Quadro segundo Abel e Helena · Capítulo 2 de 2
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Quadro segundo

Quadro segundo

Cascais, Pedrinho, Benjamim, Juca Sá, e povo, depois sucessivamente, Góis & Companhia, Alferes Andrade, Nicolau, Helena, Pantaleão, quatro músicos italianos, depois Abel, e, afinal um feitor

CORO E MARCHA -- Chega, chega, minha gente,

a casa do inteligente

literato Pantaleão!

Muita comida e bebida

(Isto é coisa decidida!)

deve haver nesta função.

(Durante o coro colocam dois negros algumas cadeiras à direita.)

GÓIS & COMPANHIA - (Entrando.)

I

-- Somos Góis & Companhia

qualquer mais cotó!

GÓIS -- Nos vimos um bom dia

lá no Cabrobó.

COMPANHIA -- Desde então -- quem tal diria?

somos dois e um só!

CORO -- Eis o Góis & Companhia,

qualquer mais cotó!

II

ALFERES ANDRADE (Entrando.)

-- Eis o Alferes Andrade

que vem se mostrar!

Incompatibilidade

entre o militar

e o escritor, em verdade,

ninguém pode achar!

CORO -- Eis o Alferes Andrade,

bravo militar!

NICOLAU (Entrando com Helena, que vai se sentar à direita.)

III

-- Eis o padrinho de Helena!

Eis o Nicolau!

Quero casar a pequena

porém, sem...(Sinal de dinheiro.)

babau!

Mas enfim não vale a pena

me fazer de mau. (Senta-se ao lado de Helena.)

CORO -- Eis o padrinho de Helena!

Eis o Nicolau!

PANTALEÃO (Entrando.) -- Este pimpão literato

é o Pantaleão!

Vou dar sem espalhafato,

uma reunião,

só para ver se combato

o ignorantão!

CORO - -- Este pimpão literato

é o Pantaleão.

REPETIÇÃO DO CORO -- Chega, chega, minha gente, etc.

(Durante o coro, tomam Todos lugares. O povo e os músicos no fundo. Entra Abel e confunde-se com o povo.)

PANTALEÃO - Está aberta a sessão! Tem a palavra, como presidente desta reunião, meu amigo, compadre...

PEDRINHO -... e quase parente...

PANTALEÃO - ... Senhor Nicolau Madureira.

NICOLAU (Ergue-se. Pausa.) - Meus senhores e minhas senhoras... Não! Quero dizer: Minhas senhoras e meus senhores... (As mulheres primeiro, depois os homens)... eu não estou acostumado... eu não tenho o hábito... eu não tenho o hábito de falar em público... (Por esse lado nunca irei à glória)... Meus senhores... Minhas senhoras e meus senhores... Não!... meus... minhas... eu não tenho o hábito de falar em público... de falar em público... em público...

ALFERES ANDRADE - Está bom! Já se sabe!

NICOLAU - Minhas senhoras e meus senhores, ei não tenho o hábito de falar em público... eu não tenho o hábito... (Hilaridade. Nicolau protesta.) ... O hábito da rosa! (Baixo a Helena.) Isto foi para não dizer sempre a mesma coisa... (Aos circunstantes.) Eu não tenho a prática... (Satisfeito por ter achado outro termo.) A prática! a prática!... Eu não tenho a práticas das lides

oratórias... Consenti, minhas senhoras e meus senhores, que eu presida sem falar e que aqui o compadre Pantaleão fale sem presidir. (A Pantaleão.) Compadre, restituo-lhe a palavra! Mande vir um copo de água para molhar a minha. (Pantaleão faz um sinal a um negro que sai. Nicolau senta-se. Silêncio.)

PEDRINHO - Fale o dono da casa.

Todos - Apoiado. (O negro volta; traz uma bandeja com dois copos d’água. Nicolau serve-se de um e Pantaleão toma conta de outro.)

PANTALEÃO (Erguendo-se e deitando o copo sobre a cadeira em que estivera sentado.) - Povos desta freguesia, não é a uma festa vulgar que aqui vindes assistir! Não se trata de batizar alguma criança, isto é, de encher o pandulho à minha custa! (Bebe um gole de água.)

