O DESPERTAR O dia em que sai do meu corpo · Capítulo 8 de 10
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O DESPERTAR

Ao ver que acordei, minha filha aciona a campainha para chamar a enfermaria, ainda exaltada, chega ao lado do leito e me pergunta?

– Acordou? Tá tudo bem?

–Oi??? Respondo quando paro de tossir.

Pergunto sem entender o que estava acontecendo, olho para ela, depois olho para as mangueiras presas em meu corpo, olho em volta e me dou conta que estou em uma cama de hospital, levanto o braço e fico olhando para o acesso do soro no braço esquerdo e pergunto?

– Ué? O quê aconteceu? Por quê estou aqui?

– Tu tava dormindo e não queria acordar. Responde ela com olhos levemente marejados.

Nisso, chega uma enfermeira e fala:

– O moço acordou então? Está tudo bem seu Luís?

Respondo que sim, meio automaticamente, ainda sem entender o que estou fazendo ali.

-Vamos tirar só a sonda de alimentação, o soro e o equipamento vão continuar ligados até o doutor vir te avaliar. Avisa ela.

Olho para Liza ainda sem compreender o que tinha acontecido, não vejo nada de diferente no meu corpo, nenhuma dor, nenhuma parte faltando, nenhuma parte quebrada… questiono:

-E tua mãe e a Mimu?

-Mamãe tá em casa descansando, ela ficou a noite aqui, e a Mimu, veio comigo aqui meio-dia e foi levar a tia Jan (Janna) para casa, deixa eu avisar a mamãe que tu acordou.

-O quê? A Mimu foi dirigindo levar a tia Jan sozinha? Pergunto abismado, pois Michaele, até então, ainda não havia dirigido sozinha.

-Sim, os tios não puderam vir e a tia falou que ia indicando o caminho.

Ela falava enquanto liga para o número da sua mãe, escuto o som da chamada que toca e toca por diversas vezes, sem que ela atenda.

– Ainda deve estar dormindo, vou mandar mensagem, espera, vou tentar falar com a Mimu.

Dizendo isso, ela liga para a irmã, que por incrível que pareça, atende.

-Oi, Mimu, avisa a mamãe que o papai acordou… sim está bem… diz pra ela vir logo… NÃO! Vai logo. Tchau!

Desliga o telefone e começa a digitar no grupo da família:

GRUPO, FAMÍLIA 🎪 🎊.

Liza: “O belo adormecido acordou e está bem.”

Tio Je: 🙏 🙏 🙏

Tia Jan: precisa alguma coisa? Precisa que vá ai?

Liza: acho que não, avisei a Michaele e mamãe já deve estar vindo.

Tio Jonnes: 👍

Tia Zefa: 👏 👏

Tio Geraldo: Quem foi o príncipe que deu beijo? Kkkkk

🤣🤣🤣🤣

…

Nesse tempo a enfermeira termina de retirar a sonda, faz uma checagem nos demais equipamentos e me dá um lenço para limpar as narinas.

-Prontinho, agora só esperar o doutor vir ver e, se for o caso te dar alta, já avisamos ele, mas parece que ele está terminando uma cirurgia, então só aguardar.

-Obrigado! Agradeço.

Limpo minhas narinas, mas sinto uma náusea e mal-estar em função dos equipamentos intrusivos que estavam inseridos em mim, recém-retirados, mas permaneço com a sensação dos tubos inseridos, é horrível, tenho um início ânsia de vômito, mas controlo e pego um pouco de água que está sobre a mesinha do lado.

Olho com os olhos arregalados para minha filha e erguendo a palma da mão esquerda para cima 🤷, falo:

-Mas… o que quê aconteceu?

-Sei lá, ontem de noite tu não acordou pra comer, a gente te batia e tu não respondia, achamos que tinha morrido.

-Meus Deus que loucura! E como que vim para aqui?

-Os tios chamaram uma ambulância…

-Ambulância!!! afff…

-É, e te carregaram pra cá.

-Ai que vergonha! Mas eu não tenho nada.

-Mas a gente não sabia…

Tento lembra de tudo que aconteceu no dia anterior, e realmente, só me recordo do momento que me deitei e comecei a relaxar, depois disso não me lembro de mais nada até o momento em que acordei minutos atrás.

Liza me põe a par dos acontecimentos que ocorreram durante o tempo que estava desacordado, quando dou conta que estava usando uma fralda, pergunto se tinha roupas minhas ali, ela aponta para a bolsa.

-Acho que já posso tirar essa fralda né?

