com que vinha!... murmurou o pajem sofreando o riso.

-- Vieste muito a propósito: pois que ia mesmo à tua procura para me levares aonde mora um tal Esteves, pescador.

-- Ui!... Que quer dele o senhor licenciado?...

-- Naturalmente encomendar-lhe peixe. Para que serve um pescador?... Vamos; segue adiante.

Gil não gostou dessa incumbência, e sem o respeito que tinha ao mestre e padrinho de seu querido amo, ali plantaria o velho a olhar para o tempo, e sumir-se-ia num pestanejar. Foi pois resmungando lá consigo e de muito mau modo que obedeceu à ordem, e desceu a ladeira.

O Esteves morava num casebre fora de portas à beira da praia que se estendia para a barra, mas a pequena distância dos antigos muros da cidade. Para lá ir atravessou Gil a colina onde está hoje situado o passeio público. Ao chegar à aba da colina, avistaram o pescador que arrastava em seco a canoa cheia de peixe.

-- Lá o tendes, senhor licenciado. Não vedes que puxa a canoa?...

-- Sim; vejo, aquele rapagão forte!...

-- Boa estopa de gente, como dizem os companheiros dele!...

-- Pois vai-te, que já não careço de ti. A esta hora estarão chamando por teu nome.

-- Quem me chamaria, lá não está!... disse o pajem suspirando.

-- Embora, vai sempre!... disse o advogado dando-lhe um piparote no nariz.

Gil não se moveu; mas vendo que o advogado se voltara para olhá-lo, tomou seu partido, e disparou à carreira para a cidade. Vaz Caminha então endireitou para o canoeiro, que lhe ficava ainda a tiro de berço.

-- Sois vós o Esteves, pescador?

-- Para vos servir, senhor meu!...

-- Não me conheceis?... Eu sou o padrinho de Estácio!...

-- Ai, senhor! Que novas me dais do pobre moço?... Pois é certo que o prenderam?...

-- Certíssimo! Mas isso que vos aflige tanto, é porque o estimais?...

-- A igual de pai ou irmão, ou de um com outro!...

-- Por bem dele, seríeis capaz de arriscar a vossa vida?

-- Mas sem dúvida! Não fazia senão o que ele já fez por mim!...

-- Quando isso?...

-- Uma tarde que andávamos no mar, veio uma chalupa que nos pôs a canoa em frangalhos e atirou-nos de catrâmbias pelos ares. A terra nos ficava três tantos como daqui à Vitória. Pois o moço não empurrou para mim o uru que ele tinha agarrado, e começou a nadar valente atrás da chalupa?...

-- Ah! ocultou-me essa circunstância!... murmurou o advogado enternecido.

Voltando-se para o mar onde se erguia o castelo, mandou seu pensamento beijar a fronte do mancebo por aquele ato de abnegação, como pela modéstia e nobreza com que o calara, narrando a história de seus amores.

-- Felizmente também salvou-se por um milagre!... acrescentou o pescador.

-- Pois, Esteves, careço de saber hoje mesmo com segurança em qual dos cárceres do castelo puseram Estácio, e se é possível fazer chegar-lhe às mãos um papel! Lembrei-me de vós para isso, por saber quanto lhe sois dedicado!...

-- Fazei de mim, senhor meu, como for de vosso contento e agrado, desde que é para bem dele!

-- Despejai a vossa canoa, enquanto vos eu explico!...

Uma vozinha flautada soou pela nuca do advogado.

-- Se é para saber onde está o cavalheiro, não é preciso!...

-- Olé! o Gil?... Onde estavas, rapaz?

-- Ah! brejeiro, que me lograste!... disse o advogado reconhecendo o pajem. Mas que dizes tu?... Sabes onde está ele?...

-- Não soubera! acudiu Gil vaidoso. Se eu não descansei enquanto não consegui. Em antes de ontem quando o prenderam, vim seguindo para ver onde o levavam. Do mar ele me mostrou o castelo; e então corri de um fôlego só de lá aqui; saltei na canoa de Esteves, que andava apregoando seu peixe por essas ruas, e toca a remar. Ele está ali dentro, disse eu fazendo as minhas contas, e há de me ouvir e dar algum sinal. Pus-me a cantar umas trovas que ele me ensinou, rodeando por bem perto do castelo, como quem não queria a coisa, mas com o olho vivo e o sentido alerta!... Vai senão quando eu bispo uma coisa, assim a modo de farinha, caindo na canoa; olho para cima: eram uns torrões de caliça que atiravam de dentro por uma fresta estreitinha que não é capaz de caber esta mão fechada!... Então eu vi que era ali que ele estava!...

-- Só por isso?... perguntou o advogado abanando a cabeça.

