Minha Carreira Financeira Minha Carreira Financeira · Capítulo 1 de 1
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Minha Carreira Financeira

Minha Carreira Financeira

Sempre que entro num banco, perco a compostura. Os guichês me intimidam, os funcionários me confundem, o silêncio do dinheiro me parece solene demais. Eu sabia disso, mas meu salário subira para cinquenta dólares por mês, e achei que um homem nessa posição precisava de conta bancária.

Entrei decidido a agir com naturalidade. Imediatamente, todos pareceram olhar para mim. Pedi para falar com o gerente, em voz baixa, como se tratasse de assunto de Estado. O gerente levou-me a uma sala reservada, supondo talvez que eu fosse milionário ou criminoso.

Quando me perguntou o que desejava, respondi que queria abrir uma conta. Ele relaxou. O interesse desapareceu de seu rosto com uma rapidez que me feriu. Conduziu-me a um funcionário comum.

Ali começou a catástrofe. Entreguei meus cinquenta e seis dólares. O funcionário fez perguntas simples, mas, em minha cabeça, tudo soava como exame público. Assinei onde mandaram, errei onde pude, e já queria fugir.

Então decidi retirar seis dólares para despesas imediatas. Em vez disso, por puro nervosismo, preenchi um cheque de cinquenta e seis. O funcionário perguntou se eu desejava retirar tudo. Eu, incapaz de confessar o erro, respondi com dignidade absurda que sim, cada centavo.

Os empregados ficaram em silêncio. Peguei o dinheiro, enfiei-o no bolso e saí, convencido de que minha reputação financeira estava destruída. Desde então, guardo dinheiro em lugares menos formais. Um banco é excelente instituição para quem não se transforma em idiota assim que cruza a porta.

Leacock faz dessa pequena vergonha um retrato perfeito da vida moderna: nem sempre somos vencidos por grandes tragédias. Às vezes basta um balcão polido, um formulário e alguém esperando nossa assinatura.

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