Ela dá de ombros e me entrega uma cueca e uma bermuda e sai pela porta e encosta ela. Rapidamente me troco, ali mesmo, sobre o leito e, por fim, enrolo a fralda, não havia nada nela.

-Deeeeu, pode entrar! Grito.

Quando ela volta, eu entrego a fralda para ela jogar fora.

-Éééca!!

-Tá limpo, não tem nada guria.

Segurando a fralda com as pontas dos dedos e fazendo careta ela vai até o banheiro descartar o material.

-Eu tô é com fome! Exclamo.

-A gente pode comer sushi depois. Sugere ela com um sorriso maroto.

Algum tempo depois, chega minha esposa junto com a Michaele, ela me dá um beijo e pergunta como que estou, se já estava me sentido melhor.

-Sim, mas nem tava sentindo nada! Respondo.

Michaele chega ao meu lado e me cutuca com o dedo indicador dizendo:

–Papai! Tá vivo???

–Tô com fome! Trouxe comida?

-Não!

-Já pode ir embora, o que o médico disse? Pergunta Re.

-Ainda não fui liberado, a enfermeira disse que ele estava terminando uma cirurgia.

-Ixi, então vai demorar.

-Ela disse que já estava terminando.

Enquanto aguardamos a chegada do médico, ficamos conversando tentando entender o que havia acontecido, digo que para mim, eu estava só dormindo, que não havia sentido nada nem ouvido nada desde quando adormeci no dia anterior.

Nisso chega a copeira com uma bandeja com um sanduíche, suco de laranja em caixinha e um pote de gelatina de framboesa.

-Trouxe uma comida de verdade para o senhor, deve estar com fome né?

-Bah! Parece que adivinhou, agora a pouco estava falando para elas que estou morrendo de fome.

-Só imagino, desde ontem sem comer nada.

Ela deixa a bandeja sobre a mesinha e se vai, agradecemos e parto para o sanduíche.

-Estão servidas? Pergunto para as meninas, sem a menor intenção de dividir.

-Não! Pode comer.

Mal finalizo a refeição, o médico chega, cumprimentando a todos.

-Boa tarde! Então? O homem acordou? Como que o senhor está se sentido seu Luis?

-Bem respondo.

-Vamos examinar para liberar o senhor, sabe o que aconteceu?

-Não, só me lembro de ter dormido depois do almoço e quando acordei, estava aqui deitado, mas não estou sentindo nada de errado, só um pouco de enjoo.

-Respira fundo e solta o ar bem devagar. Diz o médico colocando estetoscópio, primeiro sobre o meu peito e depois nas costas ao mesmo tempo que examina monitor cardíaco .

Pega oftalmoscópio do bolso e com o polegar esquerdo levanta a pálpebra do meu olho direto, examina e faz o mesmo procedimento com o olho esquerdo.

-Tudo normal, os exames não detectaram nada, é um caso bem estranho, talvez só um mal súbito, mas por hora podemos liberar.

-Ele pode ir trabalhar, não precisa ficar de repouso? Pergunta minha esposa ao médico.

-Olha, os exames não apresentaram nada, e neste momento os sinais vitais estão todos normais, se não apresentar nada daqui pra frente, não vejo problema nenhum. O Senhor trabalha com o quê?

-Serviço público, administrativo.

-Assim, se sentir qualquer coisa nas próximas horas, dor de cabeça, enxaquecas, náusea, vômito, tontura ou dor em alguma outra parte do corpo, volta pra cá. Tá bom?

-Certo, entendido! Respondo.

-E mesmo se não tiver nada, é bom fazer novos exames nos próximos dois ou três meses. Prontinho, liberado! Exclama o médico após assinar o documento de alta e complementa:

-As gurias da enfermaria já vem tirar os equipamentos.

-Muito obrigado doutor! Agradecemos quase que em coro.

Boa tarde e bom feriado!

O Profissional sai do quarto, a gente se olha, como se perguntássemos um ao outro, “e agora?”. Mas não demora muito, as enfermeiras chegam empurrando o carrinho de apoio.

-O moço tá liberado para ir pra casa então? Vamos tirar o acesso do braço e o monitor.

Após, levanto-me do leito e coloco o chinelo de dedos, havaianas, que haviam trazido junto com minhas roupas, tiro a camisola do hospital e coloco uma camiseta azul sem estampa.

Pegamos nossas coisas e nos despedimos dos profissionais do hospital agradecendo pela atenção dispendida e desejando bom trabalho para todos e a todas.

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