Prólogo A Loja dos Futuros Descartados · Capítulo 1 de 28
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Prólogo

Um castiçal. Uma bola de basquete. Uma bicicleta velha – e com os pneus já ressecados e murchos. Uma guitarra branca, com escudo plástico imitando um casco de tartaruga. Uma chave de veículo, num chaveiro em forma de capacete. Uma caneta esferográfica, dessas que se aperta um pino para guardar a ponta. Um disquete antigo, daqueles de 5 polegadas. Tudo, atrás do vidro da vitrine, misturado a centenas de outros cacarecos.

Ele olhava tudo, parado em frente à porta. Cada item do mostruário tinha pendurado uma pequena cartolina, menor que um cartão de banco. Na bola de basquete, dizia: “$ 350.000,00”. Na caneta, “$ 150.000,00”. O disquete valia mais de três milhões e a bicicleta, meros cinco mil reais. Na guitarra, o cartão dizia: “$ 2.000.000,00”.

Mas ele sabia que o que importava mais era o que vinha escrito atrás de cada um desses cartões. “Algumas etiquetas escondem mais do que mostram”, pensou. Colocou a mão no bolso e puxou o conteúdo: um isqueiro, as chaves do seu carro, um drops de hortelã já pela metade, e uma moedinha de 50 centavos de cruzeiro. “Isso tem que ser suficiente”, ele pensou, confiante que o dono da loja era um negociante perspicaz.

E, quando ele finalmente tomou coragem e abriu a porta, o sininho de latão deu alguns badalos fracos, mas audíveis o bastante para que o velho, do outro lado do balcão, no fundo da loja, levantasse os olhos e sorrisse:

— Ora, ora… Que bom que você veio. Já estava ansioso depois de tanto tempo de espera!...

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