Carta a Emília que serve como de proêmio O Filho do Pescador · Capítulo 1 de 21
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Carta a Emília que serve como de proêmio

Carta

A EMÍLIA

QUE SERVE COMO DE

PROÊMIO

Tantos são os respeitos, e tão sincera é a estima, que vos tributo, virtuosa Emília, que não acho desculpa que plausível seja, recusando-me ao vosso pedido. A leitura da vossa última carta me fez plenamente ver que muito produziu em vossa imaginação a leitura do meu poema ou romance — Os Três Dias de um Noivado *. Estou contente. Agora exigis de mim um romance em prosa: a tarefa é-me difícil, não pela obra em si própria, mas pelas pessoas a quem ele se deve dirigir; porque me dizeis que desejais um romance para vós, vosso marido, vosso filho e vossa filha! Que tarefa! Um romance para uma senhora casada e mãe; para um marido e pai, e enfim para dois jovens!. .. De quantos sei, nenhum conheci digno disto, e este de que lanço mão é só em falta de outro melhor. Vós julgá-lo-eis. Como minha verdadeira amiga e próxima parenta, conto com a vossa indulgência: quando não puderdes combinar com o meu modo de pensar, rogo* Obra que estava inédita, quando se publicou este romance

vos que me não arguais sem previamente me ouvirdes. Conto-vos, pois, uma história, que me hão contado. Escrevo para agradar-vos; junto aos meus escritos o quanto posso de moral, para que vos sejam úteis; juntolhes as belezas da literatura, para que vos deleitem. Não corrijo este meu escrito, porque essa honra vós lhe fareis! Se me compreenderdes, tenho chegado ao fim a que me propuz. Onde me julgardes muito conciso, estudaime, e então compreendereis mais do que digo e até o que não digo; mas onde me virdes muito difuso, crede que há muito mais do que o que digo! Entendei-me e serei feliz. Tenho saudades de vós. O vosso fiel amigo, T. e Sousa.

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