-- Não vê que eu havia de deixar as coisas em dúvida; para me certificar bem, calei a boca, não cantei mais; as bolinhas também pararam. Torno eu a cantar por baixo da fresta, e não só a caliça a cair, mas um assobio que não me engana, ainda que quase se não ouvia pelo marulho forte!...

-- Agora sim! Mas, pirralho, se tu soubeste isto há dois dias, por que não me foste logo dizer?...

O pajem fitou no velho um olhar petulante:

-- Pois se Sua Mercê foi causa de o meterem lá dentro!... Fui dizer a quem o quis livrar da guarda lá na Graça, e o há de livrar da prisão.

-- Quem é esse?...

-- O maior amigo dele, o Sr. Cristóvão, que foi quem mandou o Capitão de Mato João Fogaça, homem cá do meu peito, esse tal!... Capaz de ir no inferno buscar o Tinhoso pelas orelhas!...

-- Pois agora trabalharemos todos juntos esse impossível a ver se o conseguimos.

-- Agora mesmo quando topei com o sr. licenciado ia eu para lá, porque o Sr. Cristóvão me disse que estivesse de espreita e logo que aparecesse alguma coisa de novo lhe fosse levar. Ora inda agorinha mesmo vi eu lá na fresta uma tira de pano branco assim pestanejando como bandeirola!... Quem sabe o que é?...

-- É ele que te chama sem dúvida para dizer alguma coisa. Vai sem detença ver.

Acabava Esteves de esvaziar a canoa e pô-la a nado; Gil saltou dentro, e a remo teso vogaram pela baía afora em direção ao castelo. Aproximando-se do rochedo submarinho, fronteiro à seteira designada pelo pajem, parou o barquinho, e os dois, um na popa, outro na proa, começaram a pescar a anzol. Gil soltou o seu descante.

A bandeirola branca de que falara apareceu outra vez na seteira; solta ao vento, adejou pelos ares, e foi cair longe sobre as ondas. A canoa singrou rápida como um peixe naquela direção; com espanto de ambos o pano boiava sobre a água, e só lentamente e depois de algum tempo foi-se afundando; mas Esteves atirou-se ao mar, e mergulhando foi agarrá-lo quando ele ia já sumindo-se da zona esclarecida das vagas.

De posse do objeto tornaram os dois à praia, onde os esperava o advogado, que de longe acompanhara com a vista toda a manobra. O curioso Gil tratou logo de examinar a bandeirola para saber o que desejava Estácio; porém por mais que virou e revirou a tira de pano branco, nada viu que pudesse orientá-lo. Afinal cansado de procurar, dobrou-a e meteu na algibeira:

-- O que manda ele? perguntou Esteves.

-- Sei cá!... respondeu Gil despeitado. Isso é lá gíria dele! Só o velho a pode entender!...

Vaz Caminha recebendo o misterioso objeto das mãos de Gil, esticou-o entre os dedos, e esteve observando-o por algum tempo com séria atenção. Ele sabia que um homem inteligente como Estácio, na posição difícil em que se achava, era capaz de transformar o mais insignificante objeto em um instrumento de sua vontade; e pois procurava ler naquele fragmento de lençaria como em uma esfinge.

Afinal seus olhinhos cintilaram:

-- Já sei!... já sei!... murmurou. À noite lhe levareis o que ele pede, Esteves!... Aqui estarei ao escurecer!...

-- Mas o que pede ele, senhor licenciado?...

-- Depois vos direi. Vinde!...

Vaz Caminha e o pajem voltaram à cidade; em meio do caminho interrompeu o velho a sua meditação para perguntar ao menino:

-- Gil, tu viste de perto e por duas vezes a seteira do cárcere; podes tu dar-me com certeza a largura dela?...

-- Esperai, senhor licenciado!...

-- Caberá esta cana?

-- Até o castão, duvido, tão estreita é!... respondeu o pajem apalpando a bengala.

-- Mas a ponta?

-- Essa com certeza!...

-- Está bem; podes ir-te a casa. Não é preciso que refiras o que é passado a mais ninguém; quando for necessário, eu mesmo recorrerei ao Senhor Cristóvão de Garcia!... Entendeste, pequeno? Olha, não faças mal a teu amo, querendo fazer-lhe o bem!...

-- Ai, não; eu vos prometo nada dizer; mas ao menos dai-me alguma esperança que me sossegue!...

-- Breve beijarás a mão a teu cavalheiro, e o verás satisfeito e feliz!... Estás contente?

-- Deus vos ajude, senhor licenciado!... Que contentamento terei!

Vaz Caminha entrou na primeira loja aberta que encontrou para descansar da longa caminhada, e mercar alguns objetos de que tinha necessidade.

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