Fuga pela liberdade! Sob o Céu Escarlate! · Capítulo 1 de 1
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Fuga pela liberdade!

Chen Mei Lian

China - Dinastia Ming, 1375 d.c

— Fala comigo, por favor! — choraminguei com minha irmã mais velha nos meus braços, ela estava perdendo muito sangue, pois tinha sido ferida por uma flecha enquanto fugíamos pela estrada em direção a capital. Mesmo à noite, o inimigo conseguiu feri-la daquela maneira.

— Irmã… me deixe aqui… você precisa salvar a sua vida… eles devem estar próximos — sussurrou com a voz fraca.

— Não posso te abandonar! O Xin Len e Xen Li vão carregar você — murmurei gesticulando para que nossos guarda-costas se aproximassem, porém um barulho de passos e galhos quebrando nos deixou em alerta.

— O nosso pai e nossa mãe gostariam que pelo menos uma de nós sobrevivesse, eles fizeram de tudo para que conseguíssemos fugir. Agora vá, Mei Lian e não olhe para trás, procure o pai da nossa mãe como ela nos instruiu, ele vai te ajudar. Proteja bem o pingente que a mamãe nos deu e mostre para os oficiais quando chegar na cidade — ordenou Ni Lian antes de perder a consciência.

Tentei carregá-la sozinha, porém não consegui, pois me faltava força, então apenas a arrastei com muita dificuldade para atrás de uma moita ali próxima.

O som de que alguém se aproximava aumentava cada vez mais, e o temor tomava conta de mim, de novo. Suspirei tentando me acalmar, para pensar em alguma solução, porém em vão.

De repente, o que eu mais temia aconteceu, os soldados inimigos que nos perseguiam apareceram.

— Finalmente encontramos vocês. Entreguem as duas moças — declarou um homem rechonchudo, que ao sorrir deixou visível a falta de alguns dentes na boca, que somente puderam ser vistos por causa da luz das tochas que dois deles carregavam para iluminar o caminho a noite pela floresta.

— Vocês terão que passar por cima de mim e do meu primo para pegarem elas — retrucou Xen Li pronto para atacar.

— Não me faça rir! O que vocês podem fazer contra a gente? Estamos em maior número! — vociferou outro soldado, se aproximando ligeiramente, com o intuito de eliminar o adversário.

Xin Len nem esperou o primo atacar, apenas se pôs a lutar, dando o primeiro golpe, sendo ajudado por Xen li.

Enquanto, os nossos protetores nos defendiam, quatro soldados inimigos que estavam livres e observavam a luta, começaram a nos procurar.

Sem alternativa, resolvi lutar também, usando o conhecimento que me foi passado pelo primo do meu pai, que era general e me treinou, mesmo contra a vontade de minha mãe. E hoje, só agradeço a ele, por ter insistido, alegando que eu precisava saber me defender, caso houvesse uma emergência.

Ligeiramente peguei a espada que eu tinha trazido escondida comigo, numa sacola simples. Então, a tirei da bainha, me levantei e ataquei o inimigo de surpresa. Eu precisava proteger a minha irmã e sair dali, não iria me render facilmente.

O choque do metal ecoou pela floresta. Girei o corpo, desviando do golpe e contra-atacando com precisão. Senti a lâmina cortar, mas não olhei para trás.

Outro veio. Mais rápido. Abaixei, girei, ataquei, porém eles eram muitos.

De repente, eu ouvi um som seco de algo caindo no chão e de relance pude avistar o meu guarda-costas no chão, desacordado ou morto, ao mesmo tempo que seu primo lutava com dificuldade, antes de ser apunhalado por trás por outro soldado.

— NÃO! — gritei desesperada e segurei a espada com ainda mais força.

Algo dentro de mim quebrou. Avancei novamente como uma tempestade, sem pensar, apenas sentindo. Minha espada dançava no ar, impulsionada por medo, raiva e desespero.

Derrubei um e depois outro, mas me agarraram por trás. Lutei, me soltei e recuei… Até não haver mais chão sob meus pés, de repente o mundo parou e o vento rugia ao meu redor.

Olhei uma última vez para a moita, onde minha irmã estava escondida totalmente imóvel. Suspirei enquanto estendia a mão desesperada, antes de cair do penhasco.

— Me perdoa…

A água me engoliu, encontrava-se extremamente gelada, tentei nadar para não me afogar, mas a correnteza estava muito forte.

Foram minutos tentando uma saída contra a morte, até eu ser vencida pelo cansaço e depois disso não houve mais nada, apenas a escuridão.

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