Capítulo 1 — A primeira janela
Na manhã em que a cidade perdeu o vento, Lia encontrou uma janela aberta no alto da casa abandonada. As cortinas permaneciam imóveis, mas uma folha de papel atravessou a rua e pousou diante de seus sapatos como se tivesse escolhido aquele destino.
O bilhete trazia apenas um desenho: três torres, uma ponte e um círculo dourado sobre o mar. Lia guardou o papel no bolso e seguiu a linha das fachadas, observando as venezianas fechadas. Em cada uma delas havia um pequeno sino de cobre, todos silenciosos.
Ao tocar o sino da casa azul, ela ouviu o vento do outro lado da parede. Era um som baixo, preso entre madeira e pedra, esperando uma fresta. Lia empurrou a janela com as duas mãos, e a cidade respirou por um instante.