Capítulo 2 Uma Canção de Amor - Imagine Kai · Capítulo 1 de 3
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Capítulo 2

Seul

Maitê Silva

Mano do céu, quais são as chances de eu pegar o elevador com dois idols famosos da SM?

Fico olhando para eles, que parecem não me notar, e me atrapalho na hora de tirar a foto, mantendo a postura. Até consegui tirar uma selfie, porém o gravador de vídeo ficou ligado e comecei a me desesperar.

Se eles perceberem que está gravando, vão achar que eu sou alguma sasaeng que deu um jeito de entrar disfarçada na empresa para persegui-los.

Só gente desocupada e sem uma carteira de trabalho para assinar tem tempo para ficar seguindo os idols.

Quando finalmente consigo interromper a gravação, os olhares deles focam em mim. Dou uma risada meio sem graça por ter sido notada em uma situação tão constrangedora.

— Está tudo bem, senhorita? — o de cabelo platinado, que reconheço ser o Taemin do grupo Shinee, pergunta, parecendo curioso.

— Ah... é... sim, está tudo sob controle. — respondo com meu coreano péssimo e só torço para que entenda.

— É que você está vermelha e parece preocupada com algo. — Taemin observa e me olho no espelho, vendo que estou com o rosto corado.

— Você não trabalha aqui, né? Eu me lembraria se tivesse visto alguém com o cabelo enrolado. — o de cabelo preto, que já sei que é o Kai do EXO, expressa, me encarando.

Que vontade de sair correndo e nunca mais voltar.

Só não faço isso porque tenho uma entrevista a fazer.

— É... eu vim para... uma entrevista com o CEO da empresa. A SM Entertainment é bastante famosa. — digo, tentando disfarçar meu nervosismo.

— Ah, o sunbae Lee comentou algo sobre entrevistar alguém. Bem, boa sorte, porque vai precisar. — Kai fala, e não consigo saber se aquilo foi genuíno ou se está com tédio.

— Puta merda, o elevador está subindo e nem vi! — Taemin exclama ao olhar a seta no visor.

— Porra, Taemin! Assim a gente vai se atrasar! — Kai reclama e fico apenas observando.

— Relaxa, o Jimin é compreensível, talvez nem tenha chegado ainda, já que avisou que ia resolver outra coisa.

— Se fosse só o Jimin, estaria ótimo; o problema é que o Ravi não gosta de atrasos. Já estou até vendo ele xingando até a nossa próxima geração por isso.

As portas do último andar se abrem e apenas saio sem ser percebida pelos dois, ando pelo extenso corredor com uma tapeçaria que deve valer uma fortuna. Respiro fundo, tentando melhorar minha cara de constrangimento, não quero causar uma má impressão logo na entrevista. Fico lembrando mentalmente o que devo dizer para tudo dar certo enquanto bato na porta e a minha entrada é liberada.

— Bom dia! A senhorita deve ser a Maitê. — o CEO profere, fazendo um sinal para que eu me sente.

Nem parece que recebeu não sei quantos processos no rabo, não sei como o nome da empresa não ficou manchado com isso.

— Bom dia! Sim, sou eu mesma — falo, indo me sentar. Agora vem a parte difícil: fazer contato visual.

Iniciamos a entrevista, que começou bem, agindo de forma ensaiada, como vi inúmeras vezes com outras pessoas que faziam o processo seletivo. Lee Soo Man elogiou meu currículo, além de ver minhas experiências. Apesar de terem sido poucas, pelo menos ele reconhece meu esforço.

Por alguns momentos acabava desviando o olhar dele sem perceber. Quando fez algumas perguntas, não consegui escutar por conta do barulho da cidade, que me fez perder o foco, mesmo estando medicada. Senti como se minha mente tivesse desligado bem naquele momento, levando-me para um mundo que eu criei dentro da minha própria cabeça, onde penso em meu hiperfoco, que é por capivaras.

— Senhorita? Está me escutando? — Soo Man me chama, tirando-me do meu transe.

— Sim, eu tenho especialização em colorimetria. — respondo, achando que a pergunta era essa.

— Eu perguntei se você está disposta a viajar para fora para cuidar dessa parte dos meus artistas.