PEDRINHO - Mesmo porque, se houvesse rega-bofes, a entrada não seria franca...

BENJAMIM - Não interrompas o orador! Adiante!

PANTALEÃO- Este dia é especialmente consagrado às coisas da inteligência! Nós temos capitalistas, proprietários, fazendeiros, negociantes, etc; mas ah! não temos literatos!...

Todos - Apoiado! Apoiado!

PANTALEÃO - Esta freguesia embrutece-se! (Bebe um novo gole d’água.)

Todos - Apoiado! Apoiado!

PEDRINHO - Viva a adesão!

PANTALEÃO (Apontando para Pedrinho, Benjamim e Juca Sá.) - Aqui estão estes senhores: três estudantes, isto é, três homens do futuro! Os moços que a pátria contempla com alguma esperança, que vivem mais em contato do que nós com a literatura, que são da corte, que o digam: Meninos... mancebos! em algum dos que aqui estão achais uma fisionomia que indique as longas noites de insônia passadas na companhia amiga de um bom livro?

PEDRINHO (A Benjamim e Juca Sá.) - Vamos procurar! (Examinam, cada um de seu lado, as caras dos circunstantes e voltam a seus lugares. O Alferes Andrade fica muito despeitado.) O senhor vigário é o que tem a melhor cara

BENJAMIM - Nem uma olheira!

JUCA SÁ - Nada!

PANTALEÃO - E, caramba, isto é uma pouca vergonha!... (Com o caramba! de Pantaleão alguns se assustam. Góis & Companhia, que estavam a cochilar, caem sentados. O alferes desembainha instintivamente a espada. Restabelece-se o silêncio.) A fim de descobrir entre nós homens de talento foi que instituímos este concurso. Todos, sem distinção alguma, serão igualmente admitidos. (Bebe outro gole d’água.) São três as provas de hoje: decifrar uma charada, responder a uma pergunta enigmática e glosar um mote. Quem glosar o mote, responder à pergunta e decifrar a charada, receberá das mãos da Senhora Dona Helena, este livro... (Entrega a Helena um exemplar impresso da Filha de Maria Angu.)

PEDRINHO - E que livro é esse? Dá licença? (Toma o livro e lê o título.) A Filha de Maria Angu.

ALFERES ANDRADE - Ora via! Uma paródia! uma paródia!...

NICOLAU - E o que tem que seja uma paródia?

ALFERES ANDRADE - Vi-a representar... É a maior bagaceira... (Com energia, puxando pela espada.) E não me digam que não é!...

NICOLAU - Quem foi que disse, Seu Alferes? Guarde a durindana, homem!

ALFERES ANDRADE - É assim que o Senhor Pantaleão de los Rios quer fazer literatos: dando-lhes de presente A Filha de Maria Angu!

PEDRINHO - Não seja tolo, Seu Alferes!

ALFERES ANDRADE (Tirando a espada.) Isso é sério?

PEDRINHO - Muito sério!

ALFERES ANDRADE (Embainhando a espada.) - Eu logo vi! Comigo ninguém brinca...

NICOLAU - Ora ali está uma espada de que não se pode dizer: --Nunca saiu da bainha.

PANTALEÃO - Eu continuo! Meus senhores, ânimo! Puxai pela inteligência! Disputai gloriosamente A filha de Maria Angu! (Aos músicos.) E vós, ilustres maccaroni, fazei vibrar as cordas de vossas harpas e rabecas! (Bebe água.)

Todos - Apoiado! A música! A música! (A música toca desafinadamente.)

NICOLAU - Excelente orquestra, compadre!

PANTALEÃO - Meia dúzia de maccaroni, que estão de passagem na freguesia... Tocam regularmente... (Outro tom.) Vamos principiar a luta da inteligência. (Tirando do bolso um periódico.) Neste número da Gazeta de Notícias acha-se a charada. (Tirando outro periódico.) Neste, a decifração. (Dando uma das gazetas a Nicolau.) Leia compadre: é a que está marcada à margem.

