O botão que não foi fundido
O botão que não foi fundido
No retorno, Peer encontra menos glória do que julgamento. A vida que ele imaginava como epopeia começa a parecer uma sequência de adiamentos. O Fundidor de Botões surge como imagem severa: aquilo que não se tornou plenamente si mesmo pode ser derretido e reaproveitado.
Peer tenta provar que foi alguém, que teve forma, que possuiu uma essência própria. Mas suas histórias, antes tão úteis, já não bastam. O acerto de contas não é com a fama, e sim com a verdade.
Ao fim, é em Solveig que a obra encontra sua nota mais humana. Talvez Peer tenha se perdido de si, mas alguém o guardou de uma maneira que ele jamais soube guardar a si mesmo. A pergunta permanece aberta, luminosa e incômoda: onde esteve Peer Gynt, de fato, durante toda a sua vida?