Armadilha Amante por Acidente · Capítulo 3 de 3
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Armadilha

ELE

Jonathan Haese fechou a janela do carro antes que Anne fosse embora. Ele ainda estava irritado com a xícara quebrada, a queda e o fato de aquilo ter causado desconfiança em sua amada esposa.

Ele se virou para Cassandra e a beijou novamente.

— O que você acha de tirarmos a manhã de folga e tentarmos fazer um bebê? — disse Jonathan Haese.

Cassandra Haese enrijeceu no banco. Por um segundo, suas mãos se afastaram do volante.

— Me desculpa, querida. Sinto muito mesmo. Eu sei que você ainda não está pronta.

Ela olhou para as próprias mãos em silêncio.

Jonathan Haese não pôde deixar de sentir dor ao ver a esposa tão triste depois do aborto espontâneo. Aquela tinha sido a primeira vez em dois anos que eles tinham feito amor.

Ela ficou devastada após a perda do bebê e caiu em uma depressão profunda. Se fechou completamente, e a única coisa que ele podia fazer era esperar que ela ficasse bem novamente. Ele não se importava com a falta de sexo, de carinho, de romance. Ele só queria vê-la sorrir de novo. Só isso.

— Você deveria contratar a garota — disse Cassandra, apertando o volante com mais força.

— O quê?

— Ela é neta do Albert, querido. Ele trabalhou para a família por trinta anos. É praticamente da família. Não é justo demiti-la por causa de um acidente.

— Por favor, Cassie. Eu não posso fazer isso. Estou falando sério! Querida, a garota tropeçou em mim e me fez quebrar a minha xícara favorita. Eu nem terminei meu café.

— Isso é culpa da manutenção. Eles deveriam ter jogado sal no asfalto. Eu mesma nem percebi.

Jonathan Haese suspirou.

— Por que você está defendendo ela?

— Porque a chance de você tentar alguma coisa com a neta de um homem que você considera como um avô é muito menor.

— Cassie, eu jamais...

Cassandra Haese enfiou a mão no bolso dele, procurando o telefone, e o entregou.

— Faça isso, Jonathan. Prove para mim que nem uma garota jovem e bonita consegue te tirar de mim.

Ele estreitou os olhos.

— Isso é algum tipo de armadilha? Mantenha os amigos por perto e os inimigos mais perto ainda… algo assim?

Ela permaneceu dirigindo em silêncio por um longo momento, até pararem em um sinal vermelho.

Então, ela pressionou os lábios contra os dele.

— Você é inteligente, Haese.

∞∞∞

A luz da manhã se derramava sobre as sebes bem aparadas quando Anne chegou à casa dos Haese. Ela vestia um terno preto e usava pouca maquiagem.

Jonathan Haese nem sequer olhou para o rosto dela quando ela lhe desejou um animado bom dia.

— Vamos em silêncio.

— Sim, senhor — ela disse, fechando a porta.

O Sr. Haese estava ocupado em seu tablet quando sentiu o olhar dela pelo retrovisor. Ela desviou o olhar como um cachorro com medo de confronto.

— O que foi? — disse, irritado.

— Muito obrigada por me contratar. Eu realmente preciso desse emprego.

— Agradeça aos trinta anos de serviço do seu avô.

Anne assentiu, entusiasmada.

Mais silêncio.

— É… há algum problema com a sua aliança, senhor? O senhor fica girando ela no dedo.

— Nada — disse Jonathan Haese, incomodado.

Anne não precisava saber que, depois do estresse do aborto espontâneo de Cassandra, ele tinha perdido tanto peso que a aliança ficava frouxa em seu dedo. A esposa dele nunca tinha percebido.

— A propósito, Sr. Haese…

— O QUÊ?!

— Desculpe, senhor. É só que o senhor não me disse qual é o preço da porcelana. Eu pago parcelado em trinta anos, se for preciso.

— Não é necessário.

— Claro que é. Eu não posso ficar em dívida com o meu próprio chefe…

— Esqueça isso. Vamos em silêncio.

— Mas, senhor-

Jonathan Haese quase deixou o tablet cair.

— Você realmente acha que eu usaria uma porcelana artesanal de verdade enquanto um estranho está dirigindo?

— Então… era uma peça falsa?

— O que você acha?

— MAS POR QUÊ-

Anne se calou imediatamente.

— Vamos em silêncio.

— Ótimo.

Aquilo se tornou a rotina deles.

Anne o buscava às nove da manhã em sua casa e o levava ao trabalho. A única coisa que ele dizia era:

— Vamos em silêncio.

E ela obedecia.

Era como se ela nunca tivesse ouvido ele fazer sexo com a esposa.

Falando nisso, Jonathan sempre sentia olhares sobre eles toda vez que atravessava o portão. Eles sabiam que estavam sendo observados, mas não era como se pudessem protestar.

Já Anne decidiu ficar o mais longe possível da Esposa… até que seu avô a interceptou no portão.

O vovô tinha ido visitar antigos colegas de trabalho, mas, segundo ele, saiu de lá com um pacote entregue por um entregador apressado.

— Não sei onde a Sra. Haese está — disse o vovô Albert, segurando uma sacola preta sem logotipo. — Você pode entregar isso a ela, querida? Parece caro demais para deixar com o porteiro.

Mas Anne sabia exatamente onde a Sra. Haese estava.

O clube de golfe tinha um salão interno especial para dias de chuva. Fileiras de estações se alinhavam como balcões privativos de aeroporto, cada uma equipada com uma grande tela exibindo dados precisos sobre jogadores vestidos de Ralph Lauren.

Anne pigarreou mais de uma vez até que a Sra. Haese finalmente olhou para trás. Ela colocou a sacola lentamente ao lado do balde reserva de bolas brancas, o mais longe possível do taco da Sra. Haese.

— Uma entrega acabou de chegar, senhora.

Cassandra Haese apoiou-se levemente no taco.

— Você é muito gentil, Anna.

— Anne.

Cassandra Haese acertou a bola. O ar foi cortado com precisão: um whoosh leve e rápido. A bola desapareceu em direção ao campo virtual, seguida pelo bip eletrônico confirmando distância e precisão.

— Está com medo?

— Não, senhora.

Cassandra Haese bateu na bola novamente. Anne deu um pequeno pulo… de novo.

— Está gostando do novo trabalho, Anna?

Clack. Whoosh.

— S-sim. Sim, Sra. Haese. Bem, agora que sua encomenda foi entregue, eu devo ir.

Cassandra Haese apoiou o taco sobre os ombros, e Anne deu vários passos para trás.

— Ah, certo. Obrigada, Anna.

Anne saiu meio atrapalhada, mas não antes de ouvir a Sra. Haese dizer:

— Estou torcendo por você. De verdade. Você vai se sair muito bem.

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