NICOLAU (Lendo.) “Assuntos do dia... Houve grande rolo ontem na Rua de São Jorge... A feiticeira vermelha...” Não é isso! “O nosso amigo...” Onde está? Ah! “Charadas”, cá está ela! (Lendo.) “Uma, três. Tomo esta fazenda, sento-me nela; tem graça!”

PEDRINHO - Convém observar que a charada é da novíssima reforma; portanto “Tomo esta fazenda...

ALFERES ANDRADE (Triunfante.) - Eu sei, eu sei!... Eu sei o que é!...

PANTALEÃO (Em tom de zombaria.) - Então você sabe o que é?

ALFERES ANDRADE - Sei! quem é que diz que não sei?... (Tirando meia espada.) “Tomo esta fazenda... (Aponta com malícia para Helena.) Ora, quem há de ser a fazenda?

PANTALEÃO - Isto é de mau gosto, seu alferes. Está enganado! Vamos: “Toma esta fazenda, uma...”

GÓIS - Uma... uma o quê?

PANTALEÃO - Uma sílaba! É boa!

GÓIS - O quê? a sílaba?

COMPANHIA - Não; ele disse -- É boa --, assim como quem diz -- É burro.

PANTALEÃO - Tomo esta fazenda, sento-me nela, três...

GÓIS - Três o quê?

COMPANHIA - Cala-te.

PANTALEÃO - O conceito: -- Tem graça...

GÓIS - Não acho.

NICOLAU (Repetindo, de mau humor.) - “Uma, três. Tomo esta fazenda e sento-me nela; tem graça!”

PANTALEÃO - Vamos! vamos! É matar no ar.

GÓIS - Mosca!

COMPANHIA - Pilhéria!

ALFERES ANDRADE - Paródia

PANTALEÃO - Fala cada um por sua vez! Quem disse - mosca?

GÓIS - Fui eu.

PANTALEÃO - Como é que explica?

GÓIS - O senhor disse que era de matar no ar. O que é que se mata no ar? (Como quem mata uma mosca.) Mosca...

NICOLAU - Mosca me parece você.

PANTALEÃO - Quem disse pilhéria?

COMPANHIA (Timidamente.) - Fui eu, mas retiro a expressão.

ALFERES ANDRADE- Eu disse paródia! E ele é! O que é que tem graça? Paródia! (Murmúrios.)

PANTALEÃO - Venham outros! Então? Ninguém? (Todos se põem a pensar. cascais, Pedrinho e Pantaleão são os únicos que observam.)

ABEL (Apresentando-se.) Dá licença?

PANTALEÃO - Pois não! A entrada é franca! (À parte.) Quem será?

NICOLAU - Decifrou a charada? (À parte.) Quem será?

ABEL - Sim, senhor. Tomo esta fazenda: brim; sento-me nela, cadeira...

ALFERES ANDRADE (Interrompendo.) - Brincadeira! Brincadeira! Achei!

ABEL - Brincadeira, sim.

ALFERES ANDRADE (Triunfante.)- Fui eu que disse!

PANTALEÃO - Seu alferes, está ficando insuportável! Cale-se!

ALFERES ANDRADE (Tirando a espada.) - Insuportável! retire a expressão!

PANTALEÃO - Ora, deixe-se disso.

ALFERES ANDRADE (Tranqüilamente.) - Está bom. (Guarda a espada.)

HELENA (Satisfeita, à parte.) - Foi ele, foi ele!

NICOLAU - O que tem você, menina? Parece estar sentada em alfinetes!

PANTALEÃO - Toque a música! (Música dos italianos.) Vamos agora à pergunta enigmática. (Dando um papel a Nicolau.) Leia, compadre.

NICOLAU (Lendo.) - “Que diferença há entre o senhor vigário e um rei?”

ALGUNS - Nenhuma! Nenhuma!

CASCAIS - Como nenhuma?

ALFERES ANDRADE (Triunfante.) - Nenhuma! nenhuma!... Desta vez achei!

GÓIS - Eu sei: é que o senhor vigário diz missa e um rei ouve.

COMPANHIA - É que um rei é barbado e seu vigário não é. (Aparece Abel.)