— Ah, me desculpe, estou sim, não tenho filhos e sou solteira, então é uma boa oportunidade.

— Perfeito, bem, essa semana darei a resposta, é um prazer conhecê-la.

— O prazer é todo meu, senhor Lee.

Levanto-me da cadeira fazendo um gesto de agradecimento, retiro-me da sala e me encosto na parede, soltando o ar que nem sabia que havia prendido. Deus, eu dissociei bem no meio da entrevista. Espero que Soo Man não tenha percebido, o que duvido muito que não tenha acontecido; os neurotípicos sabem quando alguém é atípico.

Ok, a parte mais desafiadora passou. Espero não ser rejeitada por isso.

Respiro fundo e arrumo meu cabelo antes de ir para o elevador. As portas se abrem e entro nele, apertando o térreo, sabendo que vai levar uma eternidade para chegar. São 11h05 da manhã e, no Brasil, já é noite. Mesmo assim, mando uma mensagem ao meu irmão contando como foi a entrevista.

O elevador se abre e vejo uma mulher bem vestida que não aparenta ser um dos artistas da SM. Ignorei sua presença, vendo as últimas notícias no Instagram dos grupos que acompanho. Olho por cima do celular, vendo que ela não para de me encarar.

Eu, hein, mulher estranha, parece que nunca viu uma cacheada na vida.

Voltei a olhar para a tela do aparelho até que ela faz um comentário que me incomoda.

— Você não tem vergonha de ser gorda?

Tenha santa paciência, não é nem horário de almoço e essa quenga já tirou minha paciência.

— É que passei por um momento de depressão e sofro de ansiedade constante, por isso estou acima do peso. — falo o que não é mentira, mas meu metabolismo é acelerado.

— Me desculpa, eu não sabia disso. — ela pede desculpas, constrangida com o comentário que fez. Fico satisfeita por ter devolvido.

— Na próxima, controla sua língua antes de falar besteira para uma pessoa que você não conhece.

As portas do elevador se abrem e a mulher sai correndo com o rosto vermelho de constrangimento. Olho o visor, indicando que é o quinto andar. Outra pessoa entra, mas dessa vez é um idol que não consegui reconhecer, presumo que seja de algum grupo criado recentemente.

Eu só acompanho o EXO, BTS, GOT7, Twice, Blackpink, Dreamchater e KARD; não tenho obrigação de saber de todos os grupos que têm na SM.

Inclusive, já me lasco porque as Armys e as Exo-Ls são rivais; todo dia é uma briga diferente entre elas.

Tudo falta de uma carteira de trabalho para assinar.

Desligo o celular após ver as últimas notícias, ajeito mais uma vez meu cabelo até que a pessoa, que pela voz é um homem, me elogia:

— Seu cabelo é muito bonito, parecem aqueles cachos de fotografia.

A comparação foi péssima, mas pelo menos não foi racista.

— Obrigada?

— Nunca te vi por aqui, é nova?

— Ah, não trabalho aqui, na verdade vim para uma entrevista de emprego,

— Sério? Faz tempo que o sunbae não contrata alguém, pelo seu sotaque, presumo que seja estrangeira.

— Sou brasileira, vim para a Coreia do Sul a trabalho.

— Ah, Brasil, o fandom de k-pop brasileiro é bem animado e muito acolhedor. Espero que, na minha próxima turnê, faça show por lá.

— Brasil tem seus defeitos e problemas sociais, mas, em comparação com a Coreia do Sul, é mil vezes o melhor lugar para se viver. A propósito, você é um artista solo ou faz parte de algum grupo?

— Faço parte de um grupo, chama-se NCT. Sou o líder geral, mas faço parte da sub-unidade nomeada de NCT 127, onde também sou líder. Começamos há menos de dois anos.

— Entendi, deve ser difícil liderar um grupo e uma sub-unidade.

— Um pouco, mas com o tempo acaba pegando o jeito.

O elevador finalmente chega ao térreo, aceno em forma de despedida para ele e deixo a empresa. Quando estou na metade do caminho, lembro que nem sequer perguntei seu nome.

Tudo bem, eu pesquiso depois sobre o NCT. Preciso comer logo antes que minha glicemia caia.

Continua...

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