HELENA - Ele! ele!...

NICOLAU - O que é isso, menina? (A Abel.) O senhor sabe a diferença?

ABEL - Sim, senhor.

NICOLAU (À parte.) - Este diabo tem cabeça!

ABEL -- Deixai-me dizer-vos, senhores,

que a diferença é bem certa:

o rei tem c’roa fechada

e o padre tem c’roa aberta.

Todos - Muito bem! Muito bem! (Abel é cumprimentado.)

PANTALEÃO - Um belo improviso!

PEDRINHO - Toquem a música. (Os italianos obedecem.)

PANTALEÃO - Agora o mote: (Dando outro papel a Nicolau.) - Compadre, leia...

NICOLAU - Eis o mote. (Lendo.) “Meu bem será sempre meu.”

ALFERES ANDRADE - Ora, isto é fácil! Eu já adivinhei!

PEDRINHO - Adivinhou o quê, seu Alferes?

ALFERES ANDRADE - Adivinhei o mote!

PEDRINHO (À parte.) Forte bruto! (Alto.) Pois diga.

ALFERES ANDRADE (A Nicolau.)- Como é a adivinhação?

NICOLAU - Que adivinhação?

ALFERES ANDRADE - O mote.

NICOLAU (Maçado.) - “Meu bem será sempre meu.”

ALFERES ANDRADE -(Depois de repetir, com ênfase.)

Eu juro por tudo quanto é mais sagrado

eu juro por meu pobre pai que há muito já morreu

que meu bem será sempre meu!

PEDRINHO - Pode limpar as mãos à parede!

PANTALEÃO - Isso não são versos, meu amigo!

ALFERES ANDRADE - Então o que são?

PEDRINHO - Ora cale-se! (Gesto do Alferes Andrade.)

COMPANHIA - Dá licença?

PANTALEÃO - Diga.

COMPANHIA (Com lirismo.) -- Na brisa dos meus ardores,

dos belos anjos de Deus,

cai um fonte nas flores,

meu bem será sempre meu.

PANTALEÃO (Depois de uma pausa. A Nicolau.) - Você entendeu, compadre?

NICOLAU - Homem, não entendi... mas os versos me parecem harmoniosos...

PANTALEÃO - Tenha paciência, repita.

COMPANHIA (Com certo receio.) -- Na brisa dos meus ardores

dos belos anjos de Deus

PEDRINHO -- cai uma fonte nas flores

meu bem será sempre meu.

É harmonioso, mas não tem sentido. Você há de fazer escola, você há de fazer escola!

GÓIS (Avançando timidamente.) - Brincadeira!

PANTALEÃO - Saia, saia! (Abel aparece.)

HELENA - Ele outra vez! Ele!

NICOLAU - O que é isto, menina?

ABEL - Dirijo-me ao Senhor Nicolau Madureira e a esta interessante senhora...

HELENA - Fale, fale!

NICOLAU - Menina!

ABEL - ... e digo:

Que importa um tutor das dúzias

um desalmado tutor

as suas bênçãos recuse-as

a meu puro e casto amor,

se no peito casto e puro

um coração tenho eu,

porque baixinho murmuro:

-- no presente e no futuro

meu bem será sempre meu!

Todos - Muito bem! muito bem!

HELENA (Depois das mais) - Muito bem!

NICOLAU - Menina!

PANTALEÃO - O que diz dos versos, compadre?

NICOLAU - Homem, aquela alusão aos tutores... Isso quanto à essência. Quanto à forma, não há o que se lhe diga.

PANTALEÃO (Dirigindo-se a Abel.) Dou-lhe sinceros parabéns, senhor... Como se chama?

ABEL - Abel de Souza Faria.

PANTALEÃO - Ah! então é o professor, cuja nomeação me foi comunicada, como delegado literário que sou?..

ABEL - Sou eu mesmo.

PANTALEÃO - Então, viva o novo professor!

Todos - Viva! viva! Toca a música! Viva!

FINAL

CORO -- Bravo, meu caro professor!

Do prêmio foi merecedor!

Bravo, meu caro professor.

ALFERES ANDRADE (Com raiva.) - Eu fiz figura má...

PANTALEÃO -- Caramba! me venceu!...

ABEL -- O prêmio! Venha o prêmio! O vencedor fui eu!

Todos Venceu!

HELENA (À parte.) -- Mete Abel, por ser tão belo,

a Todos num chinelo!

ABEL -- Venha o meu prêmio!

Todos -- Venha esse prêmio!

sem mais proêmio!

HELENA -- Pois um ditado,

muito acertado,

o prometido

diz que é devido.

Todos -- Demos-lhe o prêmio!

NICOLAU (Amável a Abel.) -- Há de deixar que o presidente

sinceramente

o cumprimente...

Folguei de descobrir

que tem ilustração

quem vem distribuir

a pública instrução

nesta povoação.

(A Helena.) Olha esse prêmio que saia!

HELENA - -- O prêmio aqui está! (Nicolau tropeça.)

Não caia!

Todos (Enquanto o livro é entregue por Helena A Abel.)

-- Bravo, meu caro professor, etc.

NICOLAU (A Abel.) -- Às suas ordens nossa casa está

Sem cerimônia, pois não há senhoras,

vá hoje mesmo jantar lá.

HELENA (Com sentimento.) -- Nós jantamos às três horas...

Para a mesa vamos às três horas...

ABEL (Cortesmente) -- Eu pontual serei;

às três horas não faltarei.

HELENA (À parte.) -- Ai! que prazer o meu!...

Jantar ao lado seu!

CASCAIS (Baixo a Abel.) -- Então, está contente?

ABEL (Baixo a Cascais.) -- Mais estaria, certamente,

se o Nicolau ‘stivesse ausente!

De nós afaste este sandeu,

conforme já me prometeu.

CASCAIS (No mesmo.) -- Ainda não; depois...

Não passe de nós dois...

(Ouvem-se fora vozes confusas e tropel de animal.)

PANTALEÃO -- Estranhos ruídos.

milhões de alaridos

a nossos ouvidos

eu sinto morrer!

Todos -- Nós Todos ouvimos,

nós Todos sentimos,

mas não descobrimos

o que possa ser!

O FEITOR (Entrando pelos fundos.)

-- Eu caio aqui como uma bomba

para trazer notícia má!

Seu Nicolau, não faça tromba!

Todos -- Vamos ouvir... O que será?!

NICOLAU (Declamando.)-- É o feitor lá da fazenda!

O FEITOR -- Vim a galope de longe anunciar

um caso de espantar!

Oh! que desgraça horrenda!

Houve um levantamento

e muito violento...

NICOLAU (Declamando.) -- Aonde? quando, homem de Deus?

O FEITOR -- Esta manhã, lá na fazenda!

NICOLAU -- Bom! vou partir pra fazenda!

HELENA -- Dindinho, vá para a fazenda!

ABEL (A Cascais.) -- Então? Que diz? Nem de encomenda!

NICOLAU -- Que maço! partir pra fazenda!

ALFERES ANDRADE -- Vá s’embora pra fazenda!

Todos (Cercando Nicolau.) -- Vá pra fazenda!

Vá, vá!

vá já!

HELENA -- Vá já, meu dindinho;

é bom o caminho...

(Consigo.) Ah! ah!...

Vai-se o dindinho de Helena;

e ela vai ficar...

Ai! com certeza a pequena

há de aproveitar

Sim, porque não vale a pena

desaproveitar

Vai-se o dindinho de Helena

Helena vai ficar!

Todos (A Nicolau.) -- Vá pra fazenda!

Vá, vá!

Vá já!

ABEL -- Senhor, atenda:

Vá pra fazenda!

Não se arrependa!

Todos -- Vá sem tardar,

sem demorar!

Corre! corre, ó Nicolau!

Segue! segue o teu feitor!

Corre, corre tudo a pau!

Volta, volta vencedor!

(Durante o coro, carregam Nicolau com um grande capote, mala, guarda-chuva, botas de montar, chicote e chapéu de palha. Despedidas de Nicolau e Helena.)

[(Cai o pano